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Casqueamento de cavalo: como fazer, passo a passo

Resposta rápida

Casqueamento é aparar e nivelar o casco do cavalo. Segundo a Embrapa Pantanal, o casco sustenta todo o peso do animal e interfere nas articulações, nos tendões, na locomoção e no desempenho. O procedimento usa gancho, rinete, turquês, canivete e grosa: limpar, examinar, desgastar a sola sem exagero, contornar a linha branca, aparar a muralha e nivelar. Correções e ferrageamento devem ficar com profissional experiente.

Casqueador lixa o casco dianteiro de um cavalo em estábulo aberto, com ferramentas ao lado.
Casqueamento correto preserva o equilíbrio e a saúde dos cascos do cavalo.
Neste artigo
  1. Por que o casqueamento do cavalo é importante?
  2. Anatomia do casco
  3. Ferramentas
  4. Como fazer o casqueamento de cavalo, passo a passo?
  5. Como preparar o cavalo e o local
  6. Postura de quem casqueia
  7. Erros comuns
  8. Quais sinais mostram que o casco precisa de atenção?
  9. Depois do casqueamento
  10. Cuidados e limites

Por que o casqueamento do cavalo é importante?

A cartilha de casqueamento da Embrapa Pantanal resume bem: o casco é a base de sustentação de todo o peso do cavalo. Quando está crescido ou desnivelado, afeta articulações e tendões, a qualidade da locomoção e o desempenho no trabalho.

Anatomia do casco

Parte Onde fica
Pinça Parte da frente da muralha
Quarto Laterais da muralha
Talão Parte de trás do casco
Muralha Parede externa, a parte visível com a pata no chão
Sola Face de baixo, por dentro da muralha
Ranilha Estrutura em forma de “V” na sola, com sulcos laterais e central
Linha branca Faixa que une a sola à muralha
Face solar do casco do cavalo: pinça, quartos, muralha, linha branca, sola, ranilha e talões1. Pinça; 2. Quarto; 3. Muralha; 4. Linha branca; 5. Sola; 6. Ranilha; 7. Talões 1234567
  1. Pinça — parte da frente da muralha
  2. Quarto — cada lateral da muralha
  3. Muralha — parede externa, a parte visível com a pata no chão
  4. Linha branca — faixa que une a sola à muralha; referência para o contorno
  5. Sola — face de baixo, por dentro da muralha
  6. Ranilha — estrutura em "V", com sulcos laterais e central
  7. Talões — parte de trás do casco, de cada lado da ranilha
Casco visto por baixo, com a pinça para cima e os talões embaixo. Desenho esquemático, fora de escala.

Ferramentas

A Embrapa lista o material necessário:

  • gancho, para limpar;
  • rinetes e alcetes, para desgastar a sola;
  • turquês, para aparar a muralha;
  • canivete e tesoura;
  • grosa, para nivelar e arredondar;
  • luvas de couro, para proteger as mãos.
Casco de cavalo visto por baixo e de lado, com números na muralha, linha branca, sola, ranilha, barras, talões e coroa
  1. Muralha — a parede do casco, que cresce da coroa para baixo
  2. Linha branca — a junção entre muralha e sola
  3. Sola — levemente côncava
  4. Ranilha — a cunha elástica em V, com a ponta virada para a pinça
  5. Lacunas laterais — os sulcos dos lados da ranilha
  6. Lacuna central — o sulco no meio da ranilha
  7. Talões — bulbos na parte de trás
  8. Barras — dobra da muralha no talão, ao lado da ranilha
  9. Pinça — a frente do casco
  10. Coroa — faixa no topo do casco, de onde a muralha cresce
  11. Quartela — a região acima do casco
Ilustração: partes do casco, vista da sola (1 a 9) e vista lateral (10 e 11).

Como fazer o casqueamento de cavalo, passo a passo?

