Neste artigo
- Por que a Langstroth é o padrão?
- O que é o espaço abelha?
- Quais são as partes e as medidas da colmeia Langstroth?
- Que madeira usar e como tratar a caixa?
- Que ferramentas são usadas para montar os quadros?
- Como montar os quadros passo a passo?
- Lâmina inteira ou tiras de cera?
- Como conservar colmeias e quadros?
- Vale mais comprar a colmeia pronta ou fazer?
- Quantos quadros vão em cada caixa?
- Erros comuns na montagem
- Quando montar os quadros?
- Onde instalar a colmeia montada?
A colmeia Langstroth é a caixa de abelha mais usada no Brasil. Por trás dela há uma descoberta de 1851 que mudou a apicultura: o espaço abelha. Entender esse conceito é o que separa uma colmeia que funciona de uma caixa que as abelhas colam inteira com própolis.
Este artigo junta as medidas da Embrapa Clima Temperado e as orientações de equipamento e montagem do Sistema de Produção de Mel da Embrapa Meio-Norte.
Por que a Langstroth é o padrão?
O Sistema de Produção de Mel registra que o modelo indicado pela Confederação Brasileira de Apicultura como padrão é o Langstroth, e recomenda que o apicultor padronize o apiário, sem misturar modelos.
O motivo é prático. Com todas as caixas no mesmo padrão:
- Quadros passam de uma colmeia para outra — para fortalecer enxames fracos ou dividir fortes.
- Melgueiras compradas prontas se encaixam.
- Centrífugas e equipamentos de extração recebem os quadros sem adaptação.
O que é o espaço abelha?
A Embrapa conta a história: em 1851, o reverendo Lorenzo Lorraine Langstroth observou que as abelhas depositavam própolis em qualquer espaço menor que cerca de 4,7 mm e construíam favos em espaços maiores que 9,5 mm. O intervalo entre essas duas medidas ele chamou de espaço abelha.
Na colmeia, o espaço abelha é a folga livre que deve existir:
- entre as laterais da caixa e os quadros;
- entre os quadros e o fundo;
- entre os quadros e a tampa;
- entre os quadros.
A Embrapa indica que esse espaço deve ter no mínimo 4,8 mm e no máximo 9,5 mm:
| Folga | O que as abelhas fazem |
|---|---|
| Menor que o espaço abelha | Impede o trânsito; elas vedam com própolis |
| Dentro do espaço abelha | Circulam livremente |
| Maior que o espaço abelha | Constroem favo ou vedam com própolis |
É por isso que a Embrapa afirma que, na construção das colmeias, o espaço abelha deve ser rigorosamente respeitado. Foi ele que permitiu os quadros móveis: retirados pelo topo e movidos lateralmente, como páginas de um livro, sem quebrar favos.
Quais são as partes e as medidas da colmeia Langstroth?
A Embrapa descreve a colmeia racional como composta de tampa, sobrecaixa (melgueira ou sobreninho), ninho, fundo e quadros, com o alvado como entrada das abelhas.
- Tampa — fecha a colmeia por cima
- Melgueira — sobrecaixa onde as abelhas guardam o mel para colheita
- Ninho — caixa de baixo, onde ficam a rainha e a cria
- Quadros (caixilhos) — molduras móveis onde as abelhas constroem os favos
- Fundo — base sobre a qual o ninho se apoia
- Alvado — entrada das abelhas, na frente, junto ao fundo
As dimensões internas, segundo a publicação da Embrapa Clima Temperado sobre caixas-isca:
| Peça | Comprimento | Largura | Altura |
|---|---|---|---|
| Ninho | 46,5 cm | 37,0 cm | 24,0 cm |
| Melgueira | 46,5 cm | 37,0 cm | 14,5 cm |
| Fundo | 60,0 cm | 41,0 cm | 2,0 cm |
| Tampa | 51,0 cm | 44,0 cm | — |
| Quadro de ninho | 42,9 a 48,1 cm | 2,8 cm | 23,3 cm |
| Quadro de melgueira | 42,9 a 48,1 cm | 2,8 cm | 13,8 cm |
Repare que ninho e melgueira têm a mesma planta e mudam só na altura. O ninho é onde a rainha põe; a melgueira é onde as abelhas guardam o mel que será colhido. Mais detalhes sobre modelos estão na biblioteca de caixas de abelha.
