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Por que o casqueamento do cavalo é importante?
A cartilha de casqueamento da Embrapa Pantanal resume bem: o casco é a base de sustentação de todo o peso do cavalo. Quando está crescido ou desnivelado, afeta articulações e tendões, a qualidade da locomoção e o desempenho no trabalho.
Anatomia do casco
| Parte | Onde fica |
|---|---|
| Pinça | Parte da frente da muralha |
| Quarto | Laterais da muralha |
| Talão | Parte de trás do casco |
| Muralha | Parede externa, a parte visível com a pata no chão |
| Sola | Face de baixo, por dentro da muralha |
| Ranilha | Estrutura em forma de “V” na sola, com sulcos laterais e central |
| Linha branca | Faixa que une a sola à muralha |
- Pinça — parte da frente da muralha
- Quarto — cada lateral da muralha
- Muralha — parede externa, a parte visível com a pata no chão
- Linha branca — faixa que une a sola à muralha; referência para o contorno
- Sola — face de baixo, por dentro da muralha
- Ranilha — estrutura em "V", com sulcos laterais e central
- Talões — parte de trás do casco, de cada lado da ranilha
Ferramentas
A Embrapa lista o material necessário:
- gancho, para limpar;
- rinetes e alcetes, para desgastar a sola;
- turquês, para aparar a muralha;
- canivete e tesoura;
- grosa, para nivelar e arredondar;
- luvas de couro, para proteger as mãos.

- Muralha — a parede do casco, que cresce da coroa para baixo
- Linha branca — a junção entre muralha e sola
- Sola — levemente côncava
- Ranilha — a cunha elástica em V, com a ponta virada para a pinça
- Lacunas laterais — os sulcos dos lados da ranilha
- Lacuna central — o sulco no meio da ranilha
- Talões — bulbos na parte de trás
- Barras — dobra da muralha no talão, ao lado da ranilha
- Pinça — a frente do casco
- Coroa — faixa no topo do casco, de onde a muralha cresce
- Quartela — a região acima do casco
Como fazer o casqueamento de cavalo, passo a passo?
- Retire a sujeira do casco com o gancho.
- Observe se há machucados, brocas ou sinais de dor.
- Desgaste a sola com o rinete, sem exagerar.
- Contorne a linha branca, retirando o excesso.
- Refaça com o canivete os sulcos laterais e central da ranilha.
- Apare a muralha com a turquês.
- Nivele sola e muralha com a grosa.
- Grose a muralha e arredonde o contorno.
- Observe com atenção o nivelamento e o ângulo do casco.
- Finalize com a solução indicada na cartilha.
A Embrapa também orienta conferir os aprumos com o cavalo em pé: de lado, de frente e por trás, checando se o casco ficou nivelado.
Como preparar o cavalo e o local
Antes de pegar a ferramenta, organize o ambiente:
- Escolha um piso firme, plano e limpo, onde dê para ver o casco no chão e conferir o nivelamento.
- Contenha o animal com segurança. O guia do CONCEA recomenda não amarrar o equino pelo pescoço, para prevenir asfixia, e sugere brete individual com piso não escorregadio.
- Tenha um ajudante para segurar o cabresto e acalmar o cavalo.
- Separe todo o material antes de começar: gancho, rinete, turquês, canivete, grosa e luvas.
- Comece sempre pela mesma pata e siga uma ordem, para criar rotina para você e para o animal.
Ruídos altos e desconhecidos estressam os equídeos, segundo o CONCEA. Trabalhe num lugar calmo, sem máquina ligada por perto.
Postura de quem casqueia
- Fique ao lado do cavalo, nunca atrás, e mantenha contato com a mão no corpo dele para que saiba onde você está.
- Levante a pata deslizando a mão pela perna e peça com calma.
- Apoie a pata no seu joelho ou entre as pernas, sem torcer a articulação do animal.
- Se o cavalo puxar a pata, solte e recomece. Brigar com ele ensina a resistir.
- Faça pausas: pata levantada muito tempo cansa o cavalo e o casqueador.
Erros comuns
| Erro | Consequência |
|---|---|
| Desgastar sola demais | Casco sensível e dor ao pisar |
| Cortar muralha de um lado só | Casco desnivelado e aprumo torto |
| Retirar ranilha em excesso | Perde-se parte da estrutura que amortece |
| Não conferir o cavalo em pé | Desnível passa despercebido |
| Insistir com animal agitado | Risco de acidente para pessoa e cavalo |
Quais sinais mostram que o casco precisa de atenção?
Observe o casco com regularidade, e não só no dia do casqueamento:
- muralha lascada ou rachada;
- casco crescido, com a pinça muito comprida;
- mau cheiro ou secreção na ranilha;
- calor no casco, sensibilidade ao toque;
- cavalo mancando, apoiando mal ou relutando em andar.
Esses sinais pedem avaliação do médico-veterinário. A inspeção diária, como indica o CONCEA, também deve olhar consumo de água e alimento, fezes e urina.
