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Caixa de abelha e colmeia: modelos, medidas e como escolher

Resposta rápida

O modelo Langstroth é o padrão nacional adotado pela Confederação Brasileira de Apicultura. As dimensões internas são: ninho de 46,5 x 37,0 x 24,0 cm, melgueira de 46,5 x 37,0 x 14,5 cm, fundo de 60,0 x 41,0 x 2,0 cm e tampa de 51,0 x 44,0 cm, com quadros de 42,9 a 48,1 cm de comprimento. Como caixa-isca, ela deve comportar de 3 a 5 quadros de ninho e ter alvado de no máximo 10 cm². Manter o padrão é o que permite trocar quadros entre colmeias, dividir enxames e comprar peças prontas.

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Existe um padrão nacional, e ele tem medidas

O modelo Langstroth é o adotado pela Confederação Brasileira de Apicultura como padrão nacional, e por isso é o mais usado em todo o País.

Isso importa mais do que parece: quadro fora do padrão não intercambia entre colmeias, não serve para dividir enxame, não encaixa em melgueira comprada pronta e complica qualquer manejo futuro. Comprar ou construir fora do padrão é economia que se cobra depois.

As dimensões internas:

Peça Comprimento Largura Altura
Ninho 46,5 cm 37,0 cm 24,0 cm
Melgueira 46,5 cm 37,0 cm 14,5 cm
Fundo 60,0 cm 41,0 cm 2,0 cm
Tampa 51,0 cm 44,0 cm
Quadro de ninho 42,9 a 48,1 cm 2,8 cm 23,3 cm
Quadro de melgueira 42,9 a 48,1 cm 2,8 cm 13,8 cm

Repare que ninho e melgueira têm a mesma planta — mudam só na altura. A melgueira é onde as abelhas armazenam o mel que será colhido; o ninho é onde a rainha põe.

A caixa-isca é uma colmeia com outra função

Caixa-isca é qualquer caixa com caixilhos padronizados, preparada e instalada em local estratégico para atrair e capturar enxames. É o método passivo de povoar colmeias — e, apesar das ressalvas quanto a qualidade genética e risco sanitário, é a técnica mais indicada para povoamento.

Capacidade: no mínimo de 3 a 5 quadros de ninho. O núcleo de cinco quadros dá excelentes resultados de captura, economiza material e é mais fácil de carregar.

Sempre com quadros dentro. Mesmo numa caixa de 10 quadros ou num núcleo, os quadros precisam estar lá — isso impede que fiquem soltos e evita que as abelhas fixem os primeiros favos na tampa.

O alvado deve ser pequeno. Entradas grandes dão menos segurança às abelhas. Em cavidades naturais ocupadas por africanizadas no clima tropical brasileiro, encontrou-se abertura média de 10 cm². A recomendação é usar no máximo isso — o que, num alvado de 2 cm de altura, dá 5 cm de largura. A variante de 1 cm de altura por 10 cm de largura é vantajosa porque impede a entrada de lagartos, sapos e ratos.

Material e cor. Madeira é o usual, mas há registro de que caixas de papelão se mostraram mais atrativas que as de madeira — nesse caso, revestidas externamente com plástico e com uma única abertura no alvado. Cores claras atraem mais: amarelo e branco foram mais visitados que verde-folha, azul-marinho e preto. Ainda assim, a pintura pesa menos que os demais fatores e aumenta o custo.

Muita gente coloca mel, rapadura ou açúcar dentro da caixa-isca. A Embrapa é direta:

Ao contrário do que se pensa, aromas adocicados como mel, rapadura ou açúcar não atraem abelhas operárias batedoras, mas abelhas operárias pilhadoras e formigas.

E o efeito é o oposto do pretendido: se as batedoras encontram outras abelhas brigando pelo açúcar, ou formigas tomando conta do espaço, tendem a descartar o local.

