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Leishmaniose, raiva e outras doenças infecciosas em cães

Vacinação de cães: o que cada vacina cobre

Resposta rápida

As diretrizes da WSAVA separam vacinas core, que todos os cães devem receber, de não-core, indicadas conforme a região e a rotina do animal. As core em todo o mundo protegem contra cinomose (CDV), adenovírus canino tipo 1 (CAV) e parvovirose (CPV); onde a raiva é endêmica, a antirrábica também é essencial, mesmo sem exigência legal, e onde a leptospirose é endêmica a vacina é fortemente recomendada. Para as vacinas core de vírus vivo modificado, a recomendação atual é revacinação por toda a vida não mais frequentemente que a cada 3 anos — enquanto leptospirose e não-core precisam ser anuais.

Neste artigo
  1. Core e não-core: a divisão que organiza tudo
  2. O que é core para cães
  3. E a V8, a V10, a V12?
  4. O ponto que contraria a prática comum
  5. Cão idoso não para de vacinar
  6. Cão adulto que nunca foi vacinado
  7. Existe exame que confirma a proteção
  8. O check-up importa mais que a vacina
  9. Por onde começar

Esta página explica como as vacinas são classificadas e o que cada grupo cobre. O calendário do seu cão é definido pelo médico-veterinário, considerando idade, estado de saúde, região e rotina — e é por isso que não publicamos tabela fechada.

Core e não-core: a divisão que organiza tudo

As diretrizes da WSAVA, atualizadas em 2024, separam as vacinas em dois grupos.

Core são as que todos os cães devem receber, consideradas a rotina de vida e a região onde vivem ou para onde viajam.

Não-core são as altamente recomendadas para animais cuja localização geográfica ou rotina os coloca em risco de infecções específicas — e cuja decisão exige uma conversa cuidadosa entre veterinário e tutor.

O que é core para cães

Em todo o mundo, sem exceção:

Vacina Contra
CDV cinomose
CAV adenovírus canino tipo 1
CPV parvovirose canina tipo 2

Core dependendo de onde você está:

  • Raiva — onde a doença é endêmica, a vacinação deve ser considerada essencial, ou seja, é core nesses lugares, mesmo que não haja exigência legal
  • Leptospirose — onde a doença canina é endêmica, com sorogrupos conhecidos e vacinas adequadas disponíveis, a vacinação de todos os cães é fortemente recomendada, e a vacina é considerada core

Repare que a leptospirose entra nessa lista por ser descrita como doença potencialmente fatal e zoonótica, amplamente distribuída pelo mundo.

E a V8, a V10, a V12?

Os nomes comerciais indicam quantos componentes a vacina múltipla contém. Todos incluem o núcleo essencial — cinomose, adenovírus, parvovirose — e variam sobretudo na quantidade de sorovares de leptospirose incluídos, além de outros componentes.

O número maior não significa automaticamente melhor. O que decide é:

  • Quais sorovares de leptospira circulam na sua região
  • Se há vacina adequada disponível para eles
  • A rotina do animal e o risco de exposição

Essa avaliação é do veterinário, com informação local. Escolher pelo número no rótulo é escolher sem o dado que importa.

O ponto que contraria a prática comum

Este é o achado mais útil desta página, e ele costuma surpreender:

Para as vacinas core de vírus vivo modificado, a recomendação atual é revacinação por toda a vida não mais frequentemente que a cada 3 anos.

A justificativa é explícita nas diretrizes: há ampla evidência publicada e revisada por pares de que a duração de imunidade da maioria das vacinas core modernas é de muitos anos. E o documento é direto: vacinas não devem ser dadas desnecessariamente.

Já as não-core e a leptospirose são outra história: a duração de imunidade da maioria delas é de cerca de 1 ano, e precisam ser anuais.

Ou seja, “vacina de cachorro é anual” é meio certo e meio errado — e a metade errada leva a aplicações desnecessárias.

Há uma ressalva importante: as diretrizes reconhecem que essa orientação pode diferir da bula do produto em alguns países, e que o veterinário pode usar a vacina conforme as diretrizes obtendo consentimento informado do tutor. A decisão é clínica e local, não de página na internet.

Cão idoso não para de vacinar

A pergunta aparece muito, e a resposta das diretrizes é direta: não é apropriado parar de vacinar cães que atingiram uma certa idade avançada.

Ao contrário — há indicação de que a revacinação em animais idosos seja feita trienalmente ou talvez com mais frequência, com base em estudo que observou que cães geriátricos vacinados há mais de 3 anos tinham menor probabilidade de manter títulos protetores contra cinomose e adenovírus do que os vacinados de 1 a 3 anos antes.

Cão adulto que nunca foi vacinado

Para essa situação as diretrizes descrevem o esquema:

  • Uma dose única da vacina core de vírus vivo modificado (CDV, CAV-1, CPV) é suficiente
  • Uma dose única da antirrábica, em área endêmica
  • Duas doses da vacina de Leptospira são necessárias para imunizar
  • Revacinação core depois disso, não mais que a cada 3 anos
  • Revacinação anual contra leptospirose
  • Antirrábica conforme regulamentação local ou bula

Existe exame que confirma a proteção

A WSAVA apoia o uso de testagem sorológica a partir das 20 semanas de idade para detectar soroconversão contra cinomose, adenovírus e parvovirose depois da vacinação.

