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Criar abelha sem ferrão é permitido? O que diz a lei

Resposta rápida

Sim, é permitido, dentro de regras. A norma vigente é a Resolução CONAMA nº 496, de 19 de agosto de 2020, que revogou a antiga Resolução 346/2004. Em regra, o uso e manejo de abelhas-nativas-sem-ferrão depende de ato autorizativo do órgão ambiental competente, mas ficam dispensados de autorização o uso e manejo sem exploração econômica de até 49 colônias. A criação é restrita à região geográfica de ocorrência natural da espécie; fora dela, só com autorização do órgão ambiental, segundo análise de risco.

Meliponicultor de costas observa caixas de abelhas sem ferrão em propriedade rural brasileira.
Criação de abelhas nativas sem ferrão deve seguir regras ambientais e limites legais.
Neste artigo
  1. Qual norma vale hoje
  2. A regra geral: ato autorizativo
  3. Quem é dispensado de autorização
  4. Venda de colônias e de produtos
  5. Como obter as colônias
  6. A regra que mais se descumpre sem saber
  7. A razão biológica é a mesma
  8. Como começar dentro da regra
  9. O que acontece se descumprir

É a primeira pergunta de quem se interessa por meliponicultura, e a resposta muda a ordem das coisas: antes da caixa, a lei.

Qual norma vale hoje

A meliponicultura é disciplinada pela Resolução CONAMA nº 496, de 19 de agosto de 2020, publicada no Diário Oficial da União em 20 de agosto de 2020. O art. 14 dela revogou a Resolução CONAMA nº 346/2004, que muita página ainda cita como se estivesse em vigor — inclusive o antigo limite de “menos de cinquenta colônias”.

Não é comparável a comprar uma colmeia de abelha africanizada. A criação é permitida, e a Resolução existe justamente para disciplinar como.

Para completar o quadro, veja também caixa de abelha jataí e abelha jataí tem ferrão.

A regra geral: ato autorizativo

Art. 3º — O uso e manejo de abelhas-nativas-sem-ferrão depende de ato autorizativo do órgão ambiental competente, que analisa no mínimo: a relação das espécies, a localização do meliponário com coordenadas geográficas, o CPF ou CNPJ e a origem das colônias do plantel inicial.

Os procedimentos de concessão e renovação são definidos por cada órgão ambiental. Depois de autorizado e registrado, o meliponário deve ser inscrito no Cadastro Técnico Federal (CTF).

Quem é dispensado de autorização

O §3º do art. 3º traz a dispensa que interessa a quase todo mundo que chega ao tema:

São dispensados de autorização ambiental o uso e manejo sem exploração econômica de até 49 (quarenta e nove) colônias.

As duas condições valem juntas. Passou de 49 colônias, ou começou a explorar economicamente, a dispensa deixa de valer.

O §4º ainda permite a troca ou permuta de colônias, para melhoramento genético ou diversificação, entre produtores de até 49 colônias, sem finalidade comercial e dentro de um mesmo bioma.

Venda de colônias e de produtos

Art. 4º — O estabelecimento que vende produtos e subprodutos (mel, favo de cria, cerume, própolis, geoprópolis, pólen e cera) é dispensado de autorização ambiental, exceto quando envolver partes da colônia ou espécimes.

Art. 5º — O meliponário regularmente autorizado pode comercializar colônias, ou parte delas, desde que sejam resultado de multiplicação das suas matrizes.

Isso tem efeito direto na compra: quando um vendedor não sabe dizer a origem da colônia, isso é informação, não detalhe.

Como obter as colônias

Art. 6º — A obtenção de colônias matrizes deve ser autorizada pelo órgão ambiental, por um destes meios:

  • apanha na natureza por recipiente-isca;
  • aquisição de meliponário devidamente autorizado;
  • depósito pelo órgão ambiental competente;
  • resgate de colônias (em áreas de supressão vegetal ou situação de risco, com autorização).

