Veterinário Raiz
Brasil

Sal mineral para gado: como escolher a marca e o tipo

Resposta rápida

O melhor sal mineral para gado é o formulado para a categoria e a época certas, não uma marca específica. Vaca de cria, novilha, bezerro e boi de engorda têm exigências diferentes, e na seca o que mais limita o ganho é proteína e energia, não só mineral. Escolha o produto pela indicação do rótulo, compare fabricantes como Tortuga e Matsuda pelo uso e pelos níveis de garantia, siga o consumo da embalagem e forneça em cocho coberto, sempre abastecido.

Gado Nelore consome sal mineral em cocho coberto enquanto trabalhador avalia sacos sem marca.
Cocho protegido e produto adequado ao rebanho ajudam a orientar a escolha do sal mineral.
Neste artigo
  1. Por que o sal mineral importa
  2. Escolha pela categoria
  3. Escolha pela época
  4. Cocho coberto
  5. Como comparar marcas
  6. Mineral, proteinado ou ureado
  7. Fósforo: o mineral mais caro e mais lembrado
  8. Passo a passo para trocar ou começar o sal mineral
  9. Sinais de que algo não vai bem
  10. Cuidado com excesso e com mistura caseira

Por que o sal mineral importa

O pasto brasileiro raramente fornece todos os minerais que o gado precisa. Segundo a Embrapa Gado de Corte, nos Cerrados do Brasil Central faltam fósforo, sódio, cobre, cobalto, iodo e zinco, com indicações de falta de selênio e enxofre em algumas regiões. Veja o básico em sal mineral para gado: para que serve.

Escolha pela categoria

Categoria Por que muda
Vaca e novilha em reprodução Entre as mais exigentes, segundo a Embrapa
Bezerro e animal jovem de alto ganho Também entre os mais exigentes
Boi de recria e engorda a pasto Produto para corte, com consumo indicado no rótulo
Gado de leite Linhas próprias para vaca em lactação

O fabricante informa no rótulo a categoria e o consumo esperado por cabeça. Siga a embalagem.

Escolha pela época

A mesma publicação explica que a resposta à suplementação mineral costuma ser mais forte nas águas, quando o pasto cresce e há proteína e energia para sustentar ganho. Na seca, proteína e energia viram o fator mais limitante, e o mineral sozinho pode dar pouca resposta. Por isso existem suplementos para a seca com proteína, além do mineral. Mas o mineral não sai do cocho: manganês, zinco, sódio e magnésio precisam de fornecimento constante.

Cocho coberto

A Embrapa recomenda cochos cobertos, protegidos de vento e chuva, abastecidos com regularidade e acessíveis também aos bezerros. Sal molhado empedra, perde qualidade e o gado deixa de comer. Cocho vazio por dias anula o investimento.

Como comparar marcas

Tortuga e Matsuda são exemplos de fabricantes tradicionais de sal mineral no Brasil, e há outros. Para comparar:

  1. Categoria e fase indicadas no rótulo.
  2. Níveis de garantia, principalmente fósforo e microminerais.
  3. Consumo por cabeça e custo por animal por dia, não só o preço do saco.
  4. Entrega regular na sua região.

Na dúvida sobre a necessidade da sua região, um técnico pode avaliar solo e pasto. Para o panorama da nutrição, veja a biblioteca de nutrição de bovinos e pastejo rotacionado.

Mineral, proteinado ou ureado

Na prateleira da casa agropecuária aparecem produtos com nomes parecidos. A diferença está na função:

Produto O que entrega Quando faz sentido
Sal mineral Minerais, com sal comum como veículo O ano todo, como base
Mineral proteinado Minerais e fonte de proteína Principalmente na seca, quando falta proteína no pasto
Mineral energético ou de alto consumo Minerais, proteína e energia Quando se busca ganho maior a pasto

A Embrapa explica que, na seca, proteína e energia são as deficiências mais limitantes. Por isso o proteinado ganha espaço nessa época. Mas ele não substitui o cuidado com o mineral: o gado precisa de fornecimento constante de manganês, zinco, sódio e magnésio o ano inteiro. Produtos com ureia exigem adaptação gradual e cuidado com a quantidade; siga a embalagem e a orientação técnica.

Fósforo: o mineral mais caro e mais lembrado

O fósforo costuma ser o item que mais pesa no preço do sal mineral e um dos mais deficientes nos Cerrados. A mesma publicação da Embrapa mostra que a exigência sobe com o desempenho: de 4,7 g por dia em mantença para 16,5 g por dia com ganho de 1 kg por dia. Ou seja, animal que ganha mais peso precisa de mais fósforo. Na seca, quando o animal só mantém ou perde peso, a resposta ao fósforo extra pode ser pequena.

Isso ajuda a comparar produtos: o teor de fósforo do rótulo, junto com o consumo indicado, mostra quanto o animal realmente recebe por dia.

