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Doença do carrapato em cães: sintomas, tratamento e prevenção

Erliquiose canina: fases, sinais e diagnóstico

Resposta rápida

A erliquiose canina é causada pela riquétsia Ehrlichia canis, transmitida por carrapatos. Os sinais clínicos geralmente evoluem da forma aguda para a crônica. Na fase aguda há febre, linfonodos aumentados, aumento do baço e queda de plaquetas; a maior parte dos casos ocorre nos meses quentes, a morte é rara e a recuperação espontânea é possível. A fase crônica pode surgir em cães de qualquer raça, com predisposição descrita no Pastor-Alemão, e envolve insuficiência renal e inflamação de pulmões, olhos, cérebro e medula, com perda de peso acentuada.

Neste artigo
  1. O agente
  2. A fase aguda
  3. A fase crônica
  4. Por que a fase importa tanto
  5. O diagnóstico
  6. Tratamento: o número que precisa ser respeitado
  7. Quando é urgência
  8. Prevenção

Entender que a erliquiose tem fases é o que separa um caso resolvido de um caso arrastado. A doença não é a mesma no primeiro mês e no sexto.

O agente

A erliquiose canina é causada pela riquétsia Ehrlichia canis, transmitida por carrapatos — entre eles o carrapato marrom do cão.

Riquétsia é uma bactéria. Isso não é curiosidade taxonômica: é o que explica por que o tratamento é com antibiótico prescrito e por que antiparasitário — usado na babesiose — não resolve aqui.

A fase aguda

É a fase em que a maior parte dos casos aparece, e ela tem calendário: a maior parte dos casos agudos ocorre nos meses quentes, quando os carrapatos estão ativos.

O que marca:

  • Febre
  • Linfonodos aumentados — o aumento generalizado das “ínguas” é um dos sinais mais característicos
  • Aumento do baço
  • Queda de plaquetas

E dois dados que precisam ser lidos juntos, na ordem certa:

A morte é rara nessa fase, e a recuperação espontânea é possível.

Os sinais clínicos geralmente evoluem da forma aguda para a crônica.

O primeiro dado, sozinho, sugere que dá para esperar. O segundo explica por que não dá. Recuperação espontânea possível não é recuperação provável — e o preço de apostar nela é a fase seguinte.

A fase crônica

Aqui a doença muda de categoria. A infecção de longa duração pode se desenvolver em cães de qualquer raça, com predisposição descrita no Pastor-Alemão.

O que ela envolve:

  • Insuficiência renal
  • Inflamação de pulmões, olhos, cérebro e medula
  • Perda de peso acentuada
  • Contagens sanguíneas anormalmente baixas

Repare no alcance: rim, pulmão, olho, sistema nervoso central e medula óssea. Não é uma doença de sangue que ficou mais longa — é um quadro multissistêmico.

E há a marca temporal que dimensiona o problema: casos crônicos podem manter alterações sanguíneas por 3 a 6 meses, mesmo em tratamento.

Por que a fase importa tanto

Aguda Crônica
Quando aparece meses quentes, carrapato ativo evolução da aguda não resolvida
Gravidade morte rara multissistêmica
Recuperação espontânea descrita como possível não
Alterações no sangue queda de plaquetas contagens anormalmente baixas, por 3 a 6 meses

Essa tabela é o argumento inteiro a favor de procurar atendimento cedo. Não porque a fase aguda seja assustadora — ela geralmente não é. Mas porque é a única janela em que o caso ainda é simples.

O diagnóstico

Exames laboratoriais de sangue. Não existe atalho.

O motivo é concreto: os sinais iniciais da erliquiose se sobrepõem aos de outras doenças transmitidas por carrapatos, e um mesmo cão pode ter mais de uma infecção. Como os tratamentos são diferentes, tratar pela suspeita significa aceitar a chance de tratar a coisa errada.

Vale levar à consulta o histórico de exposição a carrapatos — mesmo que você nunca tenha visto um no animal.

Tratamento: o número que precisa ser respeitado

O tratamento é com antibiótico prescrito, geralmente por 10 a 21 dias.

E aqui está a armadilha: a febre costuma desaparecer em 1 a 2 dias nos casos agudos.