Acessórios da colmeia
O Sistema de Produção de Mel descreve acessórios usados no manejo:
- Tela excluidora — entre o ninho e a sobrecaixa, impede a rainha de subir para a melgueira de produção.
- Tela excluidora de alvado — encaixada na entrada, evita a saída da rainha na enxameação.
- Tela de transporte — permite ventilar a colmeia durante o transporte sem fuga das abelhas.
- Redutor de alvado — diminui a entrada em épocas frias e na entressafra, ajudando na termorregulação e na defesa contra saque.
Que madeira usar e como tratar a caixa?
A Embrapa recomenda:
- Madeira de boa qualidade, como cedro, aroeira ou pau-d’arco, para maior vida útil.
- Madeira bem seca, para evitar deformação depois de montada.
- Espessura livre, desde que se respeitem as medidas internas da caixa e as externas dos quadros.
- Pintura só por fora, com tinta látex de cor clara e boa qualidade.
- Nunca pintar por dentro.
Que ferramentas são usadas para montar os quadros?
O Sistema de Produção de Mel lista o material de preparo:
| Ferramenta | Função |
|---|---|
| Martelo e alicate | Manutenção das caixas e “aramar” os quadros |
| Arame nº 22 ou nº 24 | Sustentar a lâmina de cera alveolada; inox é mais resistente e durável |
| Esticador de arame | Suporte de metal onde o quadro é encaixado para tensionar o arame |
| Carretilha | Roda dentada que fixa a cera no arame |
| Incrustador elétrico | Fixa a cera aquecendo levemente o arame |
| Limpador de canaleta | Raspa a cera velha da canaleta do quadro |
Sobre o arame, a Embrapa dá o critério: deve permitir leve tensionamento sem romper, mas não ser grosso demais, o que dificultaria a fixação da cera.
Como montar os quadros passo a passo?
1. Limpe o quadro
Em quadros reaproveitados, raspe a cera velha da canaleta com o limpador de canaleta ou uma faca. A lâmina nova precisa encaixar sem obstáculo.
2. Passe o arame
Passe o arame pelos furos das laterais do quadro, formando fios paralelos. Use arame nº 22 ou 24, de preferência inox.
3. Estique
Encaixe o quadro no esticador e tensione o arame até ficar firme, sem romper. Alicates também funcionam, mas, segundo a Embrapa, sem a mesma eficiência e praticidade do esticador.
4. Posicione a cera alveolada
Encaixe a lâmina de cera alveolada na canaleta, apoiada sobre os fios.
5. Incruste a cera no arame
Passe a carretilha sobre os fios, pressionando a cera contra o arame, ou use o incrustador elétrico, que aquece o arame e derrete a cera em volta dele. A lâmina fica presa e não despenca com o peso do favo.
6. Confira o espaço abelha na caixa
Coloque os quadros no ninho ou na melgueira e confira as folgas. Quadro torto, caixa empenada ou tampa mal encaixada quebram o espaço abelha — e as abelhas respondem com própolis ou favo fora do lugar.
Lâmina inteira ou tiras de cera?
Depende do uso. Na caixa-isca, a Embrapa Clima Temperado indica tiras de cera alveolada de cerca de 3 cm para orientar a construção dos favos. Mas recomenda substituí-las por lâminas inteiras na primeira revisão: favos construídos só a partir de tiras tendem a sair tortos, incompletos e com alvéolos de zangão.
Na colmeia de produção, use lâminas inteiras. A captura com caixa-isca está detalhada em caixa-isca para capturar enxame.
Como conservar colmeias e quadros?
A colmeia bem montada dura anos se for bem conservada. O Sistema de Produção de Mel da Embrapa traz cuidados que valem especialmente para prevenir as traças-da-cera (Galleria mellonella e Achroia grisella), cujas larvas abrem galerias nos favos e atacam também a cera armazenada:
- Manter as colmeias fortes, porque as fracas são atacadas com mais facilidade.
- Reduzir o alvado na entressafra e no frio.
- Não deixar colmeias vazias nem restos de cera no apiário.
- Trocar periodicamente os quadros com cera velha.
- Armazenar favos e lâminas de cera em local arejado e claro, de preferência protegido com tela. A Embrapa observa que temperaturas abaixo de 7 °C também ajudam no controle.
A Embrapa não recomenda controle químico das traças, porque os produtos podem deixar resíduos na cera que passam para o mel.
Para a caixa em si: revise a pintura externa, troque peças empenadas e mantenha os cavaletes com proteção contra formigas e cupins.
