Neste artigo
- Por que dividir em vez de capturar ou comprar?
- Quando a colônia de jataí está pronta para ser dividida?
- O que a caixa INPA tem a ver com a divisão?
- Como dividir a colônia passo a passo?
- Quais inimigos mais atacam colônias divididas?
- E se a colônia nova enfraquecer?
- Como acompanhar depois da divisão?
- Quais erros mais fazem a divisão falhar?
- Checklist do dia da divisão
- Como saber se a divisão deu certo?
- Quantas vezes posso dividir uma colônia?
- A divisão é a única forma de multiplicar?
- Onde instalar as colônias?
- Quer o passo a passo completo, com fichas?
Dividir colônias é a forma de multiplicar o meliponário sem tirar abelhas da natureza. É também o manejo que mais exige paciência: feito na hora errada, enfraquece a colônia-mãe, gera uma filha que não vinga e abre a porta para forídeos.
Este guia segue a orientação da Embrapa Meio-Norte na publicação Manejo de colônias de abelhas-sem-ferrão (Documentos 219) e as regras da Resolução CONAMA 496/2020.
Por que dividir em vez de capturar ou comprar?
A CONAMA 496/2020 prevê quatro formas de obter matrizes de abelhas nativas: recipiente-isca, compra de meliponário autorizado, depósito pelo órgão ambiental e resgate. A divisão vem depois: é a forma de multiplicar o que você já tem.
Ela tem vantagens claras:
- Não depende da sorte de uma isca ser ocupada.
- Mantém a genética de colônias que já se adaptaram ao seu local.
- É o caminho legal da venda: pela CONAMA 496/2020, o meliponário autorizado só comercializa colônias ou partes delas que sejam resultado da multiplicação das suas matrizes.
As regras completas estão em criar abelha sem ferrão é legalizado?.
Quando a colônia de jataí está pronta para ser dividida?
A Embrapa indica dividir colônias fortes. Na prática, com a caixa INPA, sinais de colônia forte são:
- Ninho e sobreninho ocupados por discos de cria.
- Potes de alimento em boa quantidade.
- Movimento intenso de campeiras na entrada.
- Ausência de forídeos, formigas ou favos mofados.
E uma condição externa que costuma ser esquecida: a Embrapa orienta verificar a presença de machos na região antes de dividir, porque a rainha virgem da nova colônia precisa ser fecundada.
A mesma publicação lembra que, no período de disponibilidade de alimento, a colônia precisa de mais espaço, com sobreninho e melgueira; na escassez, de menos espaço. A época de florada costuma ser a de colônias mais fortes.
O que a caixa INPA tem a ver com a divisão?
A colmeia modulável modelo INPA tem fundo, ninho, sobreninho, melgueira e tampa. O sobreninho existe justamente para dar espaço ao crescimento da colônia e facilitar a divisão sem destruir o ninho. As partes estão detalhadas em caixa de abelha jataí: modelo INPA.
Para dividir, você vai precisar de uma caixa nova do mesmo modelo, limpa, seca e bem encaixada.
Como dividir a colônia passo a passo?
A Embrapa descreve a divisão assim: discos de cria nova e nascente, potes de alimento e cerume são retirados de uma ou duas colônias e colocados numa caixa nova. Os passos práticos:
1. Escolha o dia
Prefira dia de tempo bom, sem chuva e sem frio, quando a colônia está ativa e a exposição do ninho faz menos mal.
2. Prepare a caixa nova
Monte a caixa INPA nova, limpa e seca, com as partes bem encaixadas. Deixe à mão fita adesiva para vedação.
3. Abra a colônia-mãe com cuidado
Abra a caixa e localize os discos de cria. Trabalhe devagar, sem esmagar potes nem discos — potes rompidos atraem forídeos.
4. Separe os discos de cria
Passe para a caixa nova discos de cria nova e discos de cria nascente, os que estão prestes a nascer. A Embrapa orienta, conforme a espécie, observar se há células reais nos discos de cria levados — elas darão origem à nova rainha.
5. Leve alimento e cerume
Transfira potes de alimento inteiros e um pouco de cerume para a caixa nova. O alimento sustenta a colônia jovem; o cerume ajuda na construção e no cheiro do ninho.
6. Troque as posições
A Embrapa orienta colocar a nova colmeia no local de uma das colônias antigas. As campeiras que voltam do campo para aquele ponto entram no novo ninho e reforçam a população. A colônia-mãe vai para outro ponto do meliponário.