Um a dois dias de melhora contra dez a vinte e um dias de prescrição. É nessa distância que mora a interrupção precoce — e a interrupção precoce está entre as causas de evolução para a forma crônica, que é justamente a fase multissistêmica descrita acima.

O detalhamento de como o tratamento é conduzido está em tratamento da doença do carrapato.

Quando é urgência

Procure atendimento imediato se aparecerem:

  • Sangramento de gengiva ou nariz, ou pontos vermelhos na pele
  • Mucosas muito pálidas
  • Prostração acentuada ou dificuldade para levantar
  • Alterações visuais ou neurológicas — desorientação, tropeços, convulsão

Queda acentuada de plaquetas e comprometimento de sistema nervoso central não esperam consulta agendada.

Prevenção

O que a fonte recomenda:

  • Evitar áreas infestadas por carrapatos
  • Usar preventivos prescritos pelo veterinário
  • Retirar os carrapatos com pinça de ponta fina, segurando a cabeça no ponto de penetração na pele e puxando diretamente

O controle do ambiente — que é onde o carrapato marrom passa boa parte da vida — está em como prevenir a doença do carrapato.

Este conteúdo é pesquisado e referenciado. Diagnóstico, prescrição e acompanhamento são do médico-veterinário.

Perguntas frequentes

O que causa a erliquiose canina?

A riquétsia Ehrlichia canis, transmitida por carrapatos — entre eles o carrapato marrom do cão, Rhipicephalus sanguineus. Riquétsias são bactérias, o que explica por que o tratamento é com antibiótico prescrito, e não com antiparasitário.

A erliquiose pode se curar sozinha?

Na fase aguda, a morte é rara e a recuperação espontânea é descrita como possível. Isso não torna seguro esperar: a evolução dos sinais é geralmente da forma aguda para a crônica, e a fase crônica é bem mais grave. Recuperação possível não é recuperação provável.

Alguma raça é mais afetada?

A forma crônica pode se desenvolver em cães de qualquer raça, mas há predisposição descrita no Pastor-Alemão. Isso não protege as demais raças nem dispensa investigação em nenhuma delas.

Como se confirma a erliquiose?

Por exames laboratoriais de sangue. Não há como fechar o diagnóstico pela aparência do animal, porque os sinais iniciais se sobrepõem aos de outras doenças transmitidas por carrapatos, e um mesmo cão pode ter mais de uma infecção.

Fontes

Cada afirmação que depende de norma, número ou procedimento tem origem verificável.

  1. MSD/Merck Veterinary Manual (obra de referência veterinária) · consultado em 06/08/2026

  2. Bio-ecologia, importância médico-veterinária e controle de carrapatos — Documentos 104, Embrapa Rondônia, Porto Velho, agosto de 2006, de Luciana Gatto Brito, Francelino Goulart da Silva Netto, Márcia Cristina de Sena Oliveira e Fábio da Silva Barbieri (Rhipicephalus sanguineus está entre as espécies de ciclo de três hospedeiros que ocorrem no Brasil, junto com Ixodes, Amblyomma e Haemaphysalis; as fêmeas ingurgitadas caem na vegetação e iniciam a oviposição em aproximadamente dez dias sob condições favoráveis de temperatura e umidade, podendo levar várias semanas sob condições desfavoráveis; a massa de ovos é colocada em período variável de 10 a 30 dias, quando a fêmea morre, e a eclosão ocorre após incubação de aproximadamente 30 dias, chegando a até dois meses em algumas espécies; diferentemente dos insetos, os carrapatos movem-se muito pouco, percorrem distâncias muito curtas e normalmente não procuram ativamente o hospedeiro, de modo que o encontro se dá ao acaso; em regiões de clima tropical ou equatorial admite-se a presença de carrapatos durante todos os meses do ano quando há temperatura entre 20 e 28 °C, umidade relativa acima de 75% e precipitação; entre as riquetsioses transmitidas por carrapatos no Brasil, as mais importantes são a febre maculosa, que é zoonose, a anaplasmose e a erliquiose, veiculadas principalmente por Amblyomma, Rhipicephalus sanguineus e Rhipicephalus microplus; os reservatórios de Rickettsia rickettsii são roedores e marsupiais silvestres, sendo o homem hospedeiro acidental, e os carrapatos atuam não só como vetores biológicos mas também como reservatórios)oficial

    Embrapa Rondônia · consultado em 06/08/2026

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