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Capturar enxame com caixa-isca é o método passivo de povoar colmeias — e, segundo a Embrapa, a técnica mais indicada para povoamento. Funciona porque explora um comportamento natural: a busca das abelhas por um novo abrigo.
O que a caixa está disputando
Antes de se mudar, o enxame envia operárias batedoras para procurar e escolher a nova moradia. Elas avaliam espaço disponível e segurança. Sua caixa está competindo com ocos de árvore, cupinzeiros, fendas em rochas e telhados.
Há dois motivos para um enxame estar em deslocamento:
- Migração — o enxame completo abandona o local por incêndio, inundação, ataque de inimigos ou falta de alimento e água
- Enxameação — a colônia produz nova rainha e se divide; a rainha antiga sai com cerca de metade das operárias
É a enxameação que se aproveita, e ela tem época.
Para completar o quadro, veja também centrífuga de mel e abelha jataí tem ferrão.
Tamanho e alvado
Capacidade: no mínimo 3 a 5 quadros de ninho, padronizados conforme a colmeia que você usa. O núcleo de cinco quadros dá excelentes resultados, economiza material e facilita o transporte.
Sempre com quadros dentro. Isso impede que fiquem soltos e evita que as abelhas fixem os primeiros favos na tampa da caixa.
Alvado pequeno. Entrada grande dá menos segurança. Em cavidades naturais ocupadas por africanizadas no Brasil, encontrou-se abertura média de 10 cm² — e essa é a recomendação máxima. Num alvado de 2 cm de altura, isso dá 5 cm de largura.
A variante recomendada é 1 cm de altura por 10 cm de largura: mantém a área e impede a entrada de lagartos, sapos e ratos.
Uma diferença de comportamento que ajuda a dimensionar: raças europeias escolhem espaços internos grandes; as africanas são pouco seletivas e se alojam em qualquer espaço, mesmo pequeno — o que depois obriga a colônia a se dividir ou migrar de novo.
Material e cor
Madeira e as próprias colmeias-padrão são o usual. Mas há um dado que surpreende: caixas de papelão registraram atratividade muito maior que as de madeira.
Nesse caso, monte o núcleo de cinco quadros em papelão e recubra externamente com plástico impermeável, bem aderido, com uma única abertura no alvado, levemente inclinado para a frente.
Cores claras atraem mais e facilitam localizar a caixa no campo. Amarelo e branco foram mais visitados pelas batedoras que verde-folha, azul-marinho e preto. Ainda assim, a pintura pesa menos que os outros fatores e aumenta custo e mão de obra.
O que atrai — e o que espanta
Esta é a parte em que a prática popular erra na direção oposta.
Não use mel, rapadura ou açúcar. Eles não atraem as batedoras, e sim pilhadoras e formigas. Se as batedoras chegam e encontram abelhas brigando pelo açúcar ou formigas doceiras tomando conta do espaço, descartam o local.
O que funciona:
- Cera alveolada nova, sem adulteração e recém-processada — o aroma mais favorável de todos
- Um quadro antigo com favo construído, colocado no centro da caixa
- Caixas antigas que já abrigaram enxames, raspadas por dentro para liberar o aroma de própolis e cera
- Extrato de própolis, bálsamos e substâncias resinosas
- Capim-limão, erva-cidreira e laranjeira, borrifados ou esfregados nas paredes internas
- Óleo de capim-limão misturado à vaselina, em recipiente preso ao quadro central
- Geraniol, componente da glândula de Nasanov, aplicado sobre as lâminas de cera
As tiras de cera
Corte as lâminas de cera alveolada em tiras estreitas de cerca de 3 cm de altura e incruste-as horizontalmente nos quadros, com os arames ocultos. A incrustação pode ser a frio, com carretilha, ou a quente, com cera derretida ou incrustador elétrico.
A tira orienta as abelhas a construir os favos seguindo a linha do cabeçalho do quadro, em vez de enviesados ou perpendiculares. E mantém amplo o espaço interno da caixa.
