Neste artigo
- Que abelha é criada na apicultura brasileira?
- Por onde começar, antes de comprar qualquer coisa?
- Onde instalar o apiário?
- Que colmeia e que equipamento usar?
- De onde vêm as abelhas?
- Como é o calendário do primeiro ano?
- O que observar numa revisão?
- Como fazer uma revisão com segurança?
- E as colmeias fracas?
- Como unir dois enxames fracos?
- Vale a pena registrar cada colmeia?
- O que fazer na entressafra?
- Quando colher o primeiro mel?
- Erros comuns do apicultor iniciante
A apicultura atrai muita gente pelo mel, pela polinização e pela ideia de uma atividade rural que cabe num pedaço pequeno de terra. Ela é tudo isso — mas começa com uma realidade que o iniciante precisa encarar: a abelha do mel no Brasil é a africanizada, defensiva, e o manejo exige preparo.
Este guia organiza o primeiro ano do apicultor com base no Sistema de Produção de Mel da Embrapa Meio-Norte e em outras publicações da Embrapa.
Que abelha é criada na apicultura brasileira?
A apicultura trabalha com a Apis mellifera. A Embrapa, no ABC da Agricultura Familiar sobre criação de abelhas, explica que a espécie com ferrão que produz mel no País é a abelha africanizada, muito comum em todo o território, que se aloja em ocos de árvores, cupinzeiros, buracos e até telhados.
A africanização mudou a forma de trabalhar. O Sistema de Produção de Mel conta que o fumigador usado hoje no Brasil foi desenvolvido aqui, maior que o modelo anterior, e que ele e outras técnicas de manejo foram fundamentais para viabilizar a apicultura com essas abelhas.
Se a sua ideia é criar abelhas em casa, no quintal, o caminho costuma ser outro: as abelhas nativas sem ferrão, tratadas na biblioteca de meliponicultura.

- Cabeça
- Olho composto — um de cada lado da cabeça
- Antena — olfato e tato
- Peças bucais — mandíbulas e língua (probóscide) para sugar néctar
- Tórax — onde se prendem as asas e as seis pernas
- Asa anterior
- Asa posterior — menor; se engancha na anterior no voo
- Perna traseira com corbícula — a cestinha que carrega pólen
- Abdome — listrado; guarda o papo de mel e as glândulas de cera
- Ferrão — só nas fêmeas; a operária morre ao ferroar pessoas
- Ocelos — três olhos simples no alto da cabeça
Por onde começar, antes de comprar qualquer coisa?
Aprenda primeiro. O caminho mais seguro é fazer um curso e acompanhar um apicultor experiente em revisões e colheitas. Ver uma colmeia aberta, sentir o comportamento das abelhas e usar o fumigador ao lado de quem sabe evita acidentes e perdas.
Depois, defina três coisas: onde ficará o apiário, com que equipamento você vai trabalhar e de onde virão os enxames.
Onde instalar o apiário?
A escolha do local é a decisão mais importante do primeiro ano. A Embrapa traz critérios objetivos:
| Critério | Recomendação da Embrapa |
|---|---|
| Distância de casas, currais, escolas, estradas movimentadas, aviários | No mínimo 400 metros |
| Distância de engenhos, sorveterias, fábricas de doces, aterros, lixões, matadouros | No mínimo 3 km |
| Água limpa | Entre 100 e 500 metros das colmeias |
| Sombreamento | Área sombreada, mas não úmida em excesso |
| Vento | Protegido de ventos fortes |
| Altura das colmeias | Cavaletes individuais a 50 cm do solo |
| Distância entre colmeias | No mínimo 2 metros |
| Alvado | De preferência voltado para o sol nascente |
Os 400 metros existem para a segurança de pessoas e animais; os 3 km, para evitar contaminação do mel. A água importa mais do que parece: a Embrapa registra que, em casos extremos, uma colmeia pode consumir 20 litros de água por semana em clima quente, usados para regular a temperatura.
Os cavaletes devem ser individuais, para que mexer numa colmeia não perturbe a vizinha, e ter proteção contra formigas e cupins. A Embrapa recomenda ainda uma placa de aviso sobre a presença de abelhas.
Que colmeia e que equipamento usar?