Vale mais comprar a colmeia pronta ou fazer?
As duas opções funcionam, desde que o resultado respeite as medidas e o espaço abelha. A Embrapa registra que as caixas podem ser compradas ou feitas pelo próprio apicultor.
- Comprar pronta é mais rápido e reduz o risco de medida errada, mas vale conferir se o fornecedor segue o padrão Langstroth e se a madeira está seca.
- Fazer em casa compensa para quem tem marcenaria e madeira adequada, mas exige precisão: alguns milímetros fora do espaço abelha bastam para as abelhas colarem tudo com própolis.
Em qualquer caso, padronize. Misturar caixas de fornecedores diferentes é a forma mais comum de descobrir que os quadros não se encaixam.

- Fundo — base com o alvado, a entrada das abelhas
- Ninho — caixa onde ficam a rainha e a cria
- Quadro — moldura com o favo de cera
- Tela excluidora — opcional; impede a rainha de subir para a melgueira
- Melgueira — caixa onde as abelhas guardam o mel colhido
- Tampa interna (entretampa) — com furo central
- Tampa — cobertura externa, de preferência com chapa
Quantos quadros vão em cada caixa?
Depende do fornecedor e da largura interna da caixa, e por isso é mais seguro conferir com quem fabrica do que adotar um número genérico. O que não muda é o critério: os quadros precisam caber com o espaço abelha entre eles e entre eles e as laterais, sem folgas que levem as abelhas a construir favo fora dos quadros. Caixa com quadros faltando estimula favo irregular; caixa apertada demais esmaga abelhas no manejo.
Erros comuns na montagem
- Misturar modelos e medidas. Quadros de fornecedores diferentes podem não se encaixar.
- Usar madeira verde. Ela empena e abre frestas.
- Pintar por dentro. A Embrapa é explícita: não pintar o interior.
- Arame frouxo. A lâmina ondula e o favo sai torto.
- Ignorar o espaço abelha. É a regra que faz a Langstroth funcionar.
Quando montar os quadros?
Com antecedência. A melhor época para montar e aramar quadros é a entressafra, quando há pouco trabalho no apiário. Chegar ao início da florada com quadros prontos permite acrescentar melgueiras no momento em que a colônia precisa de espaço, sem atrasar a produção. Guarde os quadros montados em local arejado e protegido, como recomenda a Embrapa para favos e lâminas de cera, para evitar a traça-da-cera.
Onde instalar a colmeia montada?
A Embrapa recomenda cavaletes individuais, com colmeias a 50 cm do solo, no mínimo 2 metros entre elas, em área sombreada e longe de casas e estradas. O Sistema de Produção de Mel da Embrapa dá as distâncias que valem conferir antes de escolher o terreno:
| Referência | Distância recomendada |
|---|---|
| Currais, casas, escolas, estradas movimentadas, aviários | no mínimo 400 m |
| Engenhos, sorveterias, fábricas de doces, lixões, matadouros | no mínimo 3 km |
| Fonte de água para as abelhas | entre 100 m e 500 m |
A água não deve ficar colada às colmeias porque as abelhas liberam os dejetos fora da caixa e contaminariam a fonte; longe demais, gastam energia para buscá-la. O passo a passo completo do começo na atividade está em apicultura para iniciantes, e o equipamento de proteção em material de apicultura para iniciante.
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Quais são as medidas internas da colmeia Langstroth?
Segundo a Embrapa Clima Temperado, o ninho mede 46,5 x 37,0 x 24,0 cm e a melgueira 46,5 x 37,0 x 14,5 cm, com a mesma planta. O fundo tem 60,0 x 41,0 x 2,0 cm e a tampa 51,0 x 44,0 cm. Os quadros de ninho têm 23,3 cm de altura e os de melgueira, 13,8 cm.
O que é o espaço abelha?
É a folga livre entre as partes da colmeia, entre laterais e quadros, quadros e fundo, quadros e tampa e entre os quadros. A Embrapa indica de 4,8 a 9,5 mm. Menor, impede a passagem das abelhas; maior, elas vedam com própolis ou constroem favo.
Qual arame usar nos quadros?
A Embrapa indica arame nº 22 ou nº 24, de preferência de aço inox, mais resistente e durável. Ele deve aguentar um leve tensionamento sem romper, mas não ser grosso demais, o que dificultaria a fixação da cera alveolada.
Posso pintar a colmeia?
