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Caixa de abelha jataí: como funciona o modelo INPA

Resposta rápida

A caixa mais usada para jataí é o modelo INPA, uma colmeia modular com fundo, ninho, sobreninho, melgueira e tampa. O ninho abriga a cria, o sobreninho dá espaço para a colônia crescer e a melgueira guarda o mel, que pode ser colhido sem destruir o ninho. Escolha caixa de madeira grossa, bem encaixada e com medidas para jataí. Antes de comprar, saiba que a Resolução CONAMA 496/2020, que revogou a 346/2004, regula a obtenção e o comércio de colônias de abelhas nativas.

Meliponicultor abre caixa INPA de madeira com módulos e discos de cria de abelhas jataí.
Caixa INPA organiza ninho, sobreninho e melgueira na criação racional de jataís.
Neste artigo
  1. As partes da caixa INPA
  2. Como escolher
  3. Onde instalar
  4. O que diz a lei
  5. Como transferir a colônia para a caixa INPA
  6. Como fazer a divisão usando o sobreninho
  7. Distâncias e local do meliponário
  8. Alimentação e inimigos
  9. O mel da jataí
  10. Cuidados com a caixa ao longo do tempo

As partes da caixa INPA

A Embrapa descreve a colmeia modulável modelo INPA com cinco partes:

Parte Para que serve
Fundo Base da caixa
Ninho Onde ficam os discos de cria e a rainha
Sobreninho Espaço para a colônia crescer e para fazer a divisão
Melgueira Onde as abelhas guardam o mel nos potes
Tampa Fecha e protege da chuva e do sol

Por ser modular, a caixa permite colher o mel e dividir a colônia sem quebrar o ninho, o que não acontece com cortiço ou tronco.

Como escolher

  1. Medidas para jataí. Jataí é uma abelha pequena; caixa grande demais deixa a colônia fraca.
  2. Madeira grossa e encaixe justo, que protegem do frio e de inimigos como forídeos e formigas.
  3. Melgueiras. A caixa da lista abaixo vem com 2 melgueiras.
  4. Uma ou mais caixas. Quem já tem uma colônia forte e quer dividir precisa de caixa extra; o kit abaixo traz 2 caixas.

Onde instalar

A mesma publicação da Embrapa recomenda cavaletes individuais a cerca de 0,5 metro do chão, em local sombreado e próximo de água, e revisão das colônias a cada 30 dias. Também indica colher o mel só de potes já fechados, com seringa ou bomba de sucção.

O que diz a lei

A Resolução CONAMA 496/2020 disciplina a meliponicultura e revogou a antiga Resolução 346/2004. Em resumo:

  • Meliponário autorizado só vende colônias que sejam resultado da multiplicação das suas matrizes.
  • Uso e manejo sem exploração econômica de até 49 colônias é dispensado de autorização ambiental.
  • A criação é restrita à região de ocorrência natural da espécie; fora dela, só com autorização do órgão ambiental, segundo análise de risco.

Detalhes em criar abelha sem ferrão é legalizado? e, para conseguir a colônia, em caixa-isca para capturar enxame. Para o panorama completo, veja a biblioteca de meliponicultura.

Como transferir a colônia para a caixa INPA

Quem captura jataí em ninho-isca precisa transferir a colônia para a caixa. A Embrapa orienta esperar cerca de 30 dias após a captura antes da transferência, para a colônia se firmar. Os passos gerais:

  1. Prepare a caixa limpa e seca, com as partes bem encaixadas e a tampa à mão.
  2. Escolha um dia de tempo bom, sem chuva e sem frio, quando a colônia está mais ativa.
  3. Leve a caixa para perto do ninho-isca e coloque-a no mesmo lugar onde ficava a isca, para as campeiras acharem a entrada.
  4. Abra o ninho-isca com cuidado e passe os discos de cria para o ninho da caixa, sem virar e sem apertar.
  5. Transfira os potes de alimento que estiverem inteiros. Potes rompidos atraem inimigos.
  6. Procure a rainha entre os discos; ela precisa ir para a caixa.
  7. Feche bem a caixa e vede frestas, deixando só a entrada.
  8. Deixe o ninho-isca vazio por perto por alguns dias, para as abelhas que ficaram de fora migrarem.
  9. Limpe resíduos de mel e cera ao redor, que atraem forídeos e formigas.