Colmeia: Langstroth. A Embrapa registra que o modelo indicado pela Confederação Brasileira de Apicultura como padrão é o Langstroth. A Embrapa também recomenda padronizar o apiário e não misturar modelos. As medidas estão na biblioteca de caixas de abelha, e a montagem dos quadros em como montar a colmeia Langstroth.
Proteção e ferramentas. Macacão com máscara, luvas, botas, fumigador e formão vêm antes da primeira abertura de colmeia. A lista detalhada está em material de apicultura para iniciante.
De onde vêm as abelhas?
A forma mais comum de povoar o apiário é capturar enxames com caixas-isca. A Embrapa Clima Temperado, na publicação sobre caixas-isca, indica que a melhor época é o início da estação das flores — primavera no Sul e inverno chuvoso no Norte — e que a caixa só deve ser aberta de 3 a 7 dias após a captura, para evitar abandono. O passo a passo está em caixa-isca para capturar enxame.
Se um enxame aparecer em sua casa, não tente removê-lo sem preparo: veja enxame de abelhas: o que fazer.
Como é o calendário do primeiro ano?
A Embrapa organiza as revisões conforme a fase da colmeia:
| Momento | Revisão recomendada |
|---|---|
| Enxame recém-instalado | Cerca de 15 dias após a instalação |
| Antes das floradas | Revisão completa, deixando a colmeia pronta para produzir |
| Durante as floradas | Melgueiras a cada 15 dias |
| Após as floradas | Revisão completa do ninho, preparando a entressafra |
| Entressafra | Mensal, rápida |
O calendário das floradas muda muito de uma região para outra. Conversar com apicultores da sua região é a melhor forma de saber quando elas acontecem.
O que observar numa revisão?
A Embrapa lista os pontos principais:
- Alimento — mel e pólen — e cria — ovos, larvas e pupas.
- Presença da rainha, que não precisa ser vista: ovos nas áreas de cria já indicam que ela está ativa. Muitas falhas na cria sugerem rainha velha ou doença.
- Espaço disponível. Colônia populosa em pouco espaço tende a enxamear, e a solução é acrescentar melgueiras ou dividir.
- Realeiras, que podem indicar falta de rainha ou preparo para enxamear.
- Sinais de doenças, pragas e predadores.
- Estado de quadros, caixas, fundos, tampas e cavaletes.
Como fazer uma revisão com segurança?
As recomendações da Embrapa:
- Escolha o horário. Dias claros e estáveis, entre 8 e 11 horas e entre 15 horas e 17h30, quando a maioria das operárias está no campo. Nunca na chuva.
- Vista-se direito. Roupa clara, em bom estado e limpa; evite perfume, suor e barulho.
- Trabalhe em dupla, uma pessoa no fumigador e outra na colmeia.
- Use fumaça branca e fria, de serragem, folhas ou cascas secas. Nunca material de origem animal ou mineral.
- Aplique fumaça no alvado, espere alguns segundos, levante a tampa com o formão e aplique fumaça sobre os quadros.
- Fique atrás ou ao lado da colmeia, nunca na frente, fora da linha de voo.
- Trabalhe com calma, mas rápido, sem deixar os favos expostos ao sol ou ao frio.
Durante a florada, a Embrapa recomenda evitar excesso de fumaça junto às melgueiras, para que o mel não absorva o cheiro.
E as colmeias fracas?
O primeiro ano quase sempre tem colmeias fracas. A Embrapa descreve três recursos:
- Alimentação suplementar, que estimula a postura da rainha.
- Quadros com cria operculada de colmeias fortes, que nascem rápido e reforçam a população. A Embrapa recomenda usar favos com pupas, e não com larvas, que a colônia fraca não consegue cuidar.
- União de enxames, usando a técnica do papel entre as caixas.
A redução do alvado também ajuda a colônia fraca a se defender e a manter a temperatura.
Como unir dois enxames fracos?
A Embrapa descreve a técnica do papel, usada com sucesso em todo o País:
- Escolha qual rainha fica e elimine a outra. A Embrapa observa que, se as duas colmeias enfraqueceram por rainhas velhas, o ideal é eliminar as duas e introduzir uma rainha nova de um enxame produtivo.
- Coloque uma folha de papel no lugar da tampa da colmeia que ficou com a rainha.
- Derrame um pouco de mel sobre o papel e coloque outra folha por cima.
- Retire o fundo da outra colmeia e coloque-a em cima do papel.
- Dois ou três dias depois, reúna os melhores quadros dos dois enxames numa única caixa.