O parágrafo único dispensa a autorização de apanha por recipientes-isca para produtores com até 49 colônias e sem fins comerciais.

A regra que mais se descumpre sem saber

Art. 7º:

A criação de abelhas-nativas-sem-ferrão será restrita à região geográfica de ocorrência natural das espécies, de acordo com o Catálogo Nacional de Abelhas-Nativas-Sem-Ferrão do ICMBio.

A criação fora dessa região pode ser autorizada pelo órgão ambiental competente, segundo sua análise de risco — mas não é livre.

Na prática, isso alcança a compra pela internet de uma espécie que não ocorre no seu estado — que é exatamente o que muita gente faz ao começar, atraída por uma espécie mais produtiva ou mais vistosa.

Alguns estados reforçam a regra com legislação própria. O Mato Grosso do Sul, por exemplo, tem lei que proíbe a introdução de espécies exóticas de abelhas-sem-ferrão — entendendo-se por exótica a espécie que não ocorre naturalmente no estado.

A razão biológica é a mesma

A norma e a técnica apontam para o mesmo lado. Segundo a Embrapa, as abelhas da região já estão adaptadas à flora local, à temperatura e ao regime de chuva. Colônias introduzidas de fora passam a exigir manutenção mais cuidadosa e muitas vezes morrem — gastando tempo e recurso do produtor e podendo contribuir para a extinção das espécies.

Ou seja: a espécie certa é a que ocorre no seu estado. Isso é ao mesmo tempo o caminho legal e o de maior chance de dar certo.

Como começar dentro da regra

  1. Descubra quais espécies ocorrem no seu estado. A Embrapa publica tabela de ocorrência por unidade da federação.
  2. Consulte o órgão ambiental estadual. A Resolução deixa aos órgãos competentes a definição dos procedimentos de autorização, e os estados têm regras próprias.
  3. Obtenha as colônias por recipiente-isca, por compra de meliponário autorizado ou por divisão das suas.
  4. Guarde a documentação de origem das colônias.
  5. Se pretende crescer ou vender, planeje a autorização antes de passar de 49 colônias ou de começar a explorar economicamente.

O que acontece se descumprir

O art. 12 é direto: o não cumprimento sujeita os infratores, entre outras, às penalidades e sanções previstas na legislação. E o art. 13 lembra que cumprir a Resolução não dispensa as exigências sanitárias e outras da legislação vigente.

Como a maior parte do descumprimento é involuntária — alguém compra uma espécie de outro estado sem saber —, saber a regra antes é o que evita o problema.

O manejo, a caixa e a colheita estão na página de meliponicultura.

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Perguntas frequentes

Preciso de autorização para ter um meliponário em casa?

Pela Resolução CONAMA 496/2020, o uso e manejo sem exploração econômica de até 49 colônias é dispensado de autorização ambiental. Acima disso, ou com finalidade econômica, é preciso ato autorizativo do órgão ambiental competente e, depois, inscrição no Cadastro Técnico Federal. Confirme no órgão ambiental do seu estado os procedimentos locais.

Posso comprar uma espécie de abelha de outro estado?

O art. 7º restringe a criação à região geográfica de ocorrência natural da espécie, conforme catálogo do ICMBio. Criar fora dessa região só é possível com autorização do órgão ambiental competente, segundo análise de risco. Além disso, colônias fora da região de origem exigem manutenção mais cuidadosa e frequentemente morrem.

É permitido vender colônias de abelha nativa?

O art. 5º permite que o meliponário regularmente autorizado comercialize colônias, ou parte delas, desde que resultem da multiplicação das suas matrizes. Já mel, própolis, pólen e cera podem ser vendidos sem autorização ambiental do estabelecimento, exceto partes da colônia ou espécimes.

Posso tirar um enxame de um tronco de árvore?

A norma prevê obtenção de matrizes por recipiente-isca, compra de meliponário autorizado, depósito pelo órgão ambiental ou resgate autorizado. Para criatórios com até 49 colônias e sem fins comerciais, o uso de recipientes-isca dispensa autorização. O caminho acessível para quem começa é a isca.

