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É a vaca mais citada da pecuária leiteira brasileira e também a mais mal nomeada. A confusão tem consequência direta no preço que se paga por um animal.
O que a raça é, oficialmente
O Ministério da Agricultura, pela Portaria 79, de 7 de fevereiro de 1996, oficializou a criação da raça Girolando: cruzamento de Holandês com Gir Leiteiro, com a composição de 5/8 de sangue Holandês + 3/8 de Gir.
O registro genealógico cabe à Associação Brasileira de Criadores de Girolando, com sede em Uberaba (MG). É uma raça sintética bimestiça, de dupla aptidão, desenvolvida no Brasil para a região tropical e subtropical.
O que quase todo mundo chama de girolanda
A Embrapa Gado de Leite é explícita a respeito:
Ressalte-se que o termo “Girolando” é empregado de modo errado. O correto é dizer “animais mestiços”.
Gado mestiço, na pecuária leiteira, é o animal derivado do cruzamento de uma raça europeia especializada em leite — Holandês, Jersey, Suíça-Parda — com uma raça zebuína: Gir Leiteiro, Guzerá, Sindi ou Indubrasil.
O cruzamento mais comum é Holandês com Gir Leiteiro. Existem outros, com nomes formados pela mesma lógica: Guzolando (Holandês x Guzerá) e Nerolando (Holandês x Nelore) — este último com produção de leite mais baixa, já que o Nelore é essencialmente raça de corte.
Na prática do comprador: “vaca girolanda” em anúncio quase sempre é mestiça sem registro. Pode ser excelente animal — mas registro genealógico e grau de sangue verificado custam caro justamente porque são verificáveis. Pergunte qual o grau de sangue e se há registro na associação.
Como se chega ao 5/8
O caminho mais comum documentado pela Embrapa:
- Touro Holandês PO provado × vaca Gir Leiteiro → F1 HG (meio-sangue)
- Fêmeas F1 × touro Gir Leiteiro provado → 1/4 H + 3/4 G
- Fêmeas 1/4 H + 3/4 G × touro Holandês PO → 5/8 H + 3/8 G
- Animais 5/8 acasalados entre si → bimestiço Girolando
Existe um segundo caminho, partindo do F1 cruzado com Holandês PO para obter 3/4 H, depois acasalado com touro meio-sangue. O problema desse é a escassez de touros meio-sangue e 3/4 provados para leite.
O tempo para estabilizar a raça em 5/8 é considerável: no mínimo de 10 a 15 anos. Para acelerar, o produtor pode comprar fêmeas 3/4 H + 1/4 G e cruzá-las com touro meio-sangue, ou usar fêmeas meio-sangue com touro 3/4.
Por que o meio-sangue produz tão bem
A heterose, ou vigor híbrido, faz os filhos superarem a média dos pais. Nos cruzamentos entre Holandês e zebuínos, a pesquisa registra heterose de 17,3% a 28% para produção de leite — e ela é máxima no F1.
O F1 HZ junta a aptidão leiteira e a precocidade do Holandês com a resistência a ectoparasitas, a tolerância ao calor e a rusticidade do zebu. É por isso que cerca de 70% do leite brasileiro vem de vacas mestiças Holandês-Zebu.
Detalhe que resolve uma dúvida comum: geneticamente tanto faz cruzar vaca Gir com touro Holandês ou vaca Holandesa com touro Gir Leiteiro — o potencial do F1 é o mesmo. Pode haver efeito materno no tamanho: filhas de vacas Holandesas tendem a ser maiores.
De onde vem o lado Gir
Segundo a ABCZ, o Gir tem produção média de 3.745,50 kg por lactação, com 4,43% de gordura e 3,34% de proteína, e mais de 807 mil animais registrados. É tradicionalmente o grande fornecedor de genética leiteira zebuína e serviu de base para a fundação do próprio Girolando.
Desde 1993 o Brasil dispõe de touros Gir Leiteiro provados e selecionados para produção de leite, o que mudou a estratégia de cruzamento: antes se partia obrigatoriamente de vacas Gir com touro Holandês; hoje o recíproco também é viável.
O que isso significa na sua compra
- Pergunte o grau de sangue, não o nome. “Girolanda” não informa nada sozinho.
- Peça o registro, se o preço é de animal registrado.
- Verifique se os touros usados eram provados para leite — o desempenho do F1 depende da genética dos dois pais.
- Compatibilize com o seu sistema. A Embrapa indica Girolando prioritariamente para sistemas com média abaixo de 3.000 kg/lactação, e mestiças em geral para a faixa de 3.500 a 4.500 kg.
O quadro completo das raças e dos níveis de rebanho está em raças bovinas, e o manejo do rebanho, em gado leiteiro.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre Girolando e vaca mestiça?
Girolando é a raça registrada, com composição definida de 5/8 Holandês e 3/8 Gir Leiteiro, oficializada por portaria do MAPA em 1996 e registrada pela Associação Brasileira de Criadores de Girolando. Mestiça é qualquer cruzamento de raça europeia com zebuína, em qualquer grau de sangue. A Embrapa registra que usar "Girolando" para toda mestiça é incorreto.
Quanto leite dá uma vaca girolanda?
Depende do grau de sangue e, principalmente, do sistema de produção. Como referência histórica da própria raça, em 1989 a média era de 240 dias de lactação, 1.990 kg por lactação e 8,29 litros por vaca/dia, e esses índices evoluíram bastante com o melhoramento genético. O sistema intensivo a pasto da Embrapa, com rebanho Girolando, trabalha hoje com meta de 20 L/vaca/dia.
Girolando serve para carne também?
É classificada como raça de dupla aptidão, adaptada aos trópicos. Vale a ressalva sobre cruzamentos: a partir do grau de sangue 3/4 HZ, os machos deixam de ser bons para criação de corte.
Quanto tempo leva para formar um rebanho Girolando?
No mínimo de 10 a 15 anos para estabilizar a raça em 5/8 Holandês + 3/8 Gir. É possível acelerar comprando fêmeas 3/4 H + 1/4 G e cruzando com touro meio-sangue, ou usando fêmeas meio-sangue com touro 3/4.
Fontes
Cada afirmação que depende de norma, número ou procedimento tem origem verificável.
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