Se você nunca fez uma transferência, o ideal é acompanhar um meliponicultor experiente antes.

Como fazer a divisão usando o sobreninho

O sobreninho é a parte que permite multiplicar colônias sem destruir o ninho. De forma geral, a divisão é feita quando a colônia está forte, com o ninho e o sobreninho ocupados por discos de cria. Parte desses discos vai para uma caixa nova, e cada caixa precisa de condições para manter ou criar uma rainha. Por isso o kit com duas caixas é útil para quem já tem uma colônia forte. Pela CONAMA 496/2020, colônias vendidas por meliponário autorizado devem ser resultado da multiplicação das suas matrizes.

Distâncias e local do meliponário

A publicação da Embrapa traz cuidados de localização que valem para a jataí:

  • Distância entre caixas de cerca de 0,5 metro para abelhas pequenas, como a jataí.
  • Afastamento de engenhos, fábricas de doces e refrigerantes, estradas e criação animal, com referência de 1.500 metros.
  • Uma espécie por meliponário, porque colônias fortes podem invadir as fracas.
  • Sombra e água por perto, como já dito.

Não é sempre possível seguir todos os afastamentos num quintal. Use-os como referência e evite pelo menos os problemas mais óbvios, como caixa ao lado de lixo, de fábrica de doce ou de outro meliponário.

Alimentação e inimigos

Em épocas de pouca florada, a Embrapa indica xarope de água e açúcar a 50%, fornecido em quantidade que a colônia consuma em até 24 horas. Sobra de xarope atrai formigas e outros inimigos.

Os principais inimigos são forídeos, formigas e a mosca Hermetia illucens, cujas fêmeas podem depositar até 400 ovos. Caixa bem encaixada, revisão periódica e limpeza ao redor ajudam a evitar o problema.

O mel da jataí

A jataí é uma abelha pequena, e a Embrapa observa que, em geral, quanto menor a abelha e o ninho, menor a produção de mel. A jataí entra na lista das espécies indicadas para produção, mas não espere grandes volumes. O mel das abelhas sem ferrão tem naturalmente teor elevado de água, o que pode levar à fermentação, por isso a colheita deve ser feita só de potes fechados e com higiene.

Cuidados com a caixa ao longo do tempo

  • Revise a madeira e a vedação nas revisões mensais.
  • Proteja a tampa da chuva, com telhado ou cobertura sobre o cavalete.
  • Não pinte por dentro; se for proteger a madeira, faça só na face externa e deixe secar bem antes de usar.
  • Troque peças empenadas, que abrem fresta para inimigos.

As opções abaixo cobrem a primeira caixa, a divisão e um curso de manejo.

Guia em PDF de 29 páginas: espécies, CONAMA 496/2020, caixa INPA, caixa-isca, divisão, inimigos e conservação do mel.Guia · R$ 24,9Guia de Meliponicultura: caixa INPA e jataíCaixa em módulos sobrepostos no modelo INPA, feita para abelhas sem ferrão. Facilita a divisão da colônia e a colheita do mel.Colônia de jataíCaixa racional modelo INPA para jataíCaixa racional modelo INPA, com ninho e duas melgueiras, que permite colher o mel sem destruir o ninho. É o modelo mais usado para jataí.Começar na meliponiculturaCaixa para abelhas jataí modelo INPA com 2 melgueirasGuia em PDF de 29 páginas: espécies, CONAMA 496/2020, caixa INPA, caixa-isca, divisão, inimigos e conservação do mel.Guia · R$ 24,9Guia de Meliponicultura: caixa INPA e jataíGuia em PDF de 29 páginas: espécies, CONAMA 496/2020, caixa INPA, caixa-isca, divisão, inimigos e conservação do mel.Comprar agora →Duas caixas com melgueiras para quem já tem uma colônia e quer fazer a divisão, ou começar com mais de uma.Dividir ou ampliar o meliponárioKit com 2 caixas para abelha jataí, iraí e mirimDuas caixas com melgueiras para quem já tem uma colônia e quer fazer a divisão, ou começar com mais de uma.Comprar agora →

Perguntas frequentes

A caixa já vem com as abelhas?

Não. A caixa é vendida vazia. A colônia vem de ninho-isca, de divisão ou de criador, e a CONAMA 496/2020 só permite que meliponário autorizado venda colônias resultantes da multiplicação das suas matrizes.

