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Doença do carrapato em cães: sintomas, tratamento e prevenção

Sintomas da doença do carrapato em cães

Resposta rápida

Os dois quadros começam parecidos: febre, apatia, fraqueza e perda de apetite. Na erliquiose, somam-se aumento generalizado dos linfonodos, aumento do baço e queda de plaquetas, com rigidez e relutância em caminhar. Na babesiose, a febre costuma ser alta — frequentemente igual ou superior a 41 °C — e evolui com anemia, icterícia e perda de peso, porque o parasita destrói hemácias. Mucosas pálidas ou amareladas, sangramentos e urina escura são sinais de gravidade que pedem atendimento imediato.

Neste artigo
  1. O que é comum às duas
  2. Os sinais que apontam para erliquiose
  3. Os sinais que apontam para babesiose
  4. Os sinais de urgência
  5. Por que o exame decide
  6. O erro que mais custa caro
  7. O que fazer agora

Os primeiros sinais são inespecíficos, e é justamente isso que faz muita gente demorar a procurar ajuda. Cão quieto, comendo menos, “meio parado” — parece cansaço, e pode ser o começo de uma doença que evolui rápido.

O que é comum às duas

Tanto a erliquiose quanto a babesiose costumam abrir com:

  • Febre
  • Apatia, prostração, depressão
  • Fraqueza e queda de disposição
  • Perda de apetite

Se o seu cão tem esse conjunto, o histórico de contato com carrapatos deixa de ser detalhe e vira informação clínica relevante.

Os sinais que apontam para erliquiose

Na fase aguda, além do quadro geral, aparecem:

  • Aumento generalizado dos linfonodos — as “ínguas” do pescoço, axilas e virilha
  • Aumento do baço
  • Diminuição do número de plaquetas na corrente sanguínea
  • Rigidez e relutância em caminhar
  • Diminuição da resistência física

A queda de plaquetas é o que explica os sangramentos que alguns tutores notam: gengiva sangrando, sangramento nasal, pontinhos vermelhos na pele ou na barriga.

Sem tratamento, o quadro pode evoluir para a fase crônica, com aumento do baço, insuficiência renal e inflamação de pulmões, olhos, cérebro e medula espinhal. A perda grave de peso é comum, e as plaquetas seguem anormalmente baixas.

Os sinais que apontam para babesiose

Os primeiros sinais descritos são letargia, fraqueza, depressão e febre frequentemente igual ou superior a 41 °C, que persiste, acompanhada mais tarde por:

  • Inapetência
  • Anemia
  • Icterícia — mucosas, pele e olhos amarelados
  • Perda de peso

O parasita destrói hemácias, e daí vêm a anemia e a icterícia. O quadro varia muito: pode ser doença leve e transitória ou doença aguda que resulta rapidamente em morte.

Há ainda a forma causada pela Babesia gibsoni, que produz doença crônica com anemia grave e progressiva, difícil de tratar com os fármacos habituais.

Os sinais de urgência

Não espere melhorar sozinho se aparecer:

Sinal O que costuma indicar
Mucosas muito pálidas Anemia importante
Mucosas ou pele amareladas Icterícia, destruição de hemácias
Sangramento de gengiva ou nariz Queda acentuada de plaquetas
Pontos vermelhos na pele Idem
Urina escura ou avermelhada Destruição de hemácias
Prostração, dificuldade de levantar Gravidade do quadro

Esses são quadros que pioram em horas, não em semanas.

Por que o exame decide

Os sinais das duas doenças se sobrepõem, e um mesmo cão pode ter as duas. Além disso, a babesiose pode ser confundida com outras doenças que causam febre, anemia, destruição de hemácias, icterícia ou urina avermelhada.

Por isso o diagnóstico é laboratorial: o esfregaço sanguíneo corado com Giemsa é descrito como essencial para confirmar a babesiose e diferenciá-la de outras causas de anemia e icterícia, com PCR e sorologia como complemento, e o hemograma mostrando alterações como a queda de plaquetas.

A distinção não é acadêmica: erliquiose é tratada com antibiótico e babesiose com antiparasitário específico. Um não substitui o outro.

O erro que mais custa caro

Interromper o tratamento na melhora.

Na erliquiose, a febre costuma desaparecer em 1 a 2 dias após o início do antibiótico — e o cão volta a comer e a se movimentar. Mas a prescrição é, em geral, de 10 a 21 dias. Parar antes é o caminho conhecido para a forma crônica, que envolve rim, olhos e sistema nervoso e é muito mais difícil de reverter.

O que fazer agora

Se o seu cão apresenta febre, apatia e perda de apetite — com ou sem carrapato visível —, procure o médico-veterinário e leve a informação de exposição a carrapatos. Um único carrapato transmite, e ele pode ter se soltado dias antes.

Este texto é informativo e não substitui a consulta. Diagnóstico e prescrição são atos do médico-veterinário, que é quem examina o animal.

Perguntas frequentes

Dá para saber pelos sintomas se é erliquiose ou babesiose?

Não com segurança. Os sinais iniciais se sobrepõem, e um mesmo cão pode ter as duas infecções. A distinção é feita por exame — o esfregaço sanguíneo corado com Giemsa é descrito como essencial para confirmar a babesiose, e o hemograma e os testes complementares orientam o restante. Como os tratamentos são diferentes, adivinhar não é uma opção.

Meu cão não tem carrapato. Pode ser doença do carrapato?

Pode. Um único carrapato é suficiente para transmitir, e ele pode ter se soltado dias antes de os sinais aparecerem. Ausência de infestação visível no momento da consulta não afasta a suspeita, e o histórico de acesso a ambiente com carrapatos é informação importante para o veterinário.

A febre passou. Posso parar o remédio?

Não. Na erliquiose, a febre costuma desaparecer em 1 a 2 dias após o início do tratamento, mas a medicação é prescrita geralmente por 10 a 21 dias. Interromper na melhora aparente é uma das causas de evolução para a forma crônica, que é bem mais difícil de tratar.

Quais sinais indicam urgência?

Mucosas muito pálidas ou amareladas, sangramento de gengiva ou nariz, pontos vermelhos na pele, urina escura ou avermelhada, fraqueza acentuada, prostração e dificuldade para levantar. Anemia grave e queda acentuada de plaquetas são quadros que pioram rápido.

Fontes

Cada afirmação que depende de norma, número ou procedimento tem origem verificável.

  1. MSD/Merck Veterinary Manual (obra de referência veterinária) · consultado em 06/08/2026

  2. MSD/Merck Veterinary Manual (obra de referência veterinária) · consultado em 05/08/2026

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