  1. Retire a sujeira do casco com o gancho.
  2. Observe se há machucados, brocas ou sinais de dor.
  3. Desgaste a sola com o rinete, sem exagerar.
  4. Contorne a linha branca, retirando o excesso.
  5. Refaça com o canivete os sulcos laterais e central da ranilha.
  6. Apare a muralha com a turquês.
  7. Nivele sola e muralha com a grosa.
  8. Grose a muralha e arredonde o contorno.
  9. Observe com atenção o nivelamento e o ângulo do casco.
  10. Finalize com a solução indicada na cartilha.

A Embrapa também orienta conferir os aprumos com o cavalo em pé: de lado, de frente e por trás, checando se o casco ficou nivelado.

Como preparar o cavalo e o local

Antes de pegar a ferramenta, organize o ambiente:

  1. Escolha um piso firme, plano e limpo, onde dê para ver o casco no chão e conferir o nivelamento.
  2. Contenha o animal com segurança. O guia do CONCEA recomenda não amarrar o equino pelo pescoço, para prevenir asfixia, e sugere brete individual com piso não escorregadio.
  3. Tenha um ajudante para segurar o cabresto e acalmar o cavalo.
  4. Separe todo o material antes de começar: gancho, rinete, turquês, canivete, grosa e luvas.
  5. Comece sempre pela mesma pata e siga uma ordem, para criar rotina para você e para o animal.

Ruídos altos e desconhecidos estressam os equídeos, segundo o CONCEA. Trabalhe num lugar calmo, sem máquina ligada por perto.

Postura de quem casqueia

  • Fique ao lado do cavalo, nunca atrás, e mantenha contato com a mão no corpo dele para que saiba onde você está.
  • Levante a pata deslizando a mão pela perna e peça com calma.
  • Apoie a pata no seu joelho ou entre as pernas, sem torcer a articulação do animal.
  • Se o cavalo puxar a pata, solte e recomece. Brigar com ele ensina a resistir.
  • Faça pausas: pata levantada muito tempo cansa o cavalo e o casqueador.

Erros comuns

Erro Consequência
Desgastar sola demais Casco sensível e dor ao pisar
Cortar muralha de um lado só Casco desnivelado e aprumo torto
Retirar ranilha em excesso Perde-se parte da estrutura que amortece
Não conferir o cavalo em pé Desnível passa despercebido
Insistir com animal agitado Risco de acidente para pessoa e cavalo

Quais sinais mostram que o casco precisa de atenção?

Observe o casco com regularidade, e não só no dia do casqueamento:

  • muralha lascada ou rachada;
  • casco crescido, com a pinça muito comprida;
  • mau cheiro ou secreção na ranilha;
  • calor no casco, sensibilidade ao toque;
  • cavalo mancando, apoiando mal ou relutando em andar.

Esses sinais pedem avaliação do médico-veterinário. A inspeção diária, como indica o CONCEA, também deve olhar consumo de água e alimento, fezes e urina.

Depois do casqueamento

Terminado o trabalho, conclua a cartilha da Embrapa: confira os aprumos com o cavalo em pé, de lado, de frente e por trás. Faça o animal andar alguns passos em piso firme e observe se ele apoia as quatro patas de forma uniforme. Nos dias seguintes, fique atento a qualquer manqueira ou sensibilidade nova. Anote a data e o que foi feito em cada pata; isso ajuda a acompanhar o crescimento do casco e a combinar com o veterinário ou o ferrador o intervalo ideal para o seu animal.

Cuidados e limites

  • O cavalo precisa estar acostumado a dar as patas. Se ainda não está, comece pelo manejo em como amansar cavalo.
  • Trabalhe em piso firme e com o animal contido com segurança; o CONCEA desaconselha amarrar o equino pelo pescoço.
  • Encontrou dor, sangramento, broca funda, rachadura ou manqueira? Pare e chame o veterinário.
  • O guia de equídeos do CONCEA recomenda que casqueamento e ferrageamento corretivos sejam feitos só por profissional experiente.

Casco bem cuidado é ainda mais importante em cavalo de esporte, como o cavalo de vaquejada.

