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Guppy: cuidados, aquário e reprodução do lebiste

Resposta rápida

O guppy (Poecilia reticulata), também chamado de lebiste, é um peixe vivíparo: a fêmea é fecundada internamente pelo gonopódio do macho e dá à luz filhotes já formados. Ele vive bem em aquário tropical ciclado, com filtro, aquecedor e trocas parciais regulares. A reprodução é fácil, e a fêmea pode carregar esperma de vários machos. Os adultos, inclusive os pais, comem os filhotes, por isso plantas densas ou um aquário separado são necessários para criá-los.

Guppies machos e fêmeas coloridos entre plantas, com um filhote perto das flutuantes
O guppy é vivíparo: os filhotes nascem formados e precisam de esconderijo dos adultos.
Neste artigo
  1. Que tipo de peixe é o guppy?
  2. Como montar o aquário do guppy?
  3. Como diferenciar macho e fêmea?
  4. Quantos machos para quantas fêmeas?
  5. Como é a reprodução do guppy?
  6. Como salvar os filhotes de guppy?
  7. O que os filhotes comem?
  8. O que os adultos comem?
  9. O que fazer com tantos filhotes?
  10. Quais doenças são mais comuns no guppy?
  11. Guppy convive com outros peixes?
  12. Como montar um aquário para os filhotes?
  13. Como escolher guppies saudáveis na loja?
  14. O guppy pode viver com outros vivíparos?
  15. Por que o guppy da loja às vezes morre nos primeiros dias?
  16. Guppy precisa de companhia?
  17. Rotina de manutenção

O guppy é um dos peixes mais recomendados para iniciantes, e com razão: é colorido, ativo, pacífico e resistente quando a água está boa. Ele tem uma característica que surpreende quem começa: reproduz com uma facilidade enorme. Entender isso antes de comprar evita um aquário superlotado em poucos meses.

No Brasil, o guppy também é chamado de lebiste ou barrigudinho.

Que tipo de peixe é o guppy?

Guppy macho colorido e fêmea maior e acinzentada em aquário
Ilustração: guppy macho (colorido) e fêmea (maior e acinzentada)

O guppy pertence à família Poeciliidae, a dos peixes vivíparos. Segundo a publicação Circular 54 da Universidade da Flórida, guppies e molinésias estão no gênero Poecilia, enquanto platys e espadinhas estão em Xiphophorus. São todos peixes pequenos, com menos de 14 cm.

O que define o grupo é a reprodução:

  • O macho tem gonopódio, uma nadadeira anal modificada que fecunda a fêmea internamente.
  • A fêmea gesta os ovos dentro do corpo.
  • Os filhotes nascem vivos e formados — o Merck Veterinary Manual explica que os ovos são fecundados e eclodem dentro da fêmea.
  • O acasalamento é promíscuo, e a fêmea pode carregar esperma de vários machos.

Como montar o aquário do guppy?

O guppy é tropical e precisa de um aquário completo e ciclado:

Item Por quê
Filtro Abriga as bactérias que transformam amônia em nitrato
Aquecedor com termostato O Merck indica água perto de 25 °C para peixes tropicais
Termômetro separado Para conferir o aquecedor
Tampa Reduz evaporação e evita saltos
Plantas densas Esconderijo para fêmeas e filhotes
Desclorificante Cloro e cloramina são tóxicos

Filtro de esponja ou filtro com a entrada protegida por esponja evita que os filhotes sejam sugados. Os tipos estão comparados em filtro para aquário.

Antes de colocar os peixes, faça a ciclagem: o Merck estima de 4 a 6 semanas para as bactérias do filtro se estabelecerem. O passo a passo está em ciclagem de aquário.

Como diferenciar macho e fêmea?

  • Macho: menor, mais colorido, cauda e dorsal grandes e vistosas, gonopódio visível na barriga, apontando para trás.
  • Fêmea: maior e mais robusta, cores geralmente mais discretas, nadadeira anal em forma de leque. Quando grávida, a barriga fica arredondada.

Quantos machos para quantas fêmeas?

Os machos perseguem as fêmeas o tempo todo. No hobby, a prática comum é manter mais fêmeas do que machos, para que a atenção dos machos se divida e nenhuma fêmea fique sobrecarregada. Outra opção é manter só machos, o que evita a reprodução e mantém as cores mais vistosas no aquário.

Como é a reprodução do guppy?

