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Ração para galinhas: postura, crescimento e engorda

Resposta rápida

Ração de galinha não é uma coisa só: muda por fase e por finalidade, e o divisor de águas é o cálcio. Nos níveis recomendados pela Embrapa para a poedeira colonial 051, a ração inicial (0 a 6 semanas) tem 20,0 a 20,5% de proteína e 0,75 a 0,80% de cálcio; a de crescimento (7 a 18 semanas) cai para 14,0 a 14,5% de proteína e 0,85 a 0,90% de cálcio; e a de produção (a partir de 19 semanas) sobe o cálcio para 3,4 a 3,6% — quatro vezes mais. É por isso que dar ração de crescimento a galinha em postura quebra casca e descalcifica a ave.

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O cálcio é o divisor de águas

Quem cria galinha em casa costuma comprar “ração de galinha” como se fosse um produto só. Não é — e o erro mais comum e mais caro está no cálcio.

Os níveis recomendados pela Embrapa para a poedeira colonial Embrapa 051 mostram o salto:

Nutriente Inicial (0-6 sem) Crescimento (7-18 sem) Produção I (19-45 sem) Produção II (+46 sem)
Proteína (%) 20,0 – 20,5 14,0 – 14,5 15,5 – 16,0 15,0 – 15,5
Cálcio (%) 0,75 – 0,80 0,85 – 0,90 3,4 – 3,6 3,7 – 3,8
EM (kcal/kg) 2.850 – 2.900 2.700 – 2.750 2.800 – 2.850 2.800 – 2.850
Fósforo disp. (%) 0,42 0,36 0,42 0,42
Lisina (%) 0,90 0,70 0,75 0,75

Repare no cálcio: ele quadruplica quando a ave entra em postura. A casca do ovo é carbonato de cálcio, e a galinha produz uma por dia — se o cálcio não vem da ração, vem do próprio esqueleto dela.

As duas consequências de errar isso:

  • Ração de crescimento em ave que já põe: casca fina, ovo quebrado e descalcificação da galinha
  • Ração de postura em ave jovem: excesso de cálcio numa fase em que o organismo não o usa, com risco renal

A proteína faz o caminho inverso

Ela é alta no início (20,0-20,5%), quando o pinto está construindo estrutura, cai na fase de crescimento (14,0-14,5%) e sobe moderadamente na produção (15,5-16,0%).

Isso desmonta a intuição de que “mais proteína é sempre melhor”. Na recria, proteína em excesso acelera o crescimento além do ideal e antecipa a postura — o que parece bom e não é: ave que começa a pôr antes do peso adequado produz ovo pequeno e se desgasta mais.

O manual da 051 registra o alvo: peso corporal de 1.900 g no início da postura, chegando a 2.820 g no final.

Quanto a galinha come

Para a poedeira 051, o consumo diário no período de produção fica entre 90 e 120 gramas por ave.

Esse número dimensiona tudo: quanto comprar por mês, quanto comedouro instalar e qual o custo por ovo. Multiplicando pela média, um lote de 20 galinhas em postura consome em torno de 2 kg de ração por dia.

O manual traz também o acumulado: 8.092 g por ave de 1 a 21 semanas — ou seja, cerca de 8 kg só para levar a ave até o início da postura, antes do primeiro ovo.

E para frango de corte, é outra conta

Aves de corte têm exigências e fases próprias. Nas metas da Embrapa para o frango Embrapa 021, os níveis de proteína bruta caem ao longo do lote — 22,0%, depois 20,0% e por fim 18,5% — enquanto a energia metabolizável sobe: 3.000, 3.050 e 3.100 kcal/kg.

A lógica é oposta à da poedeira: no corte, o objetivo é ganho de peso, e a dieta vai ficando mais energética conforme a ave se aproxima do abate.

Não use ração de postura em frango de corte nem de corte em poedeira. São produtos formulados para objetivos diferentes.

Do que a ração é feita

A base da ração de aves no Brasil é milho e farelo de soja. Na composição usada pela Embrapa para frangos de corte, a média do lote fica em torno de 60,7% de milho, 31,9% de farelo de soja, 3,9% de óleo de soja e 3,6% de outros ingredientes.

Isso explica por que o custo da criação acompanha a cotação desses dois grãos — e por que alta do milho aperta a margem mesmo com o ovo ou o frango no mesmo preço.

Sobre milho puro e sobras de cozinha

Milho sozinho não é ração. Ele entrega energia e quase nada de proteína, cálcio, aminoácidos e vitaminas — e uma galinha alimentada só com milho põe pouco, põe casca fina e adoece.

Sobras de comida podem complementar, nunca substituir. E há limites de bom senso: alimentos salgados, temperados, mofados ou estragados fazem mal, e a fibra da ração tem teto recomendado de 5% no máximo em todas as fases.

O resumo prático

  1. Compre a ração da fase certa — inicial, crescimento ou postura. O rótulo informa.
  2. Faça a transição quando a idade e o peso indicarem, não por conveniência.
  3. Não improvise a fase de postura: é a que tem exigência de cálcio quadruplicada.
  4. Dimensione o consumo — 90 a 120 g por ave por dia em produção — para não faltar nem sobrar.
  5. Ofereça água limpa à vontade: consumo de ração cai junto com o de água, e produção cai atrás.

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