Mas atenção ao limite: favos construídos só a partir de tiras tendem a sair tortos, incompletos e com alvéolos de zangão nas laterais inferiores. Tira é recurso de caixa-isca; colmeia de produção pede lâmina inteira.
Onde e quando instalar
Onde:
- Local arejado, seco, elevado e protegido de insolação excessiva
- Sombreamento permanente é mais prejudicial que excesso de sol
- Em pontos elevados — telhados, edificações, cavaletes, árvores, bordas de mata
- Próximo às rotas de voo por onde os enxames cruzam ano após ano
- Protegido de vento forte e de formigas, aranhas, lagartos, sapos e vespas
- Acima de 1 metro do solo — no Cerrado e na Caatinga, enxames naturais aparecem entre 1,10 m e 3 m
Com o contrapeso prático: quanto mais alto, mais trabalhoso revisar e retirar a caixa depois de ocupada.
Quando: na estação das flores, na fase inicial — o período de enxameação. No Sul, predominantemente a primavera; no Norte, o inverno, que é a estação das chuvas. O momento certo é o primeiro terço da safra apícola.
Depois que o enxame chega
Revise a cada 7 a 10 dias, tanto para verificar a captura quanto para remover invasores — aranhas, escorpiões, sapos, cobras, lagartos, ratos, formigas e vespas atrapalham a aceitação da caixa por um novo enxame.
Capturado o enxame, espere de 3 a 7 dias para abrir. Esse tempo permite às operárias construir alguns favos e à rainha iniciar a postura. Abrir antes estressa a colônia e leva ao abandono da caixa.
Na primeira revisão:
- Centralize os quadros com favos construídos e com ovos ou larvas
- Substitua os quadros com tiras e os favos sem postura por lâminas inteiras de cera
- Leve o material de reposição junto — improvisar aqui gera favo defeituoso depois
Se o enxame se alojou em caixa de papelão ou núcleo, transfira para a caixa-padrão para permitir o manejo de safra.
Levar a caixa capturada para o apiário
O Sistema de Produção de Mel da Embrapa descreve dois acessórios que ajudam nessa etapa:
- Tela de transporte, encaixada no alvado ou no lugar da tampa: ventila a caixa durante a viagem sem deixar as abelhas saírem, porque a malha é menor que o tamanho delas.
- Redutor de alvado, uma peça de madeira que diminui a entrada. A Embrapa indica o uso em enxames fracos, na entressafra e no frio, porque a colônia pequena defende melhor uma entrada estreita contra o saque de outras abelhas.
E a boa notícia: enxames capturados cedo costumam ser mais populosos e mais produtivos, e podem render colheita ainda na mesma safra.
Um lembrete de segurança
A abelha do mel no Brasil é a africanizada, e ela é defensiva. Manejo exige equipamento de proteção completo e treinamento com prática acompanhada. Procure a associação de apicultores da sua região antes do primeiro manejo.
As medidas da colmeia-padrão estão em caixa de abelha e colmeia.
Captura de enxames10 caixas-isca de papelão para enxame
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Posso colocar mel ou açúcar na caixa-isca?
Não é recomendado, e o efeito é o contrário do esperado. Aromas adocicados como mel, rapadura ou açúcar não atraem as operárias batedoras, e sim pilhadoras e formigas. Se as batedoras encontram abelhas brigando pelo açúcar ou formigas ocupando o espaço, tendem a descartar o local como abrigo.
Que tamanho deve ter a caixa-isca?
Capacidade interna para no mínimo 3 a 5 quadros de ninho padronizados. O núcleo de cinco quadros dá excelentes resultados, economiza material e é mais fácil de transportar. Sempre com os quadros dentro, para que as abelhas não fixem os primeiros favos na tampa.
A que altura instalar a caixa-isca?
Acima de 1 metro do solo, em pontos elevados do terreno. No Cerrado e na Caatinga, enxames em cavidades naturais são encontrados entre 1,10 m e 3 m. Mas lembre que quanto mais alto, mais difícil revisar e retirar a caixa depois que o enxame se alojar.
Quando abrir a caixa depois de capturar o enxame?