A reprodução acontece sozinha, sem nenhuma intervenção, desde que haja macho e fêmea adultos e água em boas condições. Alguns pontos práticos:

  • Uma fêmea pode dar cria mesmo sem macho no aquário, por carregar esperma armazenado. A UF/IFAS registra que a fêmea pode carregar esperma de vários machos — por isso a fêmea comprada sozinha às vezes surpreende.
  • A fêmea perto de parir fica com a barriga grande e mais quadrada, e tende a se esconder.
  • Os filhotes nascem prontos para nadar e comer.

As fontes técnicas consultadas não fixam tempo de gestação nem número de filhotes por parto, que variam com a fêmea e com as condições do aquário.

Como salvar os filhotes de guppy?

O Merck é direto: os filhotes de vivíparos devem ser separados dos adultos, porque os adultos, inclusive os pais, tendem a comê-los. As estratégias mais usadas:

  1. Plantas densas no aquário principal. Musgos e plantas flutuantes dão esconderijo, e parte dos filhotes sobrevive. É o método mais simples, com sobrevivência menor.
  2. Aquário separado para filhotes. Pequeno, ciclado, com filtro de esponja. Os filhotes são transferidos logo após o nascimento.
  3. Maternidade (parideira) dentro do aquário. A fêmea fica isolada até parir e volta ao aquário principal logo depois. Deixe a fêmea o menor tempo possível ali, porque o confinamento estressa.

Se usar aquário separado, ele também precisa estar ciclado. Um aquário de quarentena maduro serve.

O que os filhotes comem?

O Merck indica alimento vivo ou congelado bem pequeno e ração em flocos triturada para filhotes de vivíparos. Na prática:

  • Ração em pó ou flocos esmigalhados, várias vezes ao dia, em pequenas porções.
  • Retire sobras, porque o aquário dos filhotes é pequeno e suja rápido.
  • Mantenha as trocas parciais, com água desclorificada na mesma temperatura.

O que os adultos comem?

Ração de boa qualidade para peixes tropicais, em pequenas porções, uma ou duas vezes ao dia. O Merck recomenda alimentar diariamente e retirar a comida que sobrar, e lembra que alimento vivo pode introduzir parasitas. Ração seca deve ser usada em até cerca de 2 meses após comprada.

O que fazer com tantos filhotes?

Esta é a pergunta que todo criador de guppy acaba fazendo. As opções responsáveis:

  • Manter só machos desde o início, se não quiser reprodução.
  • Separar machos e fêmeas em aquários diferentes.
  • Doar ou trocar com outros aquaristas ou lojas que aceitem.
  • Planejar o espaço antes que a lotação estoure — veja quantos peixes por litro.

Nunca solte guppies em rios, lagos ou valas. Peixes de aquário soltos na natureza podem se estabelecer e competir com espécies nativas.

Quais doenças são mais comuns no guppy?

As mesmas da maioria dos peixes tropicais, quase sempre ligadas à qualidade da água ou a peixes novos sem quarentena. O Merck lista entre os sinais de doença:

  • Peixe parado, com nadadeiras fechadas junto ao corpo
  • Falta de apetite
  • Pontos brancos no corpo e nas nadadeiras
  • Nadadeiras desfiadas
  • Crescimentos felpudos
  • Barriga inchada ou escamas eriçadas

Os pontos brancos são o sinal clássico do ictio, explicado em doenças comuns em peixes de aquário. Como guppies são frequentemente comprados em grupo, a quarentena de 30 a 60 dias, recomendada pelo Merck para peixes valiosos, protege o aquário principal.

Guppy convive com outros peixes?

Em geral, sim. É pacífico e convive com outros peixes pequenos e calmos. Cuidados:

  • Evite peixes que mordiscam nadadeiras, que atacam as caudas longas dos machos.
  • Evite peixes grandes, que comem guppies adultos, além dos filhotes.
  • Com betta, a convivência é arriscada: o betta pode ver as caudas coloridas dos machos como rivais, e os guppies podem mordiscar o betta. Veja peixe betta: cuidados.

Como montar um aquário para os filhotes?

Se você quer criar os filhotes, um aquário separado faz muita diferença:

  1. Aquário pequeno, ciclado. Use uma esponja madura de outro filtro para acelerar.
  2. Filtro de esponja, que não suga filhotes e tem vazão suave.
  3. Aquecedor e termômetro, mantendo a mesma temperatura do aquário principal.
  4. Plantas e musgos, que abrigam microrganismos que os filhotes beliscam.
  5. Trocas parciais pequenas e frequentes, porque a alimentação várias vezes ao dia suja a água rápido.