7. Vede e alimente
A Embrapa indica que pode ser necessário fornecer alimento e vedar toda a colônia com fita adesiva. O xarope recomendado é de 1 litro de água para 1 quilo de açúcar, fervido e frio, oferecido em quantidade que a colônia consuma em até 24 horas — sobra atrai formigas.
8. Redobre os cuidados com inimigos
A Embrapa é explícita: nessa fase é importante redobrar os cuidados com inimigos naturais. Limpe resíduos de mel e pólen em volta das duas caixas.
Quais inimigos mais atacam colônias divididas?
Os principais inimigos das abelhas sem ferrão, segundo a Embrapa, são os forídeos, formigas e a mosca Hermetia illucens. Colônias recém-divididas, com menos operárias e potes expostos, são alvo fácil.
Sobre os forídeos, a Embrapa explica que são moscas pequenas, pretas e marrons, atraídas pelo odor do pólen fermentado, que fazem postura nos potes de pólen, nos favos de cria e na lixeira. A prevenção:
- Manter as colônias fortes.
- Não machucar potes de pólen e células de cria durante o manejo.
- Remover potes de pólen abertos e fermentados.
- Usar armadilhas de potinhos plásticos com vinagre dentro da colmeia, com furo do tamanho que deixa o forídeo entrar.
Em caso de ataque, a orientação é limpar a colônia, removendo e queimando potes de pólen e discos de cria infestados.
E se a colônia nova enfraquecer?
A Embrapa descreve como fortalecer colônias fracas:
- Colocar discos de cria nascente retirados de colônias mais fortes.
- Trocar as colônias de lugar, pondo a fraca no local da forte, para aumentar o número de operárias que entram nela.
- Alimentar quando não houver florada.
- Reduzir o espaço no período de escassez, para facilitar a regulação da temperatura.
Como acompanhar depois da divisão?
A Embrapa recomenda revisão a cada 30 dias, observando presença de cria e rainha, alimento, excesso de batume, favos mofados, inimigos e lixo. Entre as revisões, observe a entrada: fluxo de abelhas, material sendo levado para dentro — pólen, resina, barro — e detritos sendo retirados. Se houver excesso de umidade no ninho, a Embrapa indica secar com pano ou papel toalha.
Quais erros mais fazem a divisão falhar?
- Dividir colônia fraca. As duas partes ficam fracas e vulneráveis. A Embrapa recomenda dividir colônias fortes.
- Dividir sem machos na região. A rainha virgem não é fecundada e a colônia nova não prospera.
- Romper potes de pólen e mel. O cheiro atrai forídeos, que, segundo a Embrapa, são atraídos principalmente pelo odor do pólen fermentado.
- Deixar frestas na caixa. Forídeos e formigas entram por elas.
- Esquecer de trocar as posições. Sem as campeiras, a colônia nova demora a ganhar população.
- Alimentar em excesso. Xarope que sobra atrai formigas e outros inimigos.
- Abrir a caixa nova com frequência nos primeiros dias. Revise com critério; a Embrapa recomenda revisões a cada 30 dias.
Checklist do dia da divisão
- Colônia-mãe forte, com ninho e sobreninho ocupados
- Machos observados na região
- Caixa INPA nova, limpa, seca e do mesmo modelo
- Dia de tempo bom
- Fita adesiva para vedação
- Xarope preparado e frio
- Ferramentas limpas para manusear discos e potes
- Plano de onde cada caixa vai ficar
Como saber se a divisão deu certo?
Nas semanas seguintes, observe a entrada e, na revisão mensal, o interior da caixa nova. Sinais favoráveis, a partir dos pontos que a Embrapa manda observar nas revisões:
- Movimento constante de abelhas entrando e saindo.
- Material sendo levado para dentro: pólen, resina e barro.
- Detritos sendo retirados, sinal de colônia organizada.
- Novos discos de cria sendo construídos, indício de rainha em postura.
- Potes de alimento sendo formados.
Sinais de alerta são entrada parada, forídeos ou formigas, favos mofados e cheiro de fermentação. Se a colônia nova não mostrar postura depois de um tempo razoável, ela pode ter perdido a rainha ou não conseguido fecundá-la; nesse caso, a Embrapa indica as técnicas de fortalecimento, como a introdução de discos de cria nascente de colônias fortes.
