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Compostagem com esterco de animais: como fazer

Resposta rápida

Para compostar esterco de animais, monte uma pilha em camadas de material vegetal (capins, palhadas) e esterco na proporção de cerca de 3 para 1 em volume, molhando cada camada. A Embrapa Hortaliças usa pilhas de 10 m por 1,0 m de largura e 1,5 m de altura, revira a cada 15 dias, quatro vezes, e deixa descansar mais 30 dias. A pilha deve aquecer a 50 a 65 °C e manter 55% a 65% de umidade. O composto fica pronto em 80 a 90 dias, escuro, com cheiro de terra e por volta de 30 °C.

Pilha de compostagem com esterco e palha sendo revirada com forcado, com vapor saindo do interior
O vapor na reviragem mostra a pilha aquecida, sinal de decomposição ativa.
Neste artigo
  1. O que é compostagem e por que usar esterco?
  2. Por que não usar o esterco fresco direto?
  3. Que materiais usar?
  4. Qual a proporção entre capim e esterco?
  5. Onde montar a pilha?
  6. Qual o tamanho da pilha?
  7. Como montar as camadas?
  8. Como controlar temperatura, umidade e ar?
  9. Quando e como revirar?
  10. Como saber que o composto está pronto?
  11. Quanto composto se obtém e como usar?
  12. Posso colocar esterco na irrigação por gotejamento?
  13. Quais erros são mais comuns?
  14. E o esterco de animais doentes?
  15. Dá para fazer compostagem em pequena escala?
  16. Que cuidados de segurança tomar ao manusear esterco e composto?
  17. Resumo

Quem cria animais na chácara produz, todos os dias, um adubo em potencial. O esterco das galinhas, das codornas, das cabras e a cama trocada do galinheiro podem virar composto de boa qualidade — ou um monte malcheiroso cheio de moscas. A diferença está em como a pilha é montada e cuidada.

Este guia segue o método da Embrapa Hortaliças, desenvolvido para pequenas propriedades com materiais fáceis de encontrar. Ele faz parte da seção chácara e pequena criação.

O que é compostagem e por que usar esterco?

A Embrapa Hortaliças define a compostagem como uma técnica simples que transforma sobras de materiais vegetais, pela adição de estercos de qualquer origem, em compostos ricos em nutrientes para adubar as culturas.

Quem faz o trabalho são organismos — de minhocas, besouros e formigas a fungos, bactérias e actinomicetos, os mais importantes no processo. O esterco entra como fonte de nitrogênio e de microrganismos que aceleram a decomposição do material vegetal.

Quanto mais variados os resíduos, mais completo o composto em nutrientes: restos de cultura, palhadas, capins, folhas e esterco, todos comuns na chácara.

Por que não usar o esterco fresco direto?

Porque o esterco fresco ainda está se decompondo. Aplicado direto, pode:

  • prejudicar as raízes enquanto fermenta no solo;
  • trazer sementes de plantas daninhas e agentes de doença;
  • atrair moscas e gerar mau cheiro.

Na compostagem, os microrganismos aquecem a pilha a 50 a 65 °C, o material se estabiliza e o resultado é um adubo que, segundo a Embrapa, pode ser usado sem restrições em todas as culturas, melhorando a estrutura, a vida e a fertilidade do solo.

Que materiais usar?

A receita testada pela Embrapa Hortaliças usa:

  • Capim braquiária roçado;
  • Capim napier triturado;
  • Esterco de aves (cama de matrizes de frango);
  • Termofosfato;
  • Água.

Na chácara, dá para adaptar: capim de roçada, palhada, folhas secas, restos de horta e o esterco e a cama dos seus próprios animais. Picar o capim acelera muito a decomposição — um triturador forrageiro ajuda quando o volume é grande.

As ferramentas básicas são pá, garfo (forcado), rastelo, carrinho de mão e mangueira.

Qual a proporção entre capim e esterco?

A Embrapa Hortaliças trabalha com a proporção de 3 partes de material vegetal para 1 de esterco, em volume. Na pilha completa da receita:

Material Quantidade total
Cama de matrizes de frango 60 carrinhos de mão
Capim braquiária roçado 60 carrinhos de mão
Capim napier triturado 120 carrinhos de mão
Termofosfato 39 kg

São 240 carrinhos de mão de material. Para uma pilha menor, mantenha a proporção e reduza tudo.

Onde montar a pilha?

O local deve ser protegido de ventos e de sol direto, bem drenado, levemente inclinado, e a pilha não deve encostar em paredes. Quando possível, galpão ou local coberto com piso de cimento melhora a eficiência e reduz perdas de nutrientes pela chuva.

É fundamental ficar perto de uma fonte de água, porque a pilha é molhada na montagem e em cada reviragem. Em chácara, o melhor ponto costuma ser entre os abrigos dos animais e a horta — veja chácara: como organizar uma pequena criação.

Qual o tamanho da pilha?