Passo a passo para trocar ou começar o sal mineral

  1. Defina a categoria que vai receber o produto: vacas, bezerros, recria ou engorda.
  2. Escolha o produto da categoria e da época, conferindo o rótulo.
  3. Confira o cocho: coberto, protegido de vento e chuva e com acesso para os bezerros.
  4. Faça a troca aos poucos quando mudar de produto, principalmente para proteinados e ureados.
  5. Abasteça com regularidade, sem deixar o cocho vazio.
  6. Acompanhe o consumo. Pese quanto foi colocado no período e divida pelo número de animais. Compare com o consumo indicado na embalagem.
  7. Ajuste com o técnico se o consumo ficar muito acima ou muito abaixo do esperado.

Sinais de que algo não vai bem

Gado lambendo terra, roendo madeira, cerca ou osso, pelo arrepiado e sem brilho, baixo ganho de peso, vacas que demoram a emprenhar e bezerros fracos podem ter relação com deficiência mineral. Mas esses sinais também aparecem em outras doenças e problemas de manejo. Procure um médico-veterinário para investigar antes de mudar a suplementação por conta própria.

Cuidado com excesso e com mistura caseira

Mais mineral não é melhor. A Embrapa cita, por exemplo, que o excesso de enxofre na dieta está ligado a menor disponibilidade de cobre e selênio e a casos de polioencefalomalacia. Misturas feitas na fazenda sem cálculo podem desequilibrar a dieta. E produto formulado para bovinos não deve ser oferecido a outras espécies sem orientação, porque as necessidades e a tolerância mudam.

Para planejar a alimentação do rebanho, veja também confinamento de gado: como montar e balança para gado: como pesar o rebanho.

A opção abaixo é um suplemento mineral para gado de corte a pasto.

Suplemento mineral para bovinos de corte a pasto, de fabricante tradicional do setor. Siga o consumo indicado na embalagem e mantenha o cocho coberto e sempre abastecido.Gado de corte a pastoSal mineral Matsuda Fós Boi para gado de corteSuplemento mineral para bovinos de corte a pasto, de fabricante tradicional do setor. Siga o consumo indicado na embalagem e mantenha o cocho coberto e sempre abastecido.Gado de corte a pastoSal mineral Matsuda Fós Boi para gado de corteSuplemento mineral para bovinos de corte a pasto, de fabricante tradicional do setor. Siga o consumo indicado na embalagem e mantenha o cocho coberto e sempre abastecido.Comprar agora →

Perguntas frequentes

Tortuga ou Matsuda, qual é melhor?

Nenhuma é melhor em todo caso. Ambas são fabricantes tradicionais com várias linhas. Compare o produto para a sua categoria e época, os níveis de garantia do rótulo, o preço por animal e a disponibilidade na sua região.

Sal comum serve como sal mineral?

Não. O sal comum fornece sódio, mas o rebanho a pasto costuma precisar também de fósforo e de microminerais como cobre, cobalto, iodo e zinco, que só vêm na mistura mineral.

Posso tirar o sal mineral na seca?

Não é recomendado. A Embrapa aponta que manganês, zinco, sódio e magnésio precisam de fornecimento constante, inclusive na seca. O que muda na seca é o tipo de suplemento, não a suspensão.

Fontes

  1. Suplementação mineral de bovinos na estação seca — Maria Luiza Franceschi Nicodemo, Embrapa Gado de Corte, Comunicado Técnico 66, Campo Grande (MS), novembro de 2001 (minerais deficientes nos Cerrados do Brasil Central: fósforo, sódio, cobre, cobalto, iodo e zinco, com indicações de deficiência de selênio e enxofre em algumas regiões e de cálcio e magnésio em Roraima e no Pantanal Sul-Mato-Grossense; as respostas da suplementação mineral são geralmente mais dramáticas durante a estação chuvosa, quando a forrageira está em crescimento e há proteína e energia suficientes para sustentar ganho; na seca, a resposta ao fósforo suplementar em animais que apenas mantêm ou perdem peso pode ser pequena ou inexistente, porque proteína e energia são as deficiências mais limitantes; categorias mais exigentes são fêmeas em produção, sobretudo novilhas, e animais jovens de alto ganho; exigência de fósforo de 4,7 g/dia em mantença subindo a 16,5 g/dia com ganho de 1 kg/dia; suplementação preferencialmente em cochos cobertos, protegidos de vento e chuva, regularmente abastecidos e acessíveis também aos bezerros; bovinos acumulam reservas de cobre, selênio, cálcio e fósforo, mas manganês, zinco, sódio e magnésio precisam de fornecimento constante, inclusive na seca; relação N:S da dieta em torno de 12:1, com excesso de enxofre ligado a menor disponibilidade de cobre e selênio e a casos de polioencefalomalacia)↗oficial

Continue neste tema

Triturador forrageiro ou picadeira de capim: como escolherCerca elétrica rural: eletrificador, fio e isoladorSal mineral para gado: para que serve e quando respondeVer tudo sobre Ração, sal mineral e pastagem para bovinos

Leia também

Manejo de vacas em lactação: cuidados no período de produçãoOrdenhadeira balde ao pé: como funciona e quando vale