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Criação e manejo de suínos: instalações, suinocultura e reprodução

Resposta rápida

A área por animal muda com a fase e o piso: em baia coletiva de piso ripado, 0,20 a 0,25 m² na creche, 0,50 a 0,65 m² no crescimento, 0,75 a 0,85 m² na terminação e 2,80 a 3,00 m² na gestação. Recomenda-se instalação separada por fase, com acesso por corredor externo, e vazio sanitário de cinco dias entre lotes. A gestação dura em média 114 dias. Na engorda, a conversão alimentar máxima é de 3:1, e separar castrados de fêmeas com pesos de abate diferentes aumenta de 1% a 2% a carne magra da carcaça.

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O chiqueiro se dimensiona por fase, não por bicho

A área necessária por animal muda muito ao longo da vida do suíno — e também com o tipo de piso. Referências da Embrapa Suínos e Aves para baia coletiva:

Fase Peso Piso ripado Piso compacto
Creche desmama a 25 kg 0,20 a 0,25 m² 0,35 a 0,50 m²
Crescimento 25 a 60 kg 0,50 a 0,65 m² 0,75 a 0,85 m²
Terminação 60 a 100 kg 0,75 a 0,85 m² 1,00 a 1,20 m²
Crescimento + terminação 25 a 100 kg 0,65 a 0,75 m² 0,85 a 1,10 m²
Gestação matriz 2,80 a 3,00 m² 3,00 a 3,80 m²
Lactação com escamoteador matriz 4,50 a 5,70 m² 4,50 a 5,70 m²

Repare no salto: o mesmo animal que ocupava 0,25 m² na creche precisa de mais de três vezes isso na terminação. Quem dimensiona pela fase inicial constrói para superlotar depois.

Em baias com dois ambientes, calcula-se 2/3 da área para dormitório e 1/3 para dejeções.

Na creche, a lotação máxima é de 3 leitões/m² em baias suspensas e 2,5 leitões/m² em baias no chão.

Pé-direito: mínimo de 2,5 m em edificações de 5 a 7 m de largura, 2,8 m entre 7 e 10 m, e 3 m acima disso.

Fases separadas, corredores externos

A recomendação é que cada fase — gestação, maternidade, creche, crescimento e terminação — fique em instalação separada, e que o acesso a cada uma seja por corredor externo, evitando circulação interna de um prédio para outro.

Não é preciosismo de granja grande: é o que permite fazer vazio sanitário sem parar a produção inteira, e o que impede que um problema de creche caminhe até a maternidade nos pés de quem trata.

Entre lotes: baias lavadas no mesmo dia da desocupação, desinfetadas depois de secas e mantidas vazias por no mínimo cinco dias antes da entrada do lote novo.

Água é o insumo que ninguém dimensiona

A exigência de água praticamente dobra com o calor:

Categoria a 22 °C a 35 °C
Leitão de 10 kg 1,0 L/dia 1,4 L/dia
Suíno de 25 a 50 kg 4 a 7 L/dia 10 a 15 L/dia
Suíno de 50 a 100 kg 5 a 10 L/dia 12 a 18 L/dia
Matriz no fim da gestação 10 a 15 L/dia 20 a 25 L/dia
Matriz em lactação 15 + 1,5 × nº de leitões 25 + 1,8 × nº de leitões

Um sistema dimensionado no inverno falta água no verão — que é justamente quando faltar água é mais grave.

Dimensionamento do reservatório para cinco dias de autonomia:

CR = (0,48 × STA + F + M) × 0,075

Onde CR é a capacidade em m³, STA o número de suínos terminados por ano, F o número de fêmeas e M o de machos. Para 24 matrizes, um macho e 504 suínos terminados por ano, dá 20 m³.

Bebedouros: um para cada grupo de até dez suínos, dois de 11 a 16, três de 17 a 21. E a distância entre eles importa — de 0,30 m para recém-desmamados a 0,91 m para animais de 50 a 100 kg —, porque o comportamento gregário faz um bebedouro muito afastado ficar sem uso.