A recomendação da Embrapa Hortaliças é 10 m de comprimento, 1,0 m de largura e 1,5 m de altura. Essas medidas facilitam a reviragem e mantêm o calor no interior.

Pilhas muito pequenas perdem calor e demoram mais; muito altas ou largas compactam e ficam sem ar no meio. Em quintal, é comum fazer pilhas mais curtas, mantendo largura e altura parecidas.

Como montar as camadas?

A pilha da Embrapa tem quatro camadas. Nas três primeiras, cada camada leva capim roçado, capim triturado, termofosfato e esterco; a quarta fecha com capim.

Em cada camada da receita:

  • 15 carrinhos de capim braquiária roçado;
  • 30 carrinhos de capim napier triturado;
  • 13 kg de termofosfato;
  • 20 carrinhos de cama de aviário.

Depois de cada camada, molhe por alguns minutos, até a água começar a escorrer pelas bordas. Na montagem, a Embrapa indica umidade de 60% a 80%.

Como controlar temperatura, umidade e ar?

As três condições que fazem a pilha funcionar, segundo a Embrapa Hortaliças:

Temperatura. Os microrganismos produzem calor, em torno de 50 °C a 65 °C. O teste é com a mão no meio da pilha:

  • Boa: quente, mas dá para manter a mão.
  • Alta demais: não dá para manter a mão.
  • Baixa: revire para reativar a decomposição.

Umidade. A faixa adequada durante o processo é de 55% a 65%. Aperte um punhado:

  • Esfarela: seca demais — molhe.
  • Molda na mão: certa.
  • Escorre água: molhada demais — acrescente palha seca e revire.

Aeração. Ideal entre 10% e 17% de oxigênio — por isso a pilha não deve ser compactada. Cheiro ruim indica falta de ar. Sem oxigênio, a decomposição fica lenta e, com excesso de umidade, o material apodrece.

Quando e como revirar?

A Embrapa Hortaliças faz quatro reviragens:

  • a primeira 15 dias após a montagem;
  • as seguintes a cada 15 dias;
  • depois da última, 30 dias de descanso.

Para revirar, marque uma nova área ao lado da pilha (deixando cerca de 50 cm de espaço) e transfira o material invertendo a ordem: o que estava nas bordas vai para o centro, e o de cima vai para baixo. Molhe se necessário, com o mesmo critério da montagem.

Revirar coloca oxigênio, reduz o gás carbônico e faz o material da superfície entrar no processo, tornando a compostagem mais rápida.

Como saber que o composto está pronto?

Segundo a Embrapa Hortaliças, cerca de 80 a 90 dias após a montagem o composto:

  • fica com cor escura;
  • tem cheiro característico de terra;
  • a temperatura cai para cerca de 30 °C.

Com essas características, está pronto para usar.

Quanto composto se obtém e como usar?

Uma pilha de 1,0 × 1,5 × 10,0 m rende cerca de 1.900 kg de composto pronto, suficiente para adubar de 650 a 2.000 m² de canteiros, com a recomendação de 1 a 3 kg por m².

Nos testes da Embrapa Hortaliças, o composto de capins e cama de aviário foi a melhor opção para alface e cenoura entre as fontes de matéria orgânica estudadas. Além de nutrir, o composto aumenta a infiltração e a retenção de água nos canteiros, o que gera economia de água.

Posso colocar esterco na irrigação por gotejamento?

Não. A Embrapa Semiárido, ao descrever o gotejamento por gravidade para hortas, alerta que não se deve aplicar produtos insolúveis, como o esterco, pelo sistema de irrigação — eles entopem os gotejadores. O composto vai no solo dos canteiros; pelo gotejamento só passam fertilizantes solúveis. Mais em irrigação por gotejamento na horta.

Quais erros são mais comuns?

  • Só esterco, sem capim. A pilha fica pastosa, sem ar e malcheirosa.
  • Pilha seca. Não esquenta e não decompõe.
  • Pilha encharcada. Apodrece e cheira mal.
  • Compactar a pilha pisando em cima.
  • Nunca revirar. O material da superfície não composta.
  • Colocar restos de carne, que atraem moscas, ratos e cães.
  • Usar antes do tempo, ainda quente e com cheiro de esterco.

E o esterco de animais doentes?

Animais mortos ou cama de lote com doença confirmada devem seguir a orientação do médico-veterinário e do serviço oficial, e não ir para a pilha de composto da horta. A biosseguridade da criação vem antes do aproveitamento do resíduo — veja doenças de galinha: bouba e coriza.

Dá para fazer compostagem em pequena escala?

Dá. A receita da Embrapa Hortaliças foi pensada para produzir cerca de duas toneladas por pilha, mas os princípios funcionam em escala menor:

  • Mantenha a proporção de cerca de 3 partes de capim e palha para 1 de esterco.
  • Mantenha largura e altura próximas de 1,0 m e 1,5 m e reduza o comprimento — pilhas muito baixas não aquecem.
  • Use uma baia de tábuas ou tela para conter o material num quintal.
  • Faça duas pilhas alternadas: enquanto uma está em compostagem, a outra recebe o esterco e a cama do dia a dia.