O que atrai de verdade:

  • Cera alveolada nova, sem adulteração, recém-processada — o aroma mais favorável de todos
  • Um quadro antigo com favo já construído no centro da caixa
  • Caixas antigas que já abrigaram enxames, raspadas por dentro
  • Própolis, bálsamos e resinas
  • Capim-limão, erva-cidreira e laranjeira, borrifados ou esfregados nas paredes internas
  • Geraniol, componente da glândula de Nasanov, aplicado sobre as lâminas de cera

Tiras de cera: como e por quê

As lâminas de cera alveolada são cortadas em tiras estreitas de cerca de 3 cm de altura e incrustadas horizontalmente nos quadros, com os arames ocultos. Elas guiam as abelhas a construir os favos na posição correta, seguindo a linha do cabeçalho do quadro, em vez de enviesados.

Mas há um limite importante para a economia: favos construídos apenas a partir de tiras tendem a sair tortos, incompletos e com alvéolos de zangão nas laterais inferiores. Em colônia já em produção, o uso inadequado de tiras diminui e retarda a produção de mel.

Por isso a regra prática: tiras servem para atrair e guiar na caixa-isca; na colmeia de produção, lâminas inteiras.

Onde colocar

  • Local arejado, seco, elevado e protegido de insolação excessiva
  • Atenção: sombreamento permanente é mais prejudicial ao enxame do que excesso de sol
  • Em pontos elevados do terreno — telhados, edificações, cavaletes, árvores, bordas de mata
  • Próximo às rotas de voo por onde os enxames costumam passar ano após ano
  • Protegido de vento excessivo e de formigas, aranhas, lagartos, sapos e vespas
  • Acima de 1 metro do solo. No Cerrado e na Caatinga, enxames em cavidades naturais são encontrados entre 1,10 m e 3 m

Com uma ressalva prática: quanto mais alto, mais difícil revisar e retirar a caixa depois de ocupada.

Quando espalhar

A melhor época é a estação das flores, na fase inicial — o período de enxameação, quando as colônias se dividem naturalmente.

  • Sul do Brasil: predominantemente a primavera
  • Norte: o inverno, que é a estação das chuvas

O momento propício é o primeiro terço da safra apícola.

Depois da captura

Revise a cada 7 a 10 dias — para verificar entrada de enxame e remover invasores, que atrapalham a aceitação da caixa por um novo enxame.

Capturado o enxame, só abra de 3 a 7 dias depois. Esse tempo permite que as operárias construam alguns favos e a rainha inicie a postura. Abrir antes causa estresse e provável abandono da caixa.

Na primeira revisão:

  1. Centralize os quadros com favos construídos e com ovos ou larvas
  2. Substitua os quadros com tiras de cera, e os favos ainda sem postura, por lâminas inteiras
  3. Tenha o material de reposição em mãos antes de abrir

Se o enxame se alojou em caixa de papelão ou em núcleo, transfira para a caixa-padrão — sem isso não há manejo de safra.

E vale a nota otimista: enxames capturados cedo costumam ser mais populosos e mais produtivos, e podem render colheita na mesma safra.

Se a intenção é abelha nativa

Este padrão é para Apis mellifera. Abelha-sem-ferrão usa outra caixa — modular, com ninho, sobreninho e melgueiras, no modelo INPA — e obedece a regras legais próprias, porque é fauna silvestre. Veja meliponicultura.

Por onde começar

  1. Adote o padrão Langstroth desde a primeira caixa.
  2. Monte núcleos de cinco quadros como caixas-isca — melhor custo e mobilidade.
  3. Alvado pequeno, no máximo 10 cm².
  4. Nada de açúcar ou mel dentro. Use cera nova, própolis e aromáticas.
  5. Espalhe no início da florada, acima de 1 metro, em ponto elevado e com sol.
  6. Revise a cada 7 a 10 dias, e não abra antes de 3 dias após a captura.

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