Fontes

  1. Resolução CONAMA nº 496, de 19 de agosto de 2020, publicada no DOU de 20 de agosto de 2020 (edição 160, seção 1, p. 91) — disciplina o uso e o manejo sustentáveis das abelhas-nativas-sem-ferrão em meliponicultura (art. 3º: uso e manejo dependem de ato autorizativo do órgão ambiental competente, com relação das espécies, localização do meliponário, CPF ou CNPJ e origem do plantel inicial; após autorização, inscrição no Cadastro Técnico Federal; §3º dispensa de autorização ambiental o uso e manejo sem exploração econômica de até 49 colônias; §4º permite troca ou permuta de colônias sem finalidade comercial entre produtores de até 49 colônias dentro do mesmo bioma; art. 4º dispensa de autorização o comércio de produtos e subprodutos (mel, própolis, pólen, cera etc.), exceto partes da colônia ou espécimes; art. 5º permite ao meliponário autorizado comercializar colônias ou partes delas desde que resultantes da multiplicação de suas matrizes; art. 6º prevê obtenção de matrizes por recipiente-isca, compra de meliponário autorizado, depósito pelo órgão ambiental ou resgate, dispensando autorização para recipientes-isca de criatórios com até 49 colônias sem fins comerciais; art. 7º restringe a criação à região geográfica de ocorrência natural da espécie, conforme catálogo do ICMBio, podendo o órgão ambiental autorizar criação fora dela segundo análise de risco; art. 14 revoga a Resolução CONAMA nº 346/2004; art. 15 vigência na data da publicação)↗oficial
  2. Sistema de Criação de abelhas-sem-ferrão — Embrapa (as abelhas-sem-ferrão pertencem à tribo Meliponina, Hymenoptera, Apidae, com 52 gêneros e mais de 300 espécies; polinizam 30% das espécies da Caatinga e do Pantanal e até 90% das da Mata Atlântica; espécies mais indicadas para produção de mel: uruçu, tiúba, jandaíra, uruçu-cinzenta, mandaçaia e jataí, com tabela de ocorrência por estado; em geral, quanto menor a abelha e o ninho, menor a produção de mel; obtenção de enxames por ninhos-isca, aquisição de produtor cadastrado ou divisão, conforme a Resolução CONAMA 346/2004; ninho-isca de garrafa PET ou embalagem cartonada coberta com plástico preto, com banho interno de álcool, própolis e cerume, instalado a 0,5 a 1,5 metro de altura em local sombreado e próximo de água, aguardando cerca de 30 dias após a captura para transferir; meliponário a 1.500 metros de engenhos, fábricas de doces e refrigerantes, estradas e criação animal, e a 1.500 metros de outros meliponários, considerando raio de voo de 120 m a 2.500 m conforme a espécie; recomenda-se meliponário de uma única espécie, porque colônias fortes invadem as fracas; colmeias moduláveis com tampa, melgueira, sobreninho, ninho e fundo, modelo INPA, em cavaletes individuais a cerca de 0,5 metro do chão, com distância entre caixas de 0,5 metro para abelhas pequenas até 3,0 metros para abelhas grandes; revisão das colônias a cada 30 dias; alimentação com xarope de água e açúcar a 50%, fornecido em quantidade consumida em até 24 horas; inimigos naturais principais são forídeos, formigas e a mosca Hermetia illucens, cujas fêmeas depositam até 400 ovos; colheita do mel com bomba de sucção ou seringa, apenas de potes já fechados, sendo desaconselhado furar os potes e deixar escorrer pela caixa; o mel desse grupo tem naturalmente teor elevado de água, o que pode levar à fermentação; alguns estados, como o Mato Grosso do Sul, têm leis que proíbem a introdução de espécies que não ocorrem naturalmente no estado)↗oficial

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