Depois do casqueamento
Terminado o trabalho, conclua a cartilha da Embrapa: confira os aprumos com o cavalo em pé, de lado, de frente e por trás. Faça o animal andar alguns passos em piso firme e observe se ele apoia as quatro patas de forma uniforme. Nos dias seguintes, fique atento a qualquer manqueira ou sensibilidade nova. Anote a data e o que foi feito em cada pata; isso ajuda a acompanhar o crescimento do casco e a combinar com o veterinário ou o ferrador o intervalo ideal para o seu animal.
Cuidados e limites
- O cavalo precisa estar acostumado a dar as patas. Se ainda não está, comece pelo manejo em como amansar cavalo.
- Trabalhe em piso firme e com o animal contido com segurança; o CONCEA desaconselha amarrar o equino pelo pescoço.
- Encontrou dor, sangramento, broca funda, rachadura ou manqueira? Pare e chame o veterinário.
- O guia de equídeos do CONCEA recomenda que casqueamento e ferrageamento corretivos sejam feitos só por profissional experiente.
Casco bem cuidado é ainda mais importante em cavalo de esporte, como o cavalo de vaquejada.
Para aprender a técnica com prática orientada, um curso de casqueamento é uma opção, sem dispensar o acompanhamento de veterinário ou ferrador nos casos que exigem correção. Mais conteúdos na biblioteca de casqueamento e ferrageamento.
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Qual a diferença entre casqueamento e ferrageamento?
Casqueamento é aparar e nivelar o casco. Ferrageamento é colocar a ferradura, depois do casqueamento. O guia do CONCEA recomenda que casqueamento e ferrageamento corretivos sejam feitos só por profissional experiente.
De quanto em quanto tempo casquear o cavalo?
Varia com o crescimento do casco, o tipo de piso, o trabalho e se o animal é ferrado. Defina a frequência com o veterinário ou o ferrador, observando o casco com regularidade.
Posso casquear meu cavalo sozinho?
A manutenção básica pode ser aprendida com orientação prática. Casco com rachaduras, dor, manqueira ou aprumo torto pede veterinário ou ferrador, porque um corte errado pode piorar o problema.
Fontes
- Casqueamento de equinos — Raquel Soares Juliano, Embrapa Pantanal em parceria com o SENAR-MS, Corumbá (MS), outubro de 2007 (o casco é a base de sustentação de todo o peso do animal e interfere na saúde das articulações e tendões, na qualidade da locomoção e no desempenho durante o trabalho; anatomia externa com pinça, muralha, quarto, talão, sola, ranilha e linha branca; material necessário: rinetes e alcetes, grosa, turquês, canivete e tesoura, gancho e luvas de couro; sequência do procedimento — retirar a sujeira com o gancho, observar presença de machucados, brocas ou dor, desgastar a sola com o rinete sem exagerar, contornar a linha branca retirando o excesso, refazer os sulcos laterais e centrais da ranilha com o canivete, aparar a muralha com a turquês, nivelar sola e muralha com a grosa, grosar a muralha e arredondar o contorno, observar detalhadamente o nivelamento e o ângulo do casco e finalizar com solução de álcool iodado a 10%; a verificação dos aprumos deve ser feita em vista lateral e em vistas anterior e posterior, com nivelamento do casco)↗oficial
- Capítulo 10 — Equídeos, do Guia brasileiro de produção, manutenção ou utilização de animais em atividades de ensino ou pesquisa científica, do CONCEA/Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, 2023, por Edson Martins Scarpelli, Raquel Soares Juliano, Sandra Aparecida Santos e Thais Sodré, com coordenação de Rui Machado, da Embrapa Pecuária Sudeste (cavalariças são herança de países de clima temperado e exigem arejamento adequado no ambiente tropical, com orientação leste-oeste evitando sol intenso dentro do abrigo em regiões de alta insolação; equídeos se orientam pelos sons e ruídos altos e desconhecidos os estressam, sendo desaconselhadas áreas ruidosas; isolamento completo, ao menos visual, deve ser evitado, com separação por janelas, grades ou telas e porta modelo holandesa em duas meias-portas; corredor com largura mínima de aproximadamente dois metros; o equino não deve ser amarrado pelo pescoço, para prevenir asfixia, e recomenda-se brete individual de contenção com medidas médias aproximadas de 140 cm de altura lateral, 85 cm de altura do portão traseiro, 80 cm de largura e 185 cm de comprimento, com piso não escorregadio; a contenção química deve ser prescrita e supervisionada pelo médico veterinário responsável; animais confinados e isolados tendem a desenvolver estereotipias, e o melhor enriquecimento ambiental é a oportunidade de pastejo; a inspeção diária deve monitorar consumo de água e alimento, condição de fezes e urina e presença de secreções, com avaliação periódica de escore de condição corporal, temperatura retal, frequência cardíaca e respiratória; casqueamento e ferrageamento corretivos só devem ser feitos por profissional experiente; a marcação a ferro quente causa dor extrema e não é recomendada, sendo preferíveis a marcação a ferro frio e a identificação eletrônica; o trânsito de equídeos exige Guia de Trânsito Animal do MAPA)↗oficial
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