Quantas vezes posso dividir uma colônia?
As fontes técnicas consultadas não fixam um número. O critério da Embrapa é a força: só se divide colônia forte. Na prática, depois de uma divisão, a colônia-mãe precisa recompor cria, alimento e população antes de ser dividida de novo. Dividir com frequência demais é a forma mais rápida de ter muitas caixas fracas em vez de poucas fortes — e colônias fracas são as mais atacadas por forídeos.
A divisão é a única forma de multiplicar?
Não. A CONAMA 496/2020 também prevê o uso de recipientes-isca, dispensando de autorização os recipientes-isca de criatórios com até 49 colônias sem fins comerciais. A captura com isca e a divisão se complementam: a isca traz genética nova ao meliponário, e a divisão multiplica as colônias que já mostraram bom desempenho.
Onde instalar as colônias?
A publicação da Embrapa sobre criação de abelhas sem ferrão recomenda cavaletes individuais a cerca de 0,5 metro do chão, local sombreado e próximo de água, e distância de cerca de 0,5 metro entre caixas para abelhas pequenas como a jataí. Também recomenda meliponários de uma única espécie, porque colônias fortes podem invadir as fracas — e a divisão gera justamente colônias mais fracas por algum tempo.
Pela CONAMA 496/2020, a criação é restrita à região de ocorrência natural da espécie.
Quer o passo a passo completo, com fichas?
O Guia de Meliponicultura: caixa INPA e jataí reúne em PDF o que a Embrapa, a CONAMA 496/2020 e a pesquisa universitária dizem sobre caixa INPA, captura, divisão pelo sobreninho, inimigos e conservação do mel, com calendário, checklists e fichas da colmeia para imprimir.
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Quando posso dividir a colônia de jataí?
Quando ela estiver forte, com bastante cria e alimento, e quando houver machos na região para o acasalamento da rainha virgem, condição que a Embrapa manda verificar antes. Dividir colônia fraca costuma enfraquecer as duas partes e expô-las a inimigos.
Precisa ter rainha na caixa nova?
A caixa nova precisa ter condições de ter uma rainha. A Embrapa orienta, conforme a espécie, observar se há células reais nos discos de cria levados para a nova caixa. A rainha virgem que nascer precisará de machos na região para ser fecundada.
Por que a caixa nova fica no lugar da colônia antiga?
Para receber as operárias campeiras. A Embrapa explica que a nova colmeia deve ser colocada no local de uma das colônias antigas para que as campeiras, que voltam do campo para aquele ponto, entrem no novo ninho e reforcem a população.
Posso vender as colônias que dividi?
Depende da situação legal do meliponário. Pela CONAMA 496/2020, o meliponário autorizado pode comercializar colônias resultantes da multiplicação de suas matrizes. Criadores de até 49 colônias sem exploração econômica são dispensados de autorização, mas a venda tem regras próprias.
O que fazer se aparecerem forídeos depois da divisão?
Agir rápido. A Embrapa orienta remover e queimar potes de pólen e discos de cria infestados, manter as colônias fortes, não machucar potes durante o manejo e usar armadilhas com vinagre dentro da colmeia.
Com que frequência revisar a colônia dividida?
A Embrapa recomenda revisar as colônias de abelhas sem ferrão a cada 30 dias, observando cria, rainha, alimento, excesso de umidade, favos mofados e inimigos. Logo após a divisão, observar a movimentação na entrada ajuda a detectar problemas cedo.
