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Leishmaniose, raiva e outras doenças infecciosas em cães
Resposta rápida
As principais doenças infecciosas do cão se dividem por como se previnem. Cinomose, parvovirose, leptospirose e raiva têm vacina, e o protocolo de filhote existe porque os anticorpos herdados da mãe protegem no começo e ao mesmo tempo neutralizam a vacina — por isso as doses se repetem até as 16 semanas. Erliquiose e babesiose, as chamadas doenças do carrapato, não se previnem com vacina, e sim com controle do carrapato no animal e no ambiente. E há uma que muda a conversa com a família: a leptospirose é zoonose, transmitida pela urina.
A divisão que organiza a prevenção
Lista de doenças assusta e não ajuda. O que ajuda é entender como cada uma se previne, porque isso define o que você precisa fazer.
| Grupo | Doenças | Como se previne |
|---|---|---|
| Vacináveis | Cinomose, parvovirose, leptospirose, raiva | Protocolo vacinal, com reforços |
| Transmitidas por vetor | Erliquiose e babesiose (carrapato) | Controle do carrapato no animal e no ambiente |
| De contato e manejo | Traqueobronquite infecciosa, entre outras | Manejo, higiene e cuidado em aglomerações |
Duas dessas doenças já têm páginas próprias aqui: a cinomose e a doença do carrapato — que, aliás, não é uma doença só.
Por que o protocolo de filhote tem várias doses
É a dúvida mais frequente e a mais mal explicada. Não é “reforçar aos poucos”: é resolver uma janela de incerteza.
O filhote recebe da mãe anticorpos que o protegem nas primeiras semanas. Como registra o Manual MSD a respeito da parvovirose, filhotes nascidos de mãe com anticorpos estão protegidos nas primeiras semanas de vida, desde que tenham ingerido colostro suficiente — e a suscetibilidade aumenta conforme esses anticorpos maternos diminuem.
O problema é que os mesmos anticorpos neutralizam a vacina, e ninguém sabe o dia exato em que eles caem naquele filhote. Por isso as doses se repetem até uma idade em que, na prática, já caíram em quase todos.
A consequência é dura e direta: “ele já tomou a vacina” não significa protegido. Uma dose isolada, aplicada cedo, pode ter sido inteiramente neutralizada. E é justamente na fase entre doses que a parvovirose colhe suas vítimas — filhotes de 6 semanas a 6 meses, não vacinados ou incompletamente vacinados, são os mais suscetíveis.
Parvovirose: o ambiente é o problema
A infecção se dá por contato oral ou nasal direto com fezes contendo o vírus ou, indiretamente, por fômites contaminados — ambiente, pessoas e equipamentos.
Essa segunda via explica por que filhote que nunca saiu de casa adoece: o vírus chega no sapato, na roupa, na mão de quem visitou outro cão. A vacinação contra o parvovírus é considerada essencial para os canídeos.
Leptospirose: a que envolve a família
Esta merece atenção separada porque é zoonose.
É causada por bactérias do gênero Leptospira, e os cães se infectam por contato direto com urina infectada ou com fontes de água contaminadas, por feridas de mordedura ou pele lesionada, pela ingestão de tecidos infectados ou por exposição durante o nascimento.
Os sinais variam de infecção subclínica leve a lesão renal aguda, doença respiratória ou morte — e incluem vômitos, diarreia, perda de peso, febre, hipotermia, secreção ocular ou nasal, linfonodos aumentados e acúmulo anormal de líquidos.
Há vacinas comerciais para quatro dos sorovares mais comuns, com recomendação de revacinação anual e uso de vacinas de múltiplas cepas com os sorovares localmente prevalentes.
Como é zoonose, o cuidado se estende às pessoas da casa: higiene ao lidar com urina do animal doente, atenção a água parada e a ambientes com roedores, e informação ao médico se alguém da família apresentar sintomas após o diagnóstico do cão.
O que não tem vacina
Erliquiose e babesiose não se previnem por vacinação. A prevenção é o controle do carrapato — e, no caso do carrapato marrom do cão, isso obriga a tratar o ambiente, porque ele se reproduz dentro de casa e no canil.
É a diferença que faz muita gente achar que “o cão está vacinado, então está protegido”. Está protegido do que a vacina cobre.
Os sinais que pedem consulta
Comuns a boa parte dos quadros infecciosos:
- Febre, apatia, prostração
- Perda de apetite
- Vômito e diarreia — com ou sem sangue
- Secreção nasal ou ocular
- Mucosas pálidas ou amareladas
- Urina escura ou alteração na quantidade de urina
- Qualquer sinal neurológico — tremor, convulsão, incoordenação
Em filhote, a urgência é maior: desidratação por vômito e diarreia se instala rápido e é, por si só, motivo de atendimento imediato.
O básico que resolve a maior parte
- Protocolo vacinal completo, iniciado no filhote e mantido com os reforços que o veterinário indicar.
- Controle de carrapatos e pulgas, no animal e no ambiente.
- Vermifugação conforme orientação.
- Evitar aglomeração de cães enquanto o protocolo do filhote não terminar.
- Higiene e água limpa, com atenção a ambientes com roedores.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta. Diagnóstico, prescrição e definição do protocolo vacinal são atos do médico-veterinário, que é quem examina o animal.