O papel separa os enxames e evita brigas; o cheiro de mel estimula as operárias a roê-lo devagar, e, quando ele some, os feromônios já se misturaram. A Embrapa recomenda papel sem impressão, evitando jornal por precaução com a tinta.
Vale a pena registrar cada colmeia?
Vale. Anotar em cada revisão o que foi visto — cria, rainha, alimento, espaço, realeiras e problemas — permite comparar colmeias e tomar decisões com base no histórico, não na memória. Identifique cada caixa com um número e mantenha uma ficha simples por colmeia. Depois de uma safra, você saberá quais colônias produzem mais, quais enfraquecem na entressafra e quais precisam de troca de rainha.
O que fazer na entressafra?
A entressafra é o período de pouca ou nenhuma florada. A Embrapa recomenda revisões menos frequentes, em geral mensais, rápidas, observando principalmente se há necessidade de alimentar as colmeias, reduzir o alvado, controlar inimigos naturais ou unir enxames fracos. É também a época de preparar o equipamento para a próxima safra: montar quadros, revisar caixas e trocar peças danificadas.
Quando colher o primeiro mel?
Só quando houver mel maduro. A Embrapa orienta colher apenas quadros com no mínimo 90% dos alvéolos operculados, não colher em dias chuvosos e preferir dias ensolarados. Quanto o apiário vai produzir depende de muitos fatores, discutidos em quanto produz uma colmeia de mel. A extração está em centrífuga de mel: manual ou elétrica.
Erros comuns do apicultor iniciante
- Instalar colmeias perto de casas e estradas. É risco para pessoas e animais.
- Comprar colmeias de modelos diferentes. Quadros não se encaixam e o manejo complica.
- Abrir a colmeia sem fumigador aceso ou com roupa inadequada.
- Revisar demais. A Embrapa lembra que cada revisão consome mel, mata abelhas na defesa e interrompe a postura. Revise quando necessário.
- Colher mel verde, com pouco opérculo, que tem umidade alta e pode fermentar.
Para o panorama da atividade, veja a biblioteca de apicultura e produção de mel.
Primeira colmeia padrãoCaixa Langstroth completa com 1 melgueira
Proteção completa para o manejoMacacão de apicultor ventilado com máscara e luvas
Apiário com várias colmeiasFumigador grande para apicultura, 6 litros, galvanizado
Primeira colmeia padrãoCaixa Langstroth completa com 1 melgueiraNinho e melgueira no padrão Langstroth, o mais usado no Brasil. Peças intercambiáveis facilitam revisão, divisão e colheita.Comprar agora →
Quem está montando o primeiro apiárioKit de ferramentas de apicultura com 22 peças e bolsaReúne de uma vez o que o manejo pede: fumigador, formão, escova para afastar abelhas do quadro, faca desoperculadora para a colheita e luvas longas. Comprar em kit sai mais barato que peça por peça e evita esquecer algo no dia da revisão.Comprar agora →Perguntas frequentes
Posso criar abelhas no quintal de casa?
Com abelha africanizada, em geral não é recomendável. A Embrapa indica que o apiário fique a no mínimo 400 metros de casas, currais, escolas e estradas movimentadas, por causa do comportamento defensivo dessas abelhas. Em área urbana, a alternativa costuma ser a meliponicultura.
Quanto tempo leva para colher o primeiro mel?
Depende da força do enxame e da florada da região. Um enxame recém-capturado precisa primeiro construir favos e crescer no ninho. A Embrapa orienta colher só quadros com no mínimo 90% dos alvéolos operculados, sinal de mel maduro.
Qual colmeia usar para começar?
A Langstroth, que a Confederação Brasileira de Apicultura adota como padrão nacional, segundo a Embrapa. Seguir o padrão desde a primeira caixa permite trocar quadros entre colmeias e comprar melgueiras prontas sem problema de encaixe.
Com quantas colmeias devo começar?
As fontes consultadas não fixam um número. Começar com poucas colmeias permite aprender o manejo sem sobrecarga, e ter mais de uma ajuda a comparar colônias e a fortalecer uma fraca com quadros de cria de outra, técnica descrita pela Embrapa.
Preciso de duas pessoas para revisar a colmeia?
