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Nutrição e ração de suínos: fases, formulação e manejo

Resposta rápida

Não existe ração única de porco: há ração por fase — pré-inicial, creche, crescimento de 25 a 60 kg, terminação de 60 a 100 kg, gestação e lactação. A referência de desempenho na engorda é conversão alimentar máxima de 3 kg de ração por kg de ganho. A matriz gestante deve ser arraçoada pelo escore corporal — 2,0 kg/dia em bom estado e apenas 1,8 kg se estiver gorda —, porque matrizes superalimentadas na gestação perdem mais peso na lactação e têm o cio pós-desmame retardado.

Não existe “ração para porco”

Existe ração para a fase. O suíno passa de poucos quilos a mais de cem em menos de seis meses, e a exigência nutricional muda em cada trecho dessa curva. Comprar um saco só e usar do começo ao fim é a forma mais rápida de piorar a conversão alimentar e a carcaça ao mesmo tempo.

As fases de alimentação seguem as fases de criação:

Fase Peso aproximado
Pré-inicial e inicial leitão em aleitamento e desmama
Creche desmama a 25 kg
Crescimento 25 a 60 kg
Terminação 60 a 100 kg
Gestação matriz
Lactação matriz na maternidade

Ração de gestação e ração de lactação não são intercambiáveis — a matriz em lactação tem exigência muito maior, e é isso que sustenta a produção de leite sem que ela consuma as próprias reservas.

A referência que diz se está bom

Conversão alimentar máxima na engorda: 3 kg de ração para 1 kg de ganho de peso.

É o número que resume tudo. Se a sua está pior que isso, o problema está em um destes lugares: qualidade da ração, sanidade do lote, densidade da baia, temperatura, água ou desperdício no comedouro.

E as condições que sustentam esse número:

  • Lotes uniformes em idade e peso
  • Um bebedouro para cada dez animais
  • Uma boca de comedouro para cada quatro animais
  • Ração e água à vontade e de boa qualidade
  • Rotina de limpeza e programa de vacinação

Comedouro subdimensionado cria dominância: os animais maiores comem primeiro e mais, e o lote fica desuniforme — o que depois se cobra na hora de vender.

À vontade ou restrito na terminação?

A alimentação à vontade proporciona ganho de peso diário 50 a 60 g/dia maior que a alimentação restrita.

Mas esse ganho desaparece se a restrição melhorar a conversão alimentar em cerca de 0,15 unidade. Ou seja: se a restrição não conseguir uma melhora maior que essa, ela dá prejuízo — quando o suíno é vendido por quilo de peso vivo.

O contrapeso é a carcaça: animais com restrição depositam menos gordura, ainda que demorem mais para o abate.

A decisão, então, depende de três preços ao mesmo tempo: o do alimento, o do suíno vivo e o prêmio pago por carcaça melhor. Não há resposta universal — há a conta da sua região e do seu comprador.

A decisão de nutrição com melhor retorno

Separar castrados de fêmeas e arraçoar diferente.

Castrados ingerem mais alimento e mais rápido que leitoas, e depositam mais gordura com menor idade — resultando em carcaças com menos carne.

Na prática recomendada: leitoas alimentadas à vontade, e castrados com ingestão cerca de 5% menor no início da terminação e cerca de 10% menor na fase final.

Somado a pesos de abate diferentes — leitoas até 110 kg, castrados até 100 kg com ração única de terminação —, isso aumenta de 1% a 2% a proporção de carne magra na média do plantel. E a conversão alimentar melhora junto.

Vale também a referência inversa: cada semana a mais na terminação custa cerca de 1% de carne magra na carcaça.

A matriz gestante: menos é mais

Este é o ponto em que a intuição erra com mais frequência.

A alimentação na gestação não deve ser maximizada, e sim controlada pelo estado corporal da matriz:

Estado corporal Ração/dia
Magra 2,7 kg
Fina 2,5 kg
Bom estado 2,0 kg
Gorda 1,8 kg

Como referência geral, cerca de 2,0 kg/dia até os 90 dias de gestação, subindo gradualmente para 2,5 a 3,0 kg do 90º dia até o parto.

Os dois extremos custam caro, em direções opostas:

Pouca energia ou deficiência de nutrientes → leitegada com peso desuniforme e maior proporção de leitões fracos.

Energia em excesso → morte embrionária, dificuldade no parto, redução de apetite e de ingestão de ração. E o efeito que surpreende: matrizes superalimentadas na gestação perdem mais peso na lactação seguinte do que matrizes alimentadas de forma restrita — o que se traduz em incapacidade fisiológica para alta produção de leite e em cio pós-desmame retardado.

Ou seja: engordar a matriz na gestação não é investimento na leitegada. É prejuízo com efeito retardado, que aparece no ciclo seguinte.

Antes e durante o cio

No período anterior à cobrição, o nível nutricional deve ser elevado, especialmente para fêmeas desmamadas que perderam muito peso na lactação. Nesse caso, usa-se a mesma ração da lactação, à vontade, até o consumo máximo de 5 kg/dia.

Durante o cio, a matriz recebe 2 kg/dia de ração de gestação.

Os machos de reposição recebem 2 kg de ração de gestação por dia, divididos entre manhã e tarde.

Água faz parte da dieta

É o nutriente mais barato e o mais fácil de subdimensionar. A exigência praticamente dobra do conforto para o calor: um suíno de 50 a 100 kg passa de 5–10 L/dia a 22 °C para 12–18 L/dia a 35 °C.

Restrição hídrica derruba consumo de ração — e, com ele, ganho de peso e conversão. Antes de mexer na formulação, confirme vazão, altura e número de bebedouros.

E uma observação da gestação que vale registrar: reduzir a água da matriz não aumenta o peso dos leitões ao nascer. Pelo contrário — na gestação se aumenta o consumo de água para elevar a frequência de micções e reduzir a probabilidade de infecção urinária.

Sobre formular a própria ração

É possível, e em escala compensa. Mas exige conhecer a composição real dos ingredientes disponíveis na sua região e as exigências de cada fase e categoria — trabalho de nutricionista ou zootecnista, com dados da sua granja.

As referências desta página servem para você avaliar o que compra e conversar com quem formula, não para substituir a formulação.

O dimensionamento das instalações e o manejo por fase estão em criação e manejo de suínos.

Por onde começar

  1. Compre ração da fase, e não ração genérica.
  2. Meça a conversão alimentar — sem esse número não há diagnóstico.
  3. Confira comedouro e bebedouro antes de culpar a ração.
  4. Separe por sexo na terminação, se o volume permitir.
  5. Arraçoe a matriz pelo escore corporal, não pelo hábito.
  6. Garanta a água do verão, não a do inverno.

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