Só de 3 a 7 dias depois. Esse tempo permite que as operárias construam alguns favos e a rainha inicie a postura. Abrir antes causa estresse por manejo e provável abandono da caixa pelo enxame.
Fontes
- Como capturar enxames com caixas-isca — Luis Fernando Wolff, Embrapa Clima Temperado, coleção ABC da Agricultura Familiar 23, Brasília, 2009 (o Langstroth é o modelo adotado pela Confederação Brasileira de Apicultura como padrão nacional; dimensões internas — ninho de 46,5 x 37,0 x 24,0 cm, melgueira de 46,5 x 37,0 x 14,5 cm, fundo de 60,0 x 41,0 x 2,0 cm, tampa de 51,0 x 44,0 cm, quadros de ninho de 48,1 a 42,9 cm de comprimento por 2,8 cm de largura e 23,3 cm de altura, quadros de melgueira com 13,8 cm de altura; caixa-isca deve comportar no mínimo de 3 a 5 quadros de ninho, sendo o núcleo de cinco quadros de excelente resultado; alvado de no máximo 10 cm², equivalente a 5 cm de largura num alvado de 2 cm de altura, com a variante de 1 cm de altura por 10 cm de largura para impedir invasores maiores; caixas de cor clara, amarelas ou brancas, são mais visitadas que as escuras, embora a pintura pese menos que os demais fatores; caixas de papelão registraram maior atratividade que as de madeira; tiras de cera alveolada de cerca de 3 cm de altura induzem a construção correta dos favos; aromas atrativos incluem cera alveolada nova, própolis, capim-limão, erva-cidreira e laranjeira, além do geraniol da glândula de Nasanov; mel, rapadura e açúcar NÃO atraem operárias batedoras, e sim pilhadoras e formigas, levando as batedoras a descartar o local; caixas em local arejado, seco, elevado e protegido de insolação excessiva, sendo o sombreamento permanente mais prejudicial que o excesso de sol, a mais de 1 metro do solo, com enxames em cavidades naturais do Cerrado e da Caatinga encontrados entre 1,10 m e 3 m; melhor época é o início da estação das flores — primavera no Sul e inverno chuvoso no Norte; revisão das caixas-isca a cada 7 a 10 dias, abrindo a caixa somente 3 a 7 dias após a captura para evitar abandono; quadros com tiras de cera devem ser substituídos por lâminas inteiras na primeira revisão, porque favos feitos só com tiras tendem a sair tortos, incompletos e com alvéolos de zangão)↗oficial
- ABC da Agricultura Familiar — Criação de abelhas (apicultura), Embrapa Meio-Norte (a espécie social com ferrão que produz mel é a abelha africanizada, Apis mellifera, muito comum em todo o País; os enxames se alojam em ocos de árvores, galhos, buracos no chão, pedras, cupinzeiros e telhados de residências)↗
- Sistema de Produção de Mel — Embrapa Meio-Norte, Sistemas de Produção 3, versão eletrônica (conteúdo de 2003) (Langstroth é o modelo indicado pela Confederação Brasileira de Apicultura como padrão; colmeia com tampa, sobrecaixa, ninho, fundo e quadros; espaço abelha de no mínimo 4,8 mm e no máximo 9,5 mm entre as partes; madeira de boa qualidade e bem seca, pintada só por fora com tinta clara, nunca por dentro; arame nº 22 ou 24, de preferência inox, esticado no quadro para sustentar a cera alveolada, fixada com carretilha ou incrustador elétrico; apiário a no mínimo 400 m de currais, casas, escolas e estradas movimentadas e a 3 km de engenhos, fábricas de doces e lixões; água limpa entre 100 e 500 m; colmeias em cavaletes individuais a 50 cm do solo e a no mínimo 2 m umas das outras, à sombra; revisão cerca de 15 dias após instalar enxame novo, a cada 15 dias nas melgueiras durante a florada e mensal na entressafra; trabalhar entre 8 e 11 h e 15 e 17h30, de preferência em dupla, com fumaça branca e fria; colher só quadros com no mínimo 90% dos alvéolos operculados, e não colher em dia chuvoso; legislação admite no máximo 20% de umidade no mel)↗oficial
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