Fontes
- Manejo de colônias de abelhas-sem-ferrão — Fábia de Mello Pereira, Bruno Almeida Souza, Maria Teresa do Rêgo Lopes e José Maria Vieira Neto, Embrapa Meio-Norte, Documentos 219, dezembro de 2012 (jataí, Tetragonisca angustula, entre as espécies indicadas para produção de mel; revisão das colônias a cada 30 dias, verificando cria, rainha, alimento, batume, favos mofados, inimigos e lixo; ampliar com sobreninho e melgueira na florada e reduzir espaço na escassez; colônias fortes podem ser divididas, formando uma nova colônia a partir de duas, três ou até quatro fortes, depois de verificar a presença de machos na região para o acasalamento da rainha virgem; na divisão, discos de cria nova e nascente, potes de alimento e cerume vão para a caixa nova, que ocupa o lugar de uma das antigas para receber as campeiras; conforme a espécie, observar células reais; alimentar, vedar a caixa com fita e redobrar cuidados com inimigos; fortalecimento com discos de cria nascente de colônias fortes; xarope de 1 litro de água para 1 quilo de açúcar, em quantidade consumida em 24 horas; inimigos: forídeos, formigas e Hermetia illucens; armadilha de vinagre para forídeos; meliponíneos produzem de 1 a 10 kg de mel por ano conforme espécie e região, enquanto uma colônia de Apis mellifera produz em média 15 kg por ano, podendo triplicar com manejo adequado)↗oficial
- Sistema de Criação de abelhas-sem-ferrão — Embrapa (as abelhas-sem-ferrão pertencem à tribo Meliponina, Hymenoptera, Apidae, com 52 gêneros e mais de 300 espécies; polinizam 30% das espécies da Caatinga e do Pantanal e até 90% das da Mata Atlântica; espécies mais indicadas para produção de mel: uruçu, tiúba, jandaíra, uruçu-cinzenta, mandaçaia e jataí, com tabela de ocorrência por estado; em geral, quanto menor a abelha e o ninho, menor a produção de mel; obtenção de enxames por ninhos-isca, aquisição de produtor cadastrado ou divisão, conforme a Resolução CONAMA 346/2004; ninho-isca de garrafa PET ou embalagem cartonada coberta com plástico preto, com banho interno de álcool, própolis e cerume, instalado a 0,5 a 1,5 metro de altura em local sombreado e próximo de água, aguardando cerca de 30 dias após a captura para transferir; meliponário a 1.500 metros de engenhos, fábricas de doces e refrigerantes, estradas e criação animal, e a 1.500 metros de outros meliponários, considerando raio de voo de 120 m a 2.500 m conforme a espécie; recomenda-se meliponário de uma única espécie, porque colônias fortes invadem as fracas; colmeias moduláveis com tampa, melgueira, sobreninho, ninho e fundo, modelo INPA, em cavaletes individuais a cerca de 0,5 metro do chão, com distância entre caixas de 0,5 metro para abelhas pequenas até 3,0 metros para abelhas grandes; revisão das colônias a cada 30 dias; alimentação com xarope de água e açúcar a 50%, fornecido em quantidade consumida em até 24 horas; inimigos naturais principais são forídeos, formigas e a mosca Hermetia illucens, cujas fêmeas depositam até 400 ovos; colheita do mel com bomba de sucção ou seringa, apenas de potes já fechados, sendo desaconselhado furar os potes e deixar escorrer pela caixa; o mel desse grupo tem naturalmente teor elevado de água, o que pode levar à fermentação; alguns estados, como o Mato Grosso do Sul, têm leis que proíbem a introdução de espécies que não ocorrem naturalmente no estado)↗oficial
- Resolução CONAMA nº 496, de 19 de agosto de 2020, publicada no DOU de 20 de agosto de 2020 (edição 160, seção 1, p. 91) — disciplina o uso e o manejo sustentáveis das abelhas-nativas-sem-ferrão em meliponicultura (art. 3º: uso e manejo dependem de ato autorizativo do órgão ambiental competente, com relação das espécies, localização do meliponário, CPF ou CNPJ e origem do plantel inicial; após autorização, inscrição no Cadastro Técnico Federal; §3º dispensa de autorização ambiental o uso e manejo sem exploração econômica de até 49 colônias; §4º permite troca ou permuta de colônias sem finalidade comercial entre produtores de até 49 colônias dentro do mesmo bioma; art. 4º dispensa de autorização o comércio de produtos e subprodutos (mel, própolis, pólen, cera etc.), exceto partes da colônia ou espécimes; art. 5º permite ao meliponário autorizado comercializar colônias ou partes delas desde que resultantes da multiplicação de suas matrizes; art. 6º prevê obtenção de matrizes por recipiente-isca, compra de meliponário autorizado, depósito pelo órgão ambiental ou resgate, dispensando autorização para recipientes-isca de criatórios com até 49 colônias sem fins comerciais; art. 7º restringe a criação à região geográfica de ocorrência natural da espécie, conforme catálogo do ICMBio, podendo o órgão ambiental autorizar criação fora dela segundo análise de risco; art. 14 revoga a Resolução CONAMA nº 346/2004; art. 15 vigência na data da publicação)↗oficial
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