Preciso de autorização para criar jataí?

A CONAMA 496/2020 dispensa de autorização ambiental o uso e manejo sem exploração econômica de até 49 colônias, e a criação é restrita à região de ocorrência natural da espécie. Venda tem regras próprias; confira com o órgão ambiental.

Para que servem duas melgueiras?

Dão mais espaço para a colônia estocar mel. Com duas, dá para colher uma enquanto a outra continua em uso, sem mexer no ninho onde fica a cria.

Fontes

  1. Sistema de Criação de abelhas-sem-ferrão — Embrapa (as abelhas-sem-ferrão pertencem à tribo Meliponina, Hymenoptera, Apidae, com 52 gêneros e mais de 300 espécies; polinizam 30% das espécies da Caatinga e do Pantanal e até 90% das da Mata Atlântica; espécies mais indicadas para produção de mel: uruçu, tiúba, jandaíra, uruçu-cinzenta, mandaçaia e jataí, com tabela de ocorrência por estado; em geral, quanto menor a abelha e o ninho, menor a produção de mel; obtenção de enxames por ninhos-isca, aquisição de produtor cadastrado ou divisão, conforme a Resolução CONAMA 346/2004; ninho-isca de garrafa PET ou embalagem cartonada coberta com plástico preto, com banho interno de álcool, própolis e cerume, instalado a 0,5 a 1,5 metro de altura em local sombreado e próximo de água, aguardando cerca de 30 dias após a captura para transferir; meliponário a 1.500 metros de engenhos, fábricas de doces e refrigerantes, estradas e criação animal, e a 1.500 metros de outros meliponários, considerando raio de voo de 120 m a 2.500 m conforme a espécie; recomenda-se meliponário de uma única espécie, porque colônias fortes invadem as fracas; colmeias moduláveis com tampa, melgueira, sobreninho, ninho e fundo, modelo INPA, em cavaletes individuais a cerca de 0,5 metro do chão, com distância entre caixas de 0,5 metro para abelhas pequenas até 3,0 metros para abelhas grandes; revisão das colônias a cada 30 dias; alimentação com xarope de água e açúcar a 50%, fornecido em quantidade consumida em até 24 horas; inimigos naturais principais são forídeos, formigas e a mosca Hermetia illucens, cujas fêmeas depositam até 400 ovos; colheita do mel com bomba de sucção ou seringa, apenas de potes já fechados, sendo desaconselhado furar os potes e deixar escorrer pela caixa; o mel desse grupo tem naturalmente teor elevado de água, o que pode levar à fermentação; alguns estados, como o Mato Grosso do Sul, têm leis que proíbem a introdução de espécies que não ocorrem naturalmente no estado)↗oficial
  2. Resolução CONAMA nº 496, de 19 de agosto de 2020, publicada no DOU de 20 de agosto de 2020 (edição 160, seção 1, p. 91) — disciplina o uso e o manejo sustentáveis das abelhas-nativas-sem-ferrão em meliponicultura (art. 3º: uso e manejo dependem de ato autorizativo do órgão ambiental competente, com relação das espécies, localização do meliponário, CPF ou CNPJ e origem do plantel inicial; após autorização, inscrição no Cadastro Técnico Federal; §3º dispensa de autorização ambiental o uso e manejo sem exploração econômica de até 49 colônias; §4º permite troca ou permuta de colônias sem finalidade comercial entre produtores de até 49 colônias dentro do mesmo bioma; art. 4º dispensa de autorização o comércio de produtos e subprodutos (mel, própolis, pólen, cera etc.), exceto partes da colônia ou espécimes; art. 5º permite ao meliponário autorizado comercializar colônias ou partes delas desde que resultantes da multiplicação de suas matrizes; art. 6º prevê obtenção de matrizes por recipiente-isca, compra de meliponário autorizado, depósito pelo órgão ambiental ou resgate, dispensando autorização para recipientes-isca de criatórios com até 49 colônias sem fins comerciais; art. 7º restringe a criação à região geográfica de ocorrência natural da espécie, conforme catálogo do ICMBio, podendo o órgão ambiental autorizar criação fora dela segundo análise de risco; art. 14 revoga a Resolução CONAMA nº 346/2004; art. 15 vigência na data da publicação)↗oficial

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