Para aprender a técnica com prática orientada, um curso de casqueamento é uma opção, sem dispensar o acompanhamento de veterinário ou ferrador nos casos que exigem correção. Mais conteúdos na biblioteca de casqueamento e ferrageamento.

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Perguntas frequentes

Qual a diferença entre casqueamento e ferrageamento?

Casqueamento é aparar e nivelar o casco. Ferrageamento é colocar a ferradura, depois do casqueamento. O guia do CONCEA recomenda que casqueamento e ferrageamento corretivos sejam feitos só por profissional experiente.

De quanto em quanto tempo casquear o cavalo?

Varia com o crescimento do casco, o tipo de piso, o trabalho e se o animal é ferrado. Defina a frequência com o veterinário ou o ferrador, observando o casco com regularidade.

Posso casquear meu cavalo sozinho?

A manutenção básica pode ser aprendida com orientação prática. Casco com rachaduras, dor, manqueira ou aprumo torto pede veterinário ou ferrador, porque um corte errado pode piorar o problema.

Fontes

  1. Casqueamento de equinos — Raquel Soares Juliano, Embrapa Pantanal em parceria com o SENAR-MS, Corumbá (MS), outubro de 2007 (o casco é a base de sustentação de todo o peso do animal e interfere na saúde das articulações e tendões, na qualidade da locomoção e no desempenho durante o trabalho; anatomia externa com pinça, muralha, quarto, talão, sola, ranilha e linha branca; material necessário: rinetes e alcetes, grosa, turquês, canivete e tesoura, gancho e luvas de couro; sequência do procedimento — retirar a sujeira com o gancho, observar presença de machucados, brocas ou dor, desgastar a sola com o rinete sem exagerar, contornar a linha branca retirando o excesso, refazer os sulcos laterais e centrais da ranilha com o canivete, aparar a muralha com a turquês, nivelar sola e muralha com a grosa, grosar a muralha e arredondar o contorno, observar detalhadamente o nivelamento e o ângulo do casco e finalizar com solução de álcool iodado a 10%; a verificação dos aprumos deve ser feita em vista lateral e em vistas anterior e posterior, com nivelamento do casco)↗oficial
  2. Capítulo 10 — Equídeos, do Guia brasileiro de produção, manutenção ou utilização de animais em atividades de ensino ou pesquisa científica, do CONCEA/Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, 2023, por Edson Martins Scarpelli, Raquel Soares Juliano, Sandra Aparecida Santos e Thais Sodré, com coordenação de Rui Machado, da Embrapa Pecuária Sudeste (cavalariças são herança de países de clima temperado e exigem arejamento adequado no ambiente tropical, com orientação leste-oeste evitando sol intenso dentro do abrigo em regiões de alta insolação; equídeos se orientam pelos sons e ruídos altos e desconhecidos os estressam, sendo desaconselhadas áreas ruidosas; isolamento completo, ao menos visual, deve ser evitado, com separação por janelas, grades ou telas e porta modelo holandesa em duas meias-portas; corredor com largura mínima de aproximadamente dois metros; o equino não deve ser amarrado pelo pescoço, para prevenir asfixia, e recomenda-se brete individual de contenção com medidas médias aproximadas de 140 cm de altura lateral, 85 cm de altura do portão traseiro, 80 cm de largura e 185 cm de comprimento, com piso não escorregadio; a contenção química deve ser prescrita e supervisionada pelo médico veterinário responsável; animais confinados e isolados tendem a desenvolver estereotipias, e o melhor enriquecimento ambiental é a oportunidade de pastejo; a inspeção diária deve monitorar consumo de água e alimento, condição de fezes e urina e presença de secreções, com avaliação periódica de escore de condição corporal, temperatura retal, frequência cardíaca e respiratória; casqueamento e ferrageamento corretivos só devem ser feitos por profissional experiente; a marcação a ferro quente causa dor extrema e não é recomendada, sendo preferíveis a marcação a ferro frio e a identificação eletrônica; o trânsito de equídeos exige Guia de Trânsito Animal do MAPA)↗oficial

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