Veterinário Raiz
Brasil

Español

Españolem breve

English

Englishem breve
Escolha seu país →

Doença do carrapato em cães: sintomas, tratamento e prevenção

Como prevenir a doença do carrapato: animal e ambiente

Resposta rápida

A prevenção tem duas frentes que precisam andar juntas. No animal: usar preventivos prescritos pelo veterinário, inspecionar diariamente e remover carrapatos com pinça de ponta fina, segurando a cabeça no ponto de penetração na pele e puxando diretamente. No ambiente: o carrapato marrom tem ciclo de três hospedeiros e passa boa parte da vida fora do cão, com ovos levando cerca de 30 dias — e às vezes até dois meses — para eclodir. Por isso o controle ambiental precisa ser mantido por semanas, e não por dias.

Neste artigo
  1. Por que tratar só o cão não funciona
  2. Onde eles estão
  3. A remoção correta
  4. A frente do animal
  5. A frente do ambiente
  6. Sazonalidade: quando apertar
  7. Proteja a família junto
  8. O checklist

Esta é a página mais útil do tema, porque é a única em que você faz alguma coisa — e é também onde a maioria das tentativas falha, sempre pelo mesmo motivo.

Por que tratar só o cão não funciona

O carrapato marrom do cão, Rhipicephalus sanguineus, tem ciclo de três hospedeiros. Isso significa que ele passa boa parte da vida fora do animal.

O que acontece nesse período, segundo a literatura:

Etapa Tempo
Fêmea ingurgitada cai e começa a pôr ovos ~10 dias (favorável) ou várias semanas (desfavorável)
Período de postura, até a fêmea morrer 10 a 30 dias
Incubação até a eclosão ~30 dias, podendo chegar a 2 meses

Some: uma fêmea que caiu do seu cão hoje pode gerar uma nova geração de larvas um a três meses depois.

É isso que explica a sensação de que “os carrapatos voltaram”. Eles não voltaram — nunca pararam. Estavam no ambiente, em outra fase do ciclo, invisíveis para você.

Consequência prática: controle ambiental se mede em semanas, não em dias. Uma aplicação isolada mata o que está exposto agora e não alcança o que vai eclodir depois.

Onde eles estão

Um detalhe que muda a busca: carrapatos se movem muito pouco, percorrem distâncias muito curtas e normalmente não procuram ativamente o hospedeiro. O encontro se dá ao acaso, quando o cão passa por onde eles estão.

Eles não perseguem — esperam parados. Por isso a inspeção do ambiente deve mirar os lugares onde eles se abrigam e onde o cão encosta: cantos, frestas, rachaduras, casinha, tapetes, área de descanso, base de muro, junto a rodapés.

E vale reduzir a culpa: um cão pegar carrapato não é sinal de descuido. É ecologia. O que está sob seu controle não é o encontro — é a frequência dele e o tempo que o carrapato fica.

A remoção correta

O procedimento descrito na literatura de referência:

  1. Pinça de ponta fina
  2. Segure a cabeça do carrapato no ponto em que ele penetra a pele
  3. Puxe diretamente

O que não fazer: torcer, puxar pelo corpo cheio, ou usar fogo, álcool, éter, esmalte ou óleo. Além de não ajudarem na remoção, essas práticas podem estimular o carrapato a regurgitar — o oposto do que se quer.

Use luvas ou evite esmagar o carrapato com as mãos: as riquetsioses transmitidas por carrapatos incluem a febre maculosa, que é zoonose.

A frente do animal

  • Preventivos prescritos pelo veterinário. A escolha depende de espécie, peso, idade, estado de saúde e de quem mais vive na casa. Produto errado ou dose errada intoxica — inclusive produtos de cão usados em gato, o que é causa conhecida de emergência
  • Inspeção diária, sobretudo depois de passeios em área com vegetação
  • Evitar áreas infestadas por carrapatos
  • Todos os animais da casa entram no programa, não só o que teve carrapato

A frente do ambiente

  • Limpeza e organização das áreas onde o cão fica, com atenção a frestas, cantos, rachaduras e locais de abrigo
  • Lavar ou trocar camas, tapetes e panos de descanso
  • Roçar e manter baixa a vegetação no quintal
  • Manter o controle por semanas, e não por uma aplicação, por causa do tempo de eclosão
  • Em infestação estabelecida, procure orientação profissional — veterinário e, quando for o caso, controle de vetores do município

Muitos municípios têm serviços de Controle de Zoonoses que orientam sobre infestação domiciliar. É um recurso público e subutilizado.

Sazonalidade: quando apertar

A maior parte dos casos agudos ocorre nos meses quentes, quando os carrapatos estão ativos.

Mas em clima tropical, com temperatura entre 20 e 28 °C, umidade relativa acima de 75% e precipitação, admite-se a presença de carrapatos durante todos os meses do ano. Em boa parte do Brasil, prevenção sazonal é prevenção incompleta.

Proteja a família junto

A mesma medida que protege o cão protege as pessoas, porque o carrapato também pica gente. As orientações do Ministério da Saúde:

  • Roupas claras, que facilitam enxergar o carrapato
  • Calças e mangas compridas em áreas de risco
  • Repelente
  • Inspecionar o corpo — seu e dos animais
  • Retirar os carrapatos rapidamente, com pinça

Detalhe importante: o cão doente não transmite para você. Quem transmite é o carrapato. Veja doença do carrapato passa para humanos.

O checklist

  1. Preventivo prescrito, para todos os animais da casa
  2. Inspeção diária do animal, com remoção correta
  3. Ambiente tratado, com atenção a frestas e locais de abrigo
  4. Manutenção por semanas, não por dias
  5. Vegetação baixa e áreas de descanso limpas
  6. Sem produto por conta própria — a prescrição existe porque a intoxicação é real

Se um animal da casa já adoeceu, veja o que fazer com os demais em passa de um cachorro para outro.

Perguntas frequentes

Como tirar carrapato do cachorro do jeito certo?

Com pinça de ponta fina, segurando a cabeça do carrapato no ponto em que ele penetra a pele e puxando diretamente. Não torça, não puxe pelo corpo e não use fogo, álcool, éter ou óleo — essas práticas podem fazer o carrapato regurgitar e não ajudam na remoção.

Por que os carrapatos voltam mesmo depois de eu tirar todos?

Porque o carrapato marrom tem ciclo de três hospedeiros e passa boa parte da vida no ambiente. As fêmeas ingurgitadas caem e põem ovos por 10 a 30 dias, e a eclosão leva cerca de 30 dias, podendo chegar a dois meses. A infestação não voltou: ela continuou, em outra fase do ciclo, fora do animal.

Existe época do ano para se preocupar?

A maior parte dos casos agudos ocorre nos meses quentes, mas em clima tropical, com temperatura entre 20 e 28 °C, umidade acima de 75% e chuva, admite-se a presença de carrapatos durante todos os meses do ano. Em boa parte do Brasil não há temporada de folga.

Qual produto usar no meu cão?

A escolha é do veterinário. A recomendação da literatura é usar preventivos prescritos por ele, porque a indicação depende de espécie, peso, idade, estado de saúde e da presença de outros animais e crianças na casa. Produto errado ou dose errada causa intoxicação.

Fontes

Cada afirmação que depende de norma, número ou procedimento tem origem verificável.

  1. Bio-ecologia, importância médico-veterinária e controle de carrapatos — Documentos 104, Embrapa Rondônia, Porto Velho, agosto de 2006, de Luciana Gatto Brito, Francelino Goulart da Silva Netto, Márcia Cristina de Sena Oliveira e Fábio da Silva Barbieri (Rhipicephalus sanguineus está entre as espécies de ciclo de três hospedeiros que ocorrem no Brasil, junto com Ixodes, Amblyomma e Haemaphysalis; as fêmeas ingurgitadas caem na vegetação e iniciam a oviposição em aproximadamente dez dias sob condições favoráveis de temperatura e umidade, podendo levar várias semanas sob condições desfavoráveis; a massa de ovos é colocada em período variável de 10 a 30 dias, quando a fêmea morre, e a eclosão ocorre após incubação de aproximadamente 30 dias, chegando a até dois meses em algumas espécies; diferentemente dos insetos, os carrapatos movem-se muito pouco, percorrem distâncias muito curtas e normalmente não procuram ativamente o hospedeiro, de modo que o encontro se dá ao acaso; em regiões de clima tropical ou equatorial admite-se a presença de carrapatos durante todos os meses do ano quando há temperatura entre 20 e 28 °C, umidade relativa acima de 75% e precipitação; entre as riquetsioses transmitidas por carrapatos no Brasil, as mais importantes são a febre maculosa, que é zoonose, a anaplasmose e a erliquiose, veiculadas principalmente por Amblyomma, Rhipicephalus sanguineus e Rhipicephalus microplus; os reservatórios de Rickettsia rickettsii são roedores e marsupiais silvestres, sendo o homem hospedeiro acidental, e os carrapatos atuam não só como vetores biológicos mas também como reservatórios)oficial

    Embrapa Rondônia · consultado em 06/08/2026

  2. MSD/Merck Veterinary Manual (obra de referência veterinária) · consultado em 06/08/2026

  3. Ministério da Saúde · consultado em 06/08/2026

Continue neste tema

Doença do carrapato em cachorro: o que é de verdadeDoença do carrapato passa de um cachorro para outro?Doença do carrapato passa para humanos?Ver tudo sobre Doença do carrapato em cães: sintomas, tratamento e prevenção