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Calculadora de povoamento de tanque de peixe
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O povoamento parte da biomassa final, não do número de peixes. Multiplique a área do viveiro em hectares pela produção esperada (cerca de 2.000 kg/ha no extensivo; 8.000 a 10.000 kg/ha em viveiro escavado), divida pelo peso final de cada peixe e acrescente a mortalidade — comum até 10% ao final da alevinagem. Para intensificar, a referência é 1,5 HP de aeração para cada 2.500 m² de lâmina d'água.
Guia · R$ 27Guia de Bioflocos para Iniciantes + planilha de qualidade da águaComo a conta funciona
A lógica é a do cálculo de povoamento de viveiros da Embrapa Agrossilvipastoril: começa pela biomassa final que o viveiro suporta e anda para trás até o número de alevinos.
- Biomassa final = área (m²) ÷ 10.000 × meta (kg/ha).
- Peixes no fim = biomassa final ÷ peso final de cada peixe.
- Alevinos a comprar = peixes no fim ÷ (1 − mortalidade).
- Aeração = área (m²) ÷ 2.500 × 1,5 HP.
Metas de produção de referência
| Sistema | Biomassa final | Observação |
|---|---|---|
| Extensivo | cerca de 2.000 kg/ha | Sem suporte de oxigênio |
| Viveiro escavado familiar | 8.000 a 10.000 kg/ha | Manual da Embrapa Pesca e Aquicultura |
| Barragens e represas | 6.000 a 8.000 kg/ha | — |
| Tambaqui, aeração de emergência | 7.200 kg/ha | 300 dias, 1,8 kg |
| Tambaqui, aeração diária obrigatória | 18.000 kg/ha | 300 dias, 2,62 kg |
| Matrinxã | 7.500 kg/ha | 300 dias, 1,5 kg |
Os números de viveiro familiar e de barragens vêm do Manual de piscicultura familiar em viveiros escavados; os de tambaqui e matrinxã, do documento de cálculo de povoamento.
O limite é o oxigênio
O que no fim limita o crescimento é a competição por oxigênio. Espécies que respiram o ar atmosférico, como o pirarucu, suportam densidades maiores; as demais dependem da água. Por isso qualquer meta acima do extensivo pede aeração — veja o aerador e kit de água para piscicultura.
Meça o oxigênio entre 6h e 8h, antes da primeira alimentação: é quando o teor está mais baixo. O valor adequado é acima de 4 mg/L. Os demais parâmetros estão em qualidade da água na piscicultura.
Perguntas frequentes
Posso colocar mais peixe para produzir mais?
Até o limite do oxigênio. Excesso de peixes leva à competição por oxigênio, e o primeiro sinal é a diminuição sensível no crescimento: o tamanho médio no fim do ciclo cai junto com o aumento da densidade. Para subir a meta, é preciso suporte de aeração — 1,5 HP para cada 2.500 m² de lâmina d'água.
Por que comprar mais alevinos do que o número final de peixes?
Porque parte morre no caminho. O manual da Embrapa cita mortalidade comum de até 10% ao final da alevinagem. O cálculo de povoamento acrescenta a mortalidade de cada fase em efeito cascata, para que o viveiro chegue ao fim com o número de peixes planejado.
Vale para tanque-rede?
Não. Em tanque-rede a densidade se expressa por volume (kg/m³), e não por área. A referência do manual é de cerca de 80 kg/m³ para espécies nativas e de 100 a 150 kg/m³ para tilápia. Esta calculadora é para viveiro escavado.
Que meta usar no viveiro familiar?
O manual de piscicultura familiar indica produção final de 8.000 a 10.000 kg/ha em viveiros escavados. A calculadora usa 8.000 kg/ha por ser o lado conservador da faixa; em barragens e represas, a referência cai para 6.000 a 8.000 kg/ha.
Fontes
- Cálculo de povoamento de viveiros e tanques-rede — Daniel Rabello Ituassú, Embrapa Agrossilvipastoril, Sinop (MT), agosto de 2015 (a não observância dos limites de povoamento leva à competição por oxigênio, que é o que no fim limita o crescimento; o primeiro sinal de excesso de peixes é a diminuição sensível no crescimento, e o tamanho médio ao final do ciclo é diretamente relacionado à densidade de estocagem; a densidade se expressa em biomassa por área — kg/ha ou kg/m² — em viveiros escavados e por volume — kg/m³ — em tanque-rede, variando por espécie; espécies capazes de respirar o ar atmosférico, como o pirarucu, suportam densidades maiores; sistemas extensivos alcançam cerca de 2.000 kg/ha; aumento de densidade exige suporte de oxigênio, com proporção de 1,5 HP de aeração para cada 2.500 m² de lâmina d'água; sistemas documentados de espécies nativas em viveiro escavado — matrinxã com 300 dias, peso final de 1,5 kg e 7,5 t/ha; tambaqui com 300 dias, 1,8 kg e 7,2 t/ha em sistema com aeração de emergência, e 2,62 kg e 18,0 t/ha em sistema com aeração diária obrigatória; o cálculo de povoamento parte da biomassa final e do peso final para chegar ao número de peixes, acrescentando a mortalidade de cada fase em efeito cascata)↗oficial
- Manual de piscicultura familiar em viveiros escavados — Embrapa Pesca e Aquicultura, Brasília, 2015, de Adriana Ferreira Lima e outros (vazão recomendada de 10 a 20 L/s por hectare de lâmina d'água, podendo ser menor em viveiros bem construídos; terreno plano ou com declividade de até 2%, evitando acima de 4%; solo de textura média, com 15% a 35% de argila, identificável em campo pelo teste da letra S, com compactação a cada 20 cm de deposição e remoção do material vegetal de 10 a 30 cm abaixo do nível do solo; viveiro retangular, com profundidade de cerca de 1,20 m na parte rasa e de 1,5 a 1,7 m na mais funda, e declividade de fundo de 0,5% a 2% no sentido da entrada para a saída; talude de 3:1 na borda interna e 2:1 na externa, com crista de 2 a 3 m ou 5 m para passagem de veículos; desinfecção com cal virgem ou hidratada a 200 kg por 1.000 m² dois a três dias antes do enchimento, sendo vedado o uso de cal durante o cultivo; calagem com calcário quando o pH for menor que 6,5 ou a alcalinidade inferior a 20 mg/L; adubação inicial e de manutenção com esterco de aves, suíno ou bovino ou adubo químico; valores adequados de qualidade da água — oxigênio dissolvido acima de 4 mg/L, transparência de 35 a 40 cm medida com disco de Secchi, pH de 6,5 a 8,0, alcalinidade acima de 20 mg/L, gás carbônico abaixo de 10 mg/L, amônia abaixo de 0,10 mg/L, nitrito abaixo de 0,03 mg/L e temperatura de 26 °C a 32 °C; oxigênio deve ser medido entre 6h e 8h, antes da primeira alimentação, porque o menor teor do dia ocorre no início da manhã; densidade de engorda permitindo produção final de 8.000 a 10.000 kg/ha em viveiros escavados, de 6.000 a 8.000 kg/ha em barragens e represas, cerca de 80 kg/m³ em tanque-rede para espécies nativas e de 100 a 150 kg/m³ para tilápia; mortalidade comum de até 10% ao final da alevinagem; em exemplo documentado de ciclo em viveiro de 215 m², a ração representou 88% do custo de produção)↗oficial
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