O tempo de preparo também é modesto: a Embrapa estimou cerca de 14 horas de trabalho para preparar os materiais e montar uma pilha completa e 16 horas para as quatro reviragens. Em escala de quintal, isso cai bastante. Ter um forcado bom e um carrinho de mão faz mais diferença do que qualquer equipamento caro.

Que cuidados de segurança tomar ao manusear esterco e composto?

Esterco fresco pode conter microrganismos que causam doenças em pessoas. Por isso, alguns cuidados simples valem para todo o processo:

  • Use luvas e calçado fechado ao montar e revirar a pilha.
  • Lave bem as mãos depois do trabalho, antes de comer ou mexer no rosto.
  • Evite levantar poeira ao revirar material seco; umedecer antes ajuda.
  • Monte a pilha longe de poços, nascentes e cursos d’água, para que o líquido escorrido não contamine a água.
  • Mantenha crianças e animais domésticos afastados da pilha em formação.
  • Use só composto bem curado em hortaliças que são comidas cruas e lave bem as folhas antes de consumir.

Ferramentas usadas na pilha, como forcado e enxada, também merecem limpeza antes de voltar para a horta. São hábitos que tomam poucos minutos e reduzem muito o risco de levar contaminação do esterco para a mesa.

Resumo

Monte a pilha com cerca de 3 partes de capim e palha para 1 de esterco, em camadas molhadas, num local drenado, protegido e perto da água. Mantenha 50 a 65 °C e 55% a 65% de umidade, revire a cada 15 dias por quatro vezes e deixe descansar 30 dias. Em 80 a 90 dias, o esterco da criação vira um composto escuro, com cheiro de terra, pronto para 1 a 3 kg por metro quadrado de horta.

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Perguntas frequentes

Qual esterco pode ser usado na compostagem?

A Embrapa Hortaliças descreve a compostagem como a transformação de sobras vegetais pela adição de estercos de qualquer origem. Na receita testada, o esterco é cama de aviário de matrizes. Esterco de galinha, codorna, cabra, cavalo e boi funciona bem misturado a capins e palhadas.

Quanto tempo demora a compostagem?

No método da Embrapa Hortaliças, cerca de 80 a 90 dias após a montagem da pilha, com quatro reviragens a cada 15 dias e mais 30 dias de descanso. Pilhas menores, pouco reviradas ou secas demais levam mais tempo.

Posso usar esterco fresco direto na horta?

Não é o ideal. O esterco fresco pode queimar raízes, trazer sementes de plantas daninhas e agentes de doença, e atrair moscas. A compostagem aquece a pilha a 50 a 65 °C, estabiliza o material e resulta num adubo que a Embrapa indica usar sem restrições em todas as culturas.

Como saber se a umidade do composto está certa?

Aperte um punhado na mão. Se esfarela, está seco. Se dá para moldar, está certo. Se escorre água entre os dedos, está molhado demais. A faixa ideal citada pela Embrapa Hortaliças durante o processo é de 55% a 65% de umidade.

Composto com cheiro ruim está estragado?

Cheiro ruim indica falta de ar, geralmente por excesso de umidade ou pilha compactada. Revire a pilha, afofe o material e, se estiver encharcado, acrescente palha seca. Composto pronto tem cheiro de terra.

Quanto composto usar na horta?

A Embrapa Hortaliças recomenda de 1 a 3 kg por metro quadrado de canteiro. Uma pilha de 10 m por 1,0 m por 1,5 m rende cerca de 1.900 kg, suficiente para adubar de 650 a 2.000 m² de canteiros.

Fontes

  1. Instruções práticas para produção de composto orgânico em pequenas propriedades — Comunicado Técnico 53, Embrapa Hortaliças (2008): pilha de 10 m x 1,0 m x 1,5 m em camadas de capins e cama de aviário na proporção 3:1, umidade de 60% a 80% na montagem e 55% a 65% no processo, temperatura de 50 °C a 65 °C, quatro reviragens a cada 15 dias, descanso de 30 dias, composto pronto em 80 a 90 dias com cerca de 30 °C, cor escura e cheiro de terra; rendimento de cerca de 1.900 kg, para 1 a 3 kg/m² de canteiro↗
  2. Sistema de gotejamento por gravidade para a irrigação de hortas — Instruções Técnicas 122, Embrapa Semiárido (2015): hortas de até 500 m²; caixa d'água de 1,5 m a 2,0 m de altura; registro de esfera de 20 mm, filtro de discos, mangueiras de polietileno de 20 mm e mangueiras gotejadoras com vazão de 1,7 L/h; duas linhas por canteiro de 1,20 m em solo arenoso e uma em solo argiloso; caixa de 1.000 L para horta de 200 m² fornece lâmina de 5 mm; limpeza do filtro e hipoclorito uma vez ao mês; não aplicar esterco pelo sistema↗

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