Reprodução: 114 dias, e o resto é rotina

A gestação dura, em média, 114 dias — a regra mnemônica clássica é três meses, três semanas e três dias. Varia com rebanho e raça.

Reposição: leitoas alojadas no prédio de gestação por volta dos 155 dias de idade, em baias coletivas próximas aos machos; machos por volta dos 165 dias, em baias individuais, e só usados em monta após avaliação de sêmen. Animais vindos de outra granja passam por quarentena.

Durante a gestação: ambiente calmo, temperatura de conforto de 16 °C a 20 °C, observação diária de retorno ao cio com o auxílio do macho, limpeza diária com pá e vassoura e lavagem semanal.

Sete a dez dias antes do parto, as fêmeas são lavadas e transferidas para a maternidade.

Maternidade: dois ambientes, porque são dois confortos

A maternidade precisa prever dois ambientes distintos — um para a matriz e outro para os leitões —, porque a faixa de conforto térmico dos dois é diferente. Isso torna o escamoteador obrigatório.

Item Medida
Cela parideira área mínima de 4,32 m² — 0,60 m de largura por 2,40 m para a matriz, mais 0,60 m de cada lado para os leitões
Baia convencional retangular, 6 m², com bebedouro, comedouro e protetor antiesmagamento
Protetor antiesmagamento 0,20 m de altura
Escamoteador 90 × 70 × 90 cm, com porta de 25 × 25 cm, na frente da cela

A fonte de calor mais usual no escamoteador é a lâmpada incandescente de 100 W com termostato. O termostato não é luxo: mantém o ambiente estável independentemente da presença do criador e economiza de 30% a 50% de energia em relação ao sistema sem controle.

Terminação: onde a margem se decide

Conversão alimentar máxima na engorda: 3 kg de ração por kg de ganho de peso. Acima disso, revise dieta, sanidade e desperdício.

Condições da engorda: lotes uniformes em idade e peso, 1 m² por animal, um bebedouro para cada dez animais, uma boca de comedouro para cada quatro, ração e água à vontade.

E aqui está a decisão de manejo com melhor retorno para quem já produz:

Separe machos castrados de fêmeas e adote pesos de abate diferentes. Castrados comem mais e mais rápido, e depositam mais gordura mais cedo. Com ração única de terminação, a referência é abater leitoas até 110 kg e castrados até 100 kg.

O ganho é mensurável: a separação com arraçoamento diferenciado aumenta de 1% a 2% a proporção de carne magra na carcaça média do plantel — e, com isso, melhora a conversão alimentar e reduz custo.

O outro lado da mesma moeda: cada semana a mais na terminação custa cerca de 1% de carne magra na carcaça. Segurar o lote esperando preço melhor tem um custo que não aparece na planilha de ração.

Dejetos não são detalhe

A suinocultura produz dejeto em volume que exige destinação planejada desde o projeto — esterqueira ou compostagem dimensionadas, e distância adequada de cursos d’água e de vizinhos.

Um cuidado que se paga sozinho: água corrente desperdiçada não deve ser canalizada para a esterqueira, porque dilui o adubo e aumenta o custo de distribuição dele. Excesso de água tem destino melhor — açude com peixes, por exemplo.

E o item que muita gente descobre tarde: suinocultura é atividade sujeita a licenciamento ambiental, com critérios que variam por estado e por porte. Confirme no órgão ambiental estadual antes de construir, não depois.

Por onde começar

  1. Defina o sistema — ciclo completo, produção de leitões ou terminação. São negócios diferentes.
  2. Confirme a exigência de licenciamento no seu estado antes da obra.
  3. Dimensione pela fase mais exigente, não pela inicial.
  4. Calcule a água pelo verão e o reservatório pela fórmula.
  5. Planeje a destinação dos dejetos junto com a planta das instalações.
  6. Monte o vazio sanitário na rotina: cinco dias de baia vazia entre lotes.

A dieta por fase está em ração para suínos, as raças em raças de suínos e a formação do preço em mercado e preço de suínos.

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