Os filhotes podem voltar ao aquário principal quando estiverem grandes demais para caber na boca dos adultos.

Como escolher guppies saudáveis na loja?

O Merck Veterinary Manual lista o que observar em qualquer peixe:

  • Escamas, nadadeiras e pele íntegras, sem sangue nem bordas desfiadas.
  • Olhos brilhantes.
  • Natação normal e estável.
  • Aquário da loja limpo, com os outros peixes saudáveis.

No guppy, olhe com atenção a cauda dos machos: caudas grudadas, fechadas ou com pontos brancos são sinal de alerta. Se um peixe do aquário da loja está doente, os outros do mesmo aquário provavelmente foram expostos. Mesmo comprando peixes que parecem saudáveis, a quarentena é a proteção do seu aquário.

O guppy pode viver com outros vivíparos?

Pode. A Universidade da Flórida agrupa na mesma família, Poeciliidae, os guppies e as molinésias, do gênero Poecilia, e os platys e as espadinhas, do gênero Xiphophorus. O Merck acrescenta que, entre os vivíparos de água doce, estão também cerca de 20 espécies de halfbeaks asiáticos.

Esses peixes compartilham a forma de reprodução e muitas necessidades, e é comum mantê-los juntos em aquários comunitários. Três cuidados:

  1. Confira o tamanho adulto de cada espécie. Molinésias e espadinhas ficam maiores que o guppy.
  2. Conte todos os filhotes. Com vários vivíparos juntos, a população cresce ainda mais rápido.
  3. Observe o comportamento. Machos de espadinha podem ser mais insistentes com as fêmeas e com outros peixes.

A lotação total deve seguir a conta da superfície, explicada em quantos peixes por litro.

Por que o guppy da loja às vezes morre nos primeiros dias?

Na maioria das vezes, por uma combinação de estresse do transporte, aquário ainda não ciclado e mudança brusca de água. Três cuidados reduzem muito as perdas: aquário ciclado antes da compra, aclimatação com o saco boiando por 20 a 30 minutos, como orienta o Merck, e sem despejar a água do saco no aquário. Peixes que chegam ao mesmo tempo em grande número também sobrecarregam o filtro, por isso vale comprar poucos de cada vez.

Guppy precisa de companhia?

Sim. É um peixe ativo e social, que vive melhor em grupo do que sozinho. Um pequeno grupo, com a proporção de machos e fêmeas pensada como explicado acima, ou só de machos, mostra mais o comportamento natural da espécie. O tamanho do grupo deve caber na conta de superfície do aquário.

Rotina de manutenção

  • Diária: alimentar pouco, retirar sobras, conferir temperatura e comportamento.
  • Semanal: repor água evaporada.
  • A cada 2 semanas: testar amônia, nitrito, nitrato e pH; troca parcial de água, como recomenda o Merck.

Para montar o primeiro aquário, veja aquário para iniciantes: o que comprar, e um ambiente que favorece os filhotes em aquário plantado para iniciantes. O panorama do hobby está na biblioteca de aquarismo.

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Perguntas frequentes

Como saber se o guppy é macho ou fêmea?

O macho tem o gonopódio, a nadadeira anal modificada em forma de bastão que usa para fecundar a fêmea, como descreve a Universidade da Flórida. Em geral é menor e mais colorido, com cauda vistosa. A fêmea é maior, com nadadeira anal em leque.

Por que meus guppies somem depois de nascer?

Porque são comidos. O Merck Veterinary Manual alerta que os adultos, inclusive os pais, tendem a comer os filhotes. Plantas densas, flutuantes e musgos dão esconderijo, e um aquário separado para os filhotes aumenta muito a sobrevivência.

A fêmea de guppy pode ter filhotes sem macho?

Pode parecer que sim. A Universidade da Flórida registra que a fêmea pode carregar esperma de vários machos, por isso uma fêmea comprada sozinha às vezes dá cria depois, mesmo sem macho no aquário.

O que dar de comer aos filhotes de guppy?

O Merck indica alimento vivo ou congelado bem pequeno e ração em flocos triturada para filhotes de vivíparos. Ofereça porções pequenas várias vezes e retire sobras para não sujar a água do aquário dos filhotes.

Quantos guppies posso ter no aquário?