É o aconselhável. A Embrapa recomenda que duas pessoas façam a revisão, uma manejando o fumigador e outra abrindo e vistoriando a colmeia, o que torna o trabalho mais rápido, eficiente e seguro.
Qual o melhor horário para mexer nas abelhas?
A Embrapa indica dias claros e de clima estável, entre 8 e 11 horas e entre 15 horas e 17h30, quando a maioria das operárias está no campo. Nunca se deve trabalhar durante a chuva.
Fontes
- Sistema de Produção de Mel — Embrapa Meio-Norte, Sistemas de Produção 3, versão eletrônica (conteúdo de 2003) (Langstroth é o modelo indicado pela Confederação Brasileira de Apicultura como padrão; colmeia com tampa, sobrecaixa, ninho, fundo e quadros; espaço abelha de no mínimo 4,8 mm e no máximo 9,5 mm entre as partes; madeira de boa qualidade e bem seca, pintada só por fora com tinta clara, nunca por dentro; arame nº 22 ou 24, de preferência inox, esticado no quadro para sustentar a cera alveolada, fixada com carretilha ou incrustador elétrico; apiário a no mínimo 400 m de currais, casas, escolas e estradas movimentadas e a 3 km de engenhos, fábricas de doces e lixões; água limpa entre 100 e 500 m; colmeias em cavaletes individuais a 50 cm do solo e a no mínimo 2 m umas das outras, à sombra; revisão cerca de 15 dias após instalar enxame novo, a cada 15 dias nas melgueiras durante a florada e mensal na entressafra; trabalhar entre 8 e 11 h e 15 e 17h30, de preferência em dupla, com fumaça branca e fria; colher só quadros com no mínimo 90% dos alvéolos operculados, e não colher em dia chuvoso; legislação admite no máximo 20% de umidade no mel)↗oficial
- ABC da Agricultura Familiar — Criação de abelhas (apicultura), Embrapa Meio-Norte (a espécie social com ferrão que produz mel é a abelha africanizada, Apis mellifera, muito comum em todo o País; os enxames se alojam em ocos de árvores, galhos, buracos no chão, pedras, cupinzeiros e telhados de residências)↗
- Como capturar enxames com caixas-isca — Luis Fernando Wolff, Embrapa Clima Temperado, coleção ABC da Agricultura Familiar 23, Brasília, 2009 (o Langstroth é o modelo adotado pela Confederação Brasileira de Apicultura como padrão nacional; dimensões internas — ninho de 46,5 x 37,0 x 24,0 cm, melgueira de 46,5 x 37,0 x 14,5 cm, fundo de 60,0 x 41,0 x 2,0 cm, tampa de 51,0 x 44,0 cm, quadros de ninho de 48,1 a 42,9 cm de comprimento por 2,8 cm de largura e 23,3 cm de altura, quadros de melgueira com 13,8 cm de altura; caixa-isca deve comportar no mínimo de 3 a 5 quadros de ninho, sendo o núcleo de cinco quadros de excelente resultado; alvado de no máximo 10 cm², equivalente a 5 cm de largura num alvado de 2 cm de altura, com a variante de 1 cm de altura por 10 cm de largura para impedir invasores maiores; caixas de cor clara, amarelas ou brancas, são mais visitadas que as escuras, embora a pintura pese menos que os demais fatores; caixas de papelão registraram maior atratividade que as de madeira; tiras de cera alveolada de cerca de 3 cm de altura induzem a construção correta dos favos; aromas atrativos incluem cera alveolada nova, própolis, capim-limão, erva-cidreira e laranjeira, além do geraniol da glândula de Nasanov; mel, rapadura e açúcar NÃO atraem operárias batedoras, e sim pilhadoras e formigas, levando as batedoras a descartar o local; caixas em local arejado, seco, elevado e protegido de insolação excessiva, sendo o sombreamento permanente mais prejudicial que o excesso de sol, a mais de 1 metro do solo, com enxames em cavidades naturais do Cerrado e da Caatinga encontrados entre 1,10 m e 3 m; melhor época é o início da estação das flores — primavera no Sul e inverno chuvoso no Norte; revisão das caixas-isca a cada 7 a 10 dias, abrindo a caixa somente 3 a 7 dias após a captura para evitar abandono; quadros com tiras de cera devem ser substituídos por lâminas inteiras na primeira revisão, porque favos feitos só com tiras tendem a sair tortos, incompletos e com alvéolos de zangão)↗oficial
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