Por fora, sim. A Embrapa recomenda pintar a parte externa com tinta látex de cor clara e boa qualidade, o que ajuda na conservação. Por dentro, as colmeias não devem ser pintadas.
Qual madeira usar para fazer a colmeia?
A Embrapa recomenda madeira de boa qualidade, como cedro, aroeira ou pau-d'arco, bem seca para não deformar. A espessura da tábua pode variar, desde que as medidas internas da caixa e as externas dos quadros sejam respeitadas.
Posso usar tiras de cera em vez de lâmina inteira?
Na caixa-isca, tiras de cerca de 3 cm orientam a construção. Mas a Embrapa recomenda trocá-las por lâminas inteiras na primeira revisão, porque favos feitos só com tiras tendem a sair tortos, incompletos e com alvéolos de zangão.
Fontes
- Sistema de Produção de Mel — Embrapa Meio-Norte, Sistemas de Produção 3, versão eletrônica (conteúdo de 2003) (Langstroth é o modelo indicado pela Confederação Brasileira de Apicultura como padrão; colmeia com tampa, sobrecaixa, ninho, fundo e quadros; espaço abelha de no mínimo 4,8 mm e no máximo 9,5 mm entre as partes; madeira de boa qualidade e bem seca, pintada só por fora com tinta clara, nunca por dentro; arame nº 22 ou 24, de preferência inox, esticado no quadro para sustentar a cera alveolada, fixada com carretilha ou incrustador elétrico; apiário a no mínimo 400 m de currais, casas, escolas e estradas movimentadas e a 3 km de engenhos, fábricas de doces e lixões; água limpa entre 100 e 500 m; colmeias em cavaletes individuais a 50 cm do solo e a no mínimo 2 m umas das outras, à sombra; revisão cerca de 15 dias após instalar enxame novo, a cada 15 dias nas melgueiras durante a florada e mensal na entressafra; trabalhar entre 8 e 11 h e 15 e 17h30, de preferência em dupla, com fumaça branca e fria; colher só quadros com no mínimo 90% dos alvéolos operculados, e não colher em dia chuvoso; legislação admite no máximo 20% de umidade no mel)↗oficial
- Como capturar enxames com caixas-isca — Luis Fernando Wolff, Embrapa Clima Temperado, coleção ABC da Agricultura Familiar 23, Brasília, 2009 (o Langstroth é o modelo adotado pela Confederação Brasileira de Apicultura como padrão nacional; dimensões internas — ninho de 46,5 x 37,0 x 24,0 cm, melgueira de 46,5 x 37,0 x 14,5 cm, fundo de 60,0 x 41,0 x 2,0 cm, tampa de 51,0 x 44,0 cm, quadros de ninho de 48,1 a 42,9 cm de comprimento por 2,8 cm de largura e 23,3 cm de altura, quadros de melgueira com 13,8 cm de altura; caixa-isca deve comportar no mínimo de 3 a 5 quadros de ninho, sendo o núcleo de cinco quadros de excelente resultado; alvado de no máximo 10 cm², equivalente a 5 cm de largura num alvado de 2 cm de altura, com a variante de 1 cm de altura por 10 cm de largura para impedir invasores maiores; caixas de cor clara, amarelas ou brancas, são mais visitadas que as escuras, embora a pintura pese menos que os demais fatores; caixas de papelão registraram maior atratividade que as de madeira; tiras de cera alveolada de cerca de 3 cm de altura induzem a construção correta dos favos; aromas atrativos incluem cera alveolada nova, própolis, capim-limão, erva-cidreira e laranjeira, além do geraniol da glândula de Nasanov; mel, rapadura e açúcar NÃO atraem operárias batedoras, e sim pilhadoras e formigas, levando as batedoras a descartar o local; caixas em local arejado, seco, elevado e protegido de insolação excessiva, sendo o sombreamento permanente mais prejudicial que o excesso de sol, a mais de 1 metro do solo, com enxames em cavidades naturais do Cerrado e da Caatinga encontrados entre 1,10 m e 3 m; melhor época é o início da estação das flores — primavera no Sul e inverno chuvoso no Norte; revisão das caixas-isca a cada 7 a 10 dias, abrindo a caixa somente 3 a 7 dias após a captura para evitar abandono; quadros com tiras de cera devem ser substituídos por lâminas inteiras na primeira revisão, porque favos feitos só com tiras tendem a sair tortos, incompletos e com alvéolos de zangão)↗oficial
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