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Cólica em equinos: sinais, causas e o que fazer

Resposta rápida

Cólica significa dor abdominal — é um sinal, não uma doença — e sob esse nome cabem desde excesso de gás intestinal até obstrução estrangulante, que mata em horas. Como os sinais iniciais são parecidos, é emergência veterinária: ligue para o veterinário, retire o alimento, mantenha o animal seguro para não se machucar ao rolar e não medique, porque analgésico mascara a dor, que é o parâmetro usado para decidir se o caso é cirúrgico. Estudos recentes mostram sobrevivência acima de 80% em cirurgia abdominal de emergência, contra até 30% em estudos antigos.

1 artigoAtualizado em

Cólica é emergência. Ligue para o veterinário agora.

Se você chegou aqui com um cavalo apresentando sinais de dor abdominal, essa é a primeira e mais importante orientação desta página. Cólica pode ser leve e resolver sozinha, ou pode ser uma obstrução estrangulante que mata em horas — e os sinais iniciais das duas são parecidos. Quem distingue é o veterinário, presencialmente.

O resto desta página serve para você reconhecer os sinais, descrever bem o quadro ao telefone e não fazer nada que piore a situação enquanto o atendimento não chega.

Cólica não é uma doença

O termo significa dor abdominal. É um sinal, não um diagnóstico — e é por isso que “remédio para cólica” não existe como categoria útil.

As causas se agrupam em tipos bem diferentes entre si:

  • Excesso de gás intestinal (cólica flatulenta)
  • Obstrução simples por ingesta — a compactação
  • Obstrução estrangulante, que bloqueia o lúmen e o suprimento sanguíneo
  • Infarto não estrangulante — interrupção do suprimento sanguíneo
  • Inflamação intestinal (enterite, colite)
  • Peritonite
  • Ulceração do revestimento intestinal
  • Cólica sem causa definida

A distância entre a primeira e a terceira dessa lista é a distância entre um episódio que passa e uma cirurgia de emergência.

Os sinais que você precisa reconhecer

  • Escavar o chão com as patas
  • Olhar para o flanco repetidamente
  • Curvar o lábio superior
  • Levantar a perna traseira ou escoicear o abdome
  • Deitar — e, principalmente, rolar
  • Sudorese
  • Esticar-se como se fosse urinar
  • Esforço para defecar
  • Distensão abdominal
  • Perda de apetite, depressão e redução do trânsito intestinal

Nem todos aparecem juntos, e a intensidade varia. Perda de apetite súbita em um cavalo que comia bem já merece atenção, mesmo sem os sinais dramáticos.

O que observar para descrever ao veterinário

Estes dados mudam a urgência e o encaminhamento. Anote antes de ligar:

O que Por que importa
Frequência cardíaca frequências mais altas estão associadas a problemas intestinais mais graