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Doença do carrapato em cães: sintomas, tratamento e prevenção

Doença do carrapato em cachorro: o que é de verdade

Resposta rápida

"Doença do carrapato" é um nome popular que cobre mais de uma doença. As duas mais comuns em cães no Brasil são a erliquiose, causada pela riquétsia Ehrlichia canis, e a babesiose, causada por protozoários do gênero Babesia — ambas transmitidas por carrapatos, entre eles o carrapato marrom do cão. Os sinais iniciais se sobrepõem, mas os agentes são de grupos diferentes e os tratamentos também. Por isso o diagnóstico é laboratorial, e tratar pelo palpite significa, com frequência, tratar a doença errada.

Neste artigo
  1. São doenças diferentes com o mesmo apelido
  2. Por que os sinais iniciais confundem
  3. O diagnóstico é laboratorial
  4. De onde vem: o carrapato marrom
  5. Quando ir agora
  6. O que não fazer
  7. O que levar para a consulta

O nome popular atrapalha o entendimento de um jeito específico: ele sugere que existe uma doença, com um remédio. Não existe.

São doenças diferentes com o mesmo apelido

Erliquiose Babesiose
Agente Ehrlichia canis — uma riquétsia (bactéria) Babesia — um protozoário
O que faz infecta células de defesa; derruba plaquetas destrói hemácias, causando anemia
Sinal marcante linfonodos e baço aumentados, sangramentos anemia, icterícia, febre frequentemente ≥ 41 °C
Tratamento antibiótico prescrito, geralmente 10 a 21 dias antiparasitários específicos

Os dois grupos de medicamentos não se substituem. Antibiótico não trata protozoário. É por isso que “dei o remédio da doença do carrapato e não melhorou” é uma frase comum — e frequentemente significa que a doença era a outra.

Por que os sinais iniciais confundem

Ambas costumam abrir com o mesmo conjunto inespecífico: febre, apatia, fraqueza e perda de apetite. Um cão quieto, comendo menos, “meio parado”.

A separação vem depois, e nem sempre é limpa:

  • Erliquiose — aumento generalizado dos linfonodos, aumento do baço, queda de plaquetas
  • Babesiose — febre alta, frequentemente igual ou superior a 41 °C, evoluindo com anemia, icterícia e perda de peso

Os sinais detalhados de cada uma estão em sintomas da doença do carrapato.

O diagnóstico é laboratorial

Não há como fechar o diagnóstico pela aparência do animal. O que resolve:

  • Erliquiose: exames laboratoriais de sangue
  • Babesiose: o esfregaço sanguíneo corado com Giemsa é descrito como essencial para confirmar, com PCR e sorologia como complemento

Isso não é formalidade. Como os tratamentos são diferentes e um mesmo cão pode ter as duas infecções, adivinhar significa aceitar tratar a doença errada — perdendo dias em uma condição que evolui.

De onde vem: o carrapato marrom

O vetor mais citado é o carrapato marrom do cão, Rhipicephalus sanguineus. Ele tem ciclo de três hospedeiros, o que significa que passa boa parte da vida fora do animal — e é essa característica que faz o ambiente ser tão importante quanto o cão no controle.

Um detalhe que reduz a culpa e melhora a prevenção: carrapatos se movem muito pouco e normalmente não procuram ativamente o hospedeiro. O encontro se dá ao acaso, quando o cão passa onde o carrapato está. Não é descuido do tutor — é ecologia. E é exatamente por isso que tratar o ambiente muda o resultado.

Sazonalidade: a maior parte dos casos agudos de erliquiose ocorre nos meses quentes, quando os carrapatos estão ativos. Mas em clima tropical, com temperatura entre 20 e 28 °C, umidade acima de 75% e chuva, admite-se a presença de carrapatos durante todos os meses do ano.

Quando ir agora

Procure atendimento imediato diante de:

  • Mucosas muito pálidas ou amareladas
  • Sangramento de gengiva ou nariz, ou pontos vermelhos na pele
  • Urina escura ou avermelhada
  • Fraqueza acentuada, prostração, dificuldade para levantar

São sinais de anemia grave ou de queda acentuada de plaquetas — quadros que pioram rápido.

O que não fazer

Não medique por conta. Além do risco de acertar a doença errada, medicação por conta atrasa o diagnóstico e pode alterar exames.

Não interrompa na melhora. Na erliquiose, a febre costuma ceder em 1 a 2 dias após o início do tratamento, mas a medicação é prescrita por 10 a 21 dias. Parar na melhora aparente está entre as causas de evolução para a forma crônica.

Não confie na ausência de carrapato visível. Um único carrapato transmite, e pode ter se soltado dias antes.

O que levar para a consulta

  • Há quanto tempo os sinais começaram e como evoluíram
  • Se o cão teve acesso a ambiente com carrapatos, mesmo que você não tenha visto nenhum
  • Se houve carrapato em outros animais da casa
  • Medicações já dadas, incluindo as por conta própria
  • Se houve sangramento, urina escura ou mudança na cor da gengiva

Este conteúdo é pesquisado e referenciado, e serve para reconhecer sinais e preparar a consulta. Diagnóstico e tratamento são do médico-veterinário, com exame do animal.

Perguntas frequentes

Doença do carrapato é uma doença só?

Não. É um nome popular que cobre mais de uma doença transmitida por carrapatos. As duas mais citadas em cães são a erliquiose, causada pela riquétsia Ehrlichia canis, e a babesiose, causada por protozoários do gênero Babesia. São agentes de grupos biológicos diferentes, com tratamentos diferentes.

Meu cão pode ter as duas ao mesmo tempo?

Pode. As duas são transmitidas pelos mesmos carrapatos, então o mesmo animal pode ser exposto a mais de um agente. É mais um motivo para o diagnóstico ser laboratorial e não por dedução a partir dos sinais.

Nunca vi carrapato no meu cão. Ele está livre?

Não necessariamente. Um único carrapato transmite, e ele pode ter se soltado dias antes de os sinais aparecerem. Ausência de carrapato visível no momento da consulta não afasta a suspeita — o histórico de acesso a ambiente com carrapatos é a informação relevante.

Existe época do ano de maior risco?

A maior parte dos casos agudos de erliquiose ocorre nos meses quentes, quando os carrapatos estão ativos. Mas em clima tropical, com temperatura entre 20 e 28 °C, umidade acima de 75% e chuva, admite-se a presença de carrapatos durante todos os meses do ano.

Fontes

Cada afirmação que depende de norma, número ou procedimento tem origem verificável.

  1. MSD/Merck Veterinary Manual (obra de referência veterinária) · consultado em 06/08/2026

  2. MSD/Merck Veterinary Manual (obra de referência veterinária) · consultado em 05/08/2026

  3. Bio-ecologia, importância médico-veterinária e controle de carrapatos — Documentos 104, Embrapa Rondônia, Porto Velho, agosto de 2006, de Luciana Gatto Brito, Francelino Goulart da Silva Netto, Márcia Cristina de Sena Oliveira e Fábio da Silva Barbieri (Rhipicephalus sanguineus está entre as espécies de ciclo de três hospedeiros que ocorrem no Brasil, junto com Ixodes, Amblyomma e Haemaphysalis; as fêmeas ingurgitadas caem na vegetação e iniciam a oviposição em aproximadamente dez dias sob condições favoráveis de temperatura e umidade, podendo levar várias semanas sob condições desfavoráveis; a massa de ovos é colocada em período variável de 10 a 30 dias, quando a fêmea morre, e a eclosão ocorre após incubação de aproximadamente 30 dias, chegando a até dois meses em algumas espécies; diferentemente dos insetos, os carrapatos movem-se muito pouco, percorrem distâncias muito curtas e normalmente não procuram ativamente o hospedeiro, de modo que o encontro se dá ao acaso; em regiões de clima tropical ou equatorial admite-se a presença de carrapatos durante todos os meses do ano quando há temperatura entre 20 e 28 °C, umidade relativa acima de 75% e precipitação; entre as riquetsioses transmitidas por carrapatos no Brasil, as mais importantes são a febre maculosa, que é zoonose, a anaplasmose e a erliquiose, veiculadas principalmente por Amblyomma, Rhipicephalus sanguineus e Rhipicephalus microplus; os reservatórios de Rickettsia rickettsii são roedores e marsupiais silvestres, sendo o homem hospedeiro acidental, e os carrapatos atuam não só como vetores biológicos mas também como reservatórios)oficial

    Embrapa Rondônia · consultado em 06/08/2026

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