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Calculadora de povoamento de tanque de peixe

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Resposta rápida

O povoamento parte da biomassa final, não do número de peixes. Multiplique a área do viveiro em hectares pela produção esperada (cerca de 2.000 kg/ha no extensivo; 8.000 a 10.000 kg/ha em viveiro escavado), divida pelo peso final de cada peixe e acrescente a mortalidade — comum até 10% ao final da alevinagem. Para intensificar, a referência é 1,5 HP de aeração para cada 2.500 m² de lâmina d'água.

Informe a área do viveiro, a meta de produção, o peso final e a mortalidade esperada. A ferramenta devolve quantos alevinos comprar e quanta aeração a meta pede.

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Como a conta funciona

A lógica é a do cálculo de povoamento de viveiros da Embrapa Agrossilvipastoril: começa pela biomassa final que o viveiro suporta e anda para trás até o número de alevinos.

  1. Biomassa final = área (m²) ÷ 10.000 × meta (kg/ha).
  2. Peixes no fim = biomassa final ÷ peso final de cada peixe.
  3. Alevinos a comprar = peixes no fim ÷ (1 − mortalidade).
  4. Aeração = área (m²) ÷ 2.500 × 1,5 HP.

Metas de produção de referência

Sistema Biomassa final Observação
Extensivo cerca de 2.000 kg/ha Sem suporte de oxigênio
Viveiro escavado familiar 8.000 a 10.000 kg/ha Manual da Embrapa Pesca e Aquicultura
Barragens e represas 6.000 a 8.000 kg/ha —
Tambaqui, aeração de emergência 7.200 kg/ha 300 dias, 1,8 kg
Tambaqui, aeração diária obrigatória 18.000 kg/ha 300 dias, 2,62 kg
Matrinxã 7.500 kg/ha 300 dias, 1,5 kg

Os números de viveiro familiar e de barragens vêm do Manual de piscicultura familiar em viveiros escavados; os de tambaqui e matrinxã, do documento de cálculo de povoamento.

O limite é o oxigênio

O que no fim limita o crescimento é a competição por oxigênio. Espécies que respiram o ar atmosférico, como o pirarucu, suportam densidades maiores; as demais dependem da água. Por isso qualquer meta acima do extensivo pede aeração — veja o aerador e kit de água para piscicultura.

Meça o oxigênio entre 6h e 8h, antes da primeira alimentação: é quando o teor está mais baixo. O valor adequado é acima de 4 mg/L. Os demais parâmetros estão em qualidade da água na piscicultura.

Perguntas frequentes

Posso colocar mais peixe para produzir mais?

Até o limite do oxigênio. Excesso de peixes leva à competição por oxigênio, e o primeiro sinal é a diminuição sensível no crescimento: o tamanho médio no fim do ciclo cai junto com o aumento da densidade. Para subir a meta, é preciso suporte de aeração — 1,5 HP para cada 2.500 m² de lâmina d'água.

Por que comprar mais alevinos do que o número final de peixes?

Porque parte morre no caminho. O manual da Embrapa cita mortalidade comum de até 10% ao final da alevinagem. O cálculo de povoamento acrescenta a mortalidade de cada fase em efeito cascata, para que o viveiro chegue ao fim com o número de peixes planejado.

Vale para tanque-rede?

Não. Em tanque-rede a densidade se expressa por volume (kg/m³), e não por área. A referência do manual é de cerca de 80 kg/m³ para espécies nativas e de 100 a 150 kg/m³ para tilápia. Esta calculadora é para viveiro escavado.

Que meta usar no viveiro familiar?

O manual de piscicultura familiar indica produção final de 8.000 a 10.000 kg/ha em viveiros escavados. A calculadora usa 8.000 kg/ha por ser o lado conservador da faixa; em barragens e represas, a referência cai para 6.000 a 8.000 kg/ha.

Fontes

  1. Cálculo de povoamento de viveiros e tanques-rede — Daniel Rabello Ituassú, Embrapa Agrossilvipastoril, Sinop (MT), agosto de 2015 (a não observância dos limites de povoamento leva à competição por oxigênio, que é o que no fim limita o crescimento; o primeiro sinal de excesso de peixes é a diminuição sensível no crescimento, e o tamanho médio ao final do ciclo é diretamente relacionado à densidade de estocagem; a densidade se expressa em biomassa por área — kg/ha ou kg/m² — em viveiros escavados e por volume — kg/m³ — em tanque-rede, variando por espécie; espécies capazes de respirar o ar atmosférico, como o pirarucu, suportam densidades maiores; sistemas extensivos alcançam cerca de 2.000 kg/ha; aumento de densidade exige suporte de oxigênio, com proporção de 1,5 HP de aeração para cada 2.500 m² de lâmina d'água; sistemas documentados de espécies nativas em viveiro escavado — matrinxã com 300 dias, peso final de 1,5 kg e 7,5 t/ha; tambaqui com 300 dias, 1,8 kg e 7,2 t/ha em sistema com aeração de emergência, e 2,62 kg e 18,0 t/ha em sistema com aeração diária obrigatória; o cálculo de povoamento parte da biomassa final e do peso final para chegar ao número de peixes, acrescentando a mortalidade de cada fase em efeito cascata)↗oficial
  2. Manual de piscicultura familiar em viveiros escavados — Embrapa Pesca e Aquicultura, Brasília, 2015, de Adriana Ferreira Lima e outros (vazão recomendada de 10 a 20 L/s por hectare de lâmina d'água, podendo ser menor em viveiros bem construídos; terreno plano ou com declividade de até 2%, evitando acima de 4%; solo de textura média, com 15% a 35% de argila, identificável em campo pelo teste da letra S, com compactação a cada 20 cm de deposição e remoção do material vegetal de 10 a 30 cm abaixo do nível do solo; viveiro retangular, com profundidade de cerca de 1,20 m na parte rasa e de 1,5 a 1,7 m na mais funda, e declividade de fundo de 0,5% a 2% no sentido da entrada para a saída; talude de 3:1 na borda interna e 2:1 na externa, com crista de 2 a 3 m ou 5 m para passagem de veículos; desinfecção com cal virgem ou hidratada a 200 kg por 1.000 m² dois a três dias antes do enchimento, sendo vedado o uso de cal durante o cultivo; calagem com calcário quando o pH for menor que 6,5 ou a alcalinidade inferior a 20 mg/L; adubação inicial e de manutenção com esterco de aves, suíno ou bovino ou adubo químico; valores adequados de qualidade da água — oxigênio dissolvido acima de 4 mg/L, transparência de 35 a 40 cm medida com disco de Secchi, pH de 6,5 a 8,0, alcalinidade acima de 20 mg/L, gás carbônico abaixo de 10 mg/L, amônia abaixo de 0,10 mg/L, nitrito abaixo de 0,03 mg/L e temperatura de 26 °C a 32 °C; oxigênio deve ser medido entre 6h e 8h, antes da primeira alimentação, porque o menor teor do dia ocorre no início da manhã; densidade de engorda permitindo produção final de 8.000 a 10.000 kg/ha em viveiros escavados, de 6.000 a 8.000 kg/ha em barragens e represas, cerca de 80 kg/m³ em tanque-rede para espécies nativas e de 100 a 150 kg/m³ para tilápia; mortalidade comum de até 10% ao final da alevinagem; em exemplo documentado de ciclo em viveiro de 215 m², a ração representou 88% do custo de produção)↗oficial

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