Depende da superfície da água. O Merck usa como referência cerca de 2,5 cm de peixe adulto (1 polegada) para cada 77 cm² de superfície (12 pol²), ou seja, uns 30 cm² por centímetro, em água doce. Como os guppies se reproduzem rápido, planeje espaço para os filhotes ou um destino para eles.

Guppy precisa de aquecedor?

Na maior parte do Brasil, sim, porque é peixe tropical. O Merck Veterinary Manual indica água perto de 25 °C para espécies tropicais e aquecedor para peixes tropicais de água doce. Use termômetro separado para conferir.

Fontes

  1. Freshwater Ornamental Fish Commonly Cultured in Florida — Jeffrey E. Hill e Roy P. E. Yanong, UF/IFAS EDIS Circular 54/FA054 (vivíparos da família Poeciliidae: guppy e molinésia no gênero Poecilia, platy e espadinha em Xiphophorus; machos têm gonopódio, nadadeira anal modificada para fecundação interna; fêmeas gestam os ovos e os filhotes nascem vivos; acasalamento promíscuo, e a fêmea pode carregar esperma de vários machos; kinguio, Carassius auratus, é espécie de clima temperado)↗
  2. Breeding and Reproduction of Fish — Merck Veterinary Manual, versão para tutores (nos vivíparos como guppy, molinésia, platy e espadinha, os ovos são fecundados e eclodem dentro da fêmea, que dá à luz filhotes formados; os filhotes devem ser separados porque os adultos, inclusive os pais, tendem a comê-los; filhotes comem alimento vivo ou congelado pequeno e ração em flocos triturada; betta listado como construtor de ninho de bolhas)↗
  3. Providing a Home for Fish — Merck Veterinary Manual, versão para tutores (galão de água pesa 3,8 kg; aquário longe do sol direto; filtros de fundo usam o cascalho como meio com bactérias nitrificantes; filtros externos de pendurar usam perlon, carvão ativado e mídia biológica; aquecedor para peixes tropicais de água doce e marinhos, ligado só com o aquário cheio; termômetro separado; ciclo dia/noite, sem luz 24 horas; aquários pequenos sem filtro, como de betta e kinguio, pedem trocas maiores, talvez de até 50% por semana; cerca de 1 lb de cascalho por galão; cloro e cloramina da água tratada são tóxicos e exigem desclorificante; salinidade marinha de 30 a 33 partes por mil; bactérias benéficas se desenvolvem sozinhas em 4 a 6 semanas; densidade em água doce de cerca de 1 cm de peixe para 36 cm² de superfície, menor em água fria; em água salgada cerca de 1 cm de peixe para 8 litros; adicionar 1 ou talvez 2 peixes por vez; boiar o saco por 20 a 30 minutos e nunca despejar a água do saco; ração de manutenção de 1% a 2% do peso vivo por dia; ração seca usada em até cerca de 2 meses)↗
Ver todas as fontes (5)
  1. Routine Health Care of Fish — Merck Veterinary Manual, versão para tutores (testar pH, alcalinidade total, amônia, nitrito e nitrato e checar a vazão do filtro a cada 2 semanas; trocar água a cada 2 semanas conforme a lotação e repor a evaporação semanalmente; desclorificar a água nova; alimentar diariamente e retirar sobras; sinais de doença incluem apatia, falta de apetite, respiração alterada, perda de cor, manchas, úlceras, perda ou eriçamento de escamas, inchaço, natação anormal e crescimentos felpudos; quarentena de pelo menos 30 a 60 dias, reiniciada se outro peixe entrar)↗
  2. Disorders and Diseases of Fish — Merck Veterinary Manual, versão para tutores (síndrome do aquário novo surge em 1 a 3 semanas após a montagem, quando os peixes entram antes de o filtro biológico funcionar; com amônia total de 2 mg/L ou mais, trocar ao menos 50% da água; a amônia cai e o nitrito sobe até também normalizar; síndrome do aquário velho por queda brusca de pH, muitas vezes abaixo de 6,0; doença das bolhas de gás por água supersaturada; ictio causado por Ichthyophthirius multifiliis em água doce e Cryptocaryon irritans em água salgada, com pontos brancos que são cistos na pele e brânquias, tratado com sulfato de cobre ou formalina em intervalos conforme a temperatura, com orientação de profissional de saúde de peixes; recomenda quarentena de peixes novos ou doentes)↗

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