Para que serve:

  • Confirmar proteção ativa em animais jovens e adultos jovens
  • Otimizar intervalos de revacinação em adultos maduros
  • Ajudar no manejo de surtos em abrigos

É uma alternativa concreta a revacinar por precaução.

O check-up importa mais que a vacina

Uma recomendação das diretrizes que vale repetir: o VGG encoraja fortemente os veterinários a falar em check-up anual de saúde, em vez de “consulta de vacinação”.

O motivo é simples: a avaliação anual é muito mais do que aplicar vacina, ainda que frequentemente inclua as que precisam ser anuais. Reduzir a consulta à picada faz perder o exame que detecta problema cedo.

Por onde começar

  1. Leve o histórico de vacinação que existir, mesmo incompleto
  2. Descreva a rotina do animal: passeios, contato com outros cães, viagens, acesso à rua
  3. Pergunte quais sorovares de leptospira são relevantes na sua região
  4. Pergunte sobre o intervalo de revacinação das core no caso do seu cão
  5. Guarde a carteira e as datas
  6. Trate a consulta como check-up, não como aplicação

O esquema inicial do filhote, que tem regra própria por causa dos anticorpos maternos, está em vacinação de cachorro filhote.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre V8 e V10?

Ambas cobrem o núcleo essencial — cinomose, adenovírus e parvovirose — mais outros componentes, variando a quantidade de sorovares de leptospirose incluídos. O que decide não é o número no nome, e sim quais sorovares circulam na sua região e se há vacina adequada disponível. Essa avaliação é do médico-veterinário.

Toda vacina de cachorro precisa ser anual?

Não. Para as vacinas core de vírus vivo modificado, a recomendação da WSAVA é revacinação por toda a vida não mais frequentemente que a cada 3 anos, porque há ampla evidência de que a duração de imunidade delas é de muitos anos. Já a vacina contra leptospirose e a maioria das não-core têm duração de cerca de 1 ano e precisam ser anuais.

Meu cão não sai de casa. Precisa vacinar?

As core são definidas como aquelas que todos os cães devem receber. Em área onde a raiva é endêmica, a antirrábica é considerada essencial mesmo sem exigência legal. A rotina do animal pesa na escolha das não-core, não em dispensar o núcleo essencial.

Existe exame que mostra se a vacina funcionou?

Sim. A WSAVA apoia o uso de testagem sorológica a partir das 20 semanas de idade para detectar soroconversão contra cinomose, adenovírus e parvovirose após a vacinação. Ela ajuda a confirmar proteção ativa e a otimizar intervalos de revacinação em adultos.

Fontes

Cada afirmação que depende de norma, número ou procedimento tem origem verificável.

  1. 2024 Guidelines for the Vaccination of Dogs and Cats — WSAVA Vaccination Guidelines Group (define vacinas core como aquelas que TODOS os cães e gatos devem receber, consideradas a rotina de vida e a região; as core para cães em todo o mundo protegem contra cinomose (CDV), adenovírus canino tipo 1 (CAV) e parvovírus canino tipo 2 (CPV); em áreas onde a raiva é endêmica, a vacinação antirrábica deve ser considerada essencial para cães e gatos, ou seja, é core nesses lugares, mesmo sem exigência legal; onde a leptospirose canina é endêmica, com sorogrupos conhecidos e vacinas adequadas disponíveis, a vacinação de todos os cães é fortemente recomendada e a vacina é considerada core; anticorpos de origem materna (MDA) interferem substancialmente na eficácia da maioria das vacinas core aplicadas cedo na vida, e como o nível varia muito dentro e entre ninhadas, recomenda-se administrar múltiplas doses a cada 2 a 4 semanas, com a dose final aos 16 semanas de idade ou mais; quando só for possível uma única aplicação, ela deve ser com vacinas core aos 16+ semanas; revacinação com 26 semanas ou mais é aconselhada, em vez de esperar 12 a 16 meses, para imunizar sem atraso a minoria de animais que ainda tinha MDA interferente; testagem sorológica é apoiada a partir das 20 semanas; vacinas não devem ser dadas desnecessariamente, e há ampla evidência publicada de que a duração de imunidade da maioria das vacinas core modernas de vírus vivo modificado é de muitos anos; para vacinas core de vírus vivo modificado, a recomendação atual é revacinação por toda a vida não mais frequentemente que a cada 3 anos, não sendo apropriado parar de vacinar cães que atingiram idade avançada; vacinas contra Leptospira e a maioria das não-core precisam ser anuais, com duração de imunidade de cerca de 1 ano; para cão adulto não vacinado, uma dose única da core e da antirrábica é suficiente, mas duas doses da vacina de Leptospira são necessárias para imunizar; o VGG recomenda falar em check-up anual de saúde em vez de consulta de vacinação, porque a avaliação anual é muito mais do que a aplicação de vacinas)

    WSAVA — World Small Animal Veterinary Association · consultado em 06/08/2026

  2. Ministério da Saúde · consultado em 06/08/2026

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