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O que é pastejo rotacionado
No pastejo contínuo, o gado fica o tempo todo na mesma área e escolhe o que come: rapa o capim novo e deixa o velho. No rotacionado, a área é dividida em piquetes, e o lote passa por eles em sequência.
Dois tempos definem o sistema:
- Período de ocupação: quantos dias o lote fica em cada piquete. Curto, para o gado não comer a rebrota.
- Período de descanso: quantos dias o piquete fica vazio para o capim se recuperar.
Os dois dependem do capim e da época do ano. Por isso não existe uma tabela única.
Benefícios
- Pasto em melhor ponto: o gado entra quando o capim está com boa qualidade.
- Mais animais por área: o pasto rende mais quando descansa.
- Menos desperdício e menos seleção: o lote come de forma mais uniforme.
- Mais controle: fica mais fácil observar os animais, o capim e ajustar o manejo.
Os números do sistema intensivo da Embrapa
O comunicado técnico de manejo do sistema intensivo de leite a pasto da Embrapa Gado de Leite descreve um sistema com rebanho Girolando em piquetes rotacionados de Mombaça, Tanzânia e Kurumi, com períodos de ocupação e descanso definidos. Algumas metas do sistema:
| Indicador | Meta |
|---|---|
| Lotação nos pastos de vacas em lactação | 10 UA/ha |
| Lotação na área total | 2,5 UA/ha |
| Produção por vaca | 20 L/dia |
| Produção por hectare | 9.275 L/ano |
São metas de um sistema intensivo, com adubação, rebanho e gestão técnica. Servem de referência do potencial, não de resultado garantido em qualquer fazenda.
A cerca elétrica como ferramenta
Dividir a área em vários piquetes com cerca convencional sai caro. A cerca elétrica resolve com menos material e permite mudar a divisão conforme o capim. O básico é um eletrificador adequado ao comprimento de cerca, fio ou fita eletroplástica, isoladores e um bom aterramento. Veja o que comprar em cerca elétrica rural.
Como saber a hora de entrar e de sair do piquete
Como não existe tabela única, a decisão vem da observação. Na prática, o produtor acompanha o capim e o comportamento do lote:
- Entrada: o piquete recebe o gado quando o capim já se recuperou e está com folhas novas, em boa qualidade.
- Saída: o lote sai antes de rapar o pasto até a base. Deixar uma sobra de folhas ajuda o capim a rebrotar.
- Sinais de alerta: pasto muito alto e passado indica descanso longo demais; pasto rapado e rebrota lenta indicam ocupação longa ou lotação alta.
Anotar a data de entrada e saída de cada piquete, junto com a altura do capim, cria um histórico que ajuda a ajustar o sistema ano a ano. Um técnico ou extensionista pode definir as referências de altura para o capim da sua fazenda.
Água, sombra e corredor
O desenho dos piquetes faz diferença no dia a dia:
- Água em todos os piquetes, ou num ponto central que todos alcancem.
- Corredor para levar o gado de um piquete a outro sem pisotear os que estão em descanso.
- Sombra, natural ou artificial, para o conforto dos animais nas horas quentes.
- Cocho de sal coberto, protegido de vento e chuva e abastecido com regularidade.
O comunicado da Embrapa sobre suplementação mineral recomenda cochos cobertos, regularmente abastecidos e acessíveis também aos bezerros.
A seca muda o manejo
Na estação seca, o capim cresce menos e o período de descanso precisa ser maior. Se a área não dá conta do lote, é hora de reduzir a lotação ou planejar a suplementação com antecedência.
O comunicado da Embrapa Gado de Corte lembra que, na seca, proteína e energia costumam ser as deficiências mais limitantes. Por isso, só o sal mineral nem sempre resolve a perda de peso: o planejamento do volumoso e da suplementação deve ser feito com um técnico ou com o médico-veterinário da propriedade.
Erros comuns
| Erro | O que acontece |
|---|---|
| Deixar o lote tempo demais no piquete | O gado come a rebrota e o capim enfraquece |
| Descanso curto | O capim não se recupera e a produção cai |
| Piquete sem água | Os animais andam muito e o manejo trava |
| Não ajustar na seca | Pasto degradado e gado perdendo peso |
Como começar
- Escolha uma área pequena para testar antes de dividir a fazenda toda.
- Garanta água acessível de todos os piquetes, com corredor ou bebedouro central.
- Divida com cerca elétrica e marque o dia de entrada e saída em cada piquete.
- Observe o capim: ajuste ocupação e descanso conforme a altura e a rebrota.
- Não esqueça a suplementação: sal mineral à vontade e atenção à seca. Veja para que serve o sal mineral e a orientação da Embrapa sobre suplementação na seca.
Lembre também da saúde do rebanho. Mudar o sistema de pastejo é um bom momento para revisar, com o médico-veterinário, o calendário de vacinação e o controle de verminose do lote.
Mais conteúdo na biblioteca de gado leiteiro e em manejo de vacas em lactação. Um curso é uma opção para aprender a planejar os piquetes, mas não garante aumento de renda: o resultado depende do manejo.
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Quantos piquetes preciso no pastejo rotacionado?
Depende do capim, do período de descanso que ele exige e do tempo de ocupação que você vai usar. Por isso o número varia de propriedade para propriedade; um técnico ajuda a calcular.
Pastejo rotacionado serve para gado de corte?
Sim. O princípio de ocupação curta e descanso para rebrota vale para leite e corte. O que muda são as metas de desempenho e a categoria animal em cada piquete.
Preciso de cerca elétrica para fazer rotação?
Não é obrigatória, mas é a forma mais barata e flexível de dividir piquetes, porque usa menos material que a cerca convencional e permite mudar a divisão com facilidade.
Fontes
- Manejo no Sistema Intensivo de Produção de Leite a Pasto da Embrapa Gado de Leite — Comunicado Técnico 92, Juiz de Fora, setembro de 2018 (sistema com rebanho Girolando de composição 1/2, 5/8 e 3/4 Holandês-Gir; metas de 120 vacas no rebanho, taxa de natalidade maior ou igual a 90%, intervalo de partos de 12 a 13 meses, 20 L/vaca/dia, produção por lactação de 6.100 L, 9.275 L por hectare/ano, mortalidade máxima de 5%, CCS abaixo de 250.000 células/mL e CBT abaixo de 10.000 ufc/mL; metas de peso de 100 kg aos 3 meses, 150 kg aos 6, 250 kg aos 12 e 330 kg aos 18 meses, primeira inseminação aos 18 meses ou 330 kg e primeiro parto aos 27 meses; taxa de lotação de 10 UA/ha nos pastos de vacas em lactação e 2,5 UA/ha na área total; piquetes rotacionados de Mombaça, Tanzânia e Kurumi com períodos de ocupação e descanso definidos; secagem 60 dias antes do parto previsto ou com produção inferior a 5,0 kg/dia; colostro a 10% do peso ao nascimento em até 6 horas)↗oficial
- Suplementação mineral de bovinos na estação seca — Maria Luiza Franceschi Nicodemo, Embrapa Gado de Corte, Comunicado Técnico 66, Campo Grande (MS), novembro de 2001 (minerais deficientes nos Cerrados do Brasil Central: fósforo, sódio, cobre, cobalto, iodo e zinco, com indicações de deficiência de selênio e enxofre em algumas regiões e de cálcio e magnésio em Roraima e no Pantanal Sul-Mato-Grossense; as respostas da suplementação mineral são geralmente mais dramáticas durante a estação chuvosa, quando a forrageira está em crescimento e há proteína e energia suficientes para sustentar ganho; na seca, a resposta ao fósforo suplementar em animais que apenas mantêm ou perdem peso pode ser pequena ou inexistente, porque proteína e energia são as deficiências mais limitantes; categorias mais exigentes são fêmeas em produção, sobretudo novilhas, e animais jovens de alto ganho; exigência de fósforo de 4,7 g/dia em mantença subindo a 16,5 g/dia com ganho de 1 kg/dia; suplementação preferencialmente em cochos cobertos, protegidos de vento e chuva, regularmente abastecidos e acessíveis também aos bezerros; bovinos acumulam reservas de cobre, selênio, cálcio e fósforo, mas manganês, zinco, sódio e magnésio precisam de fornecimento constante, inclusive na seca; relação N:S da dieta em torno de 12:1, com excesso de enxofre ligado a menor disponibilidade de cobre e selênio e a casos de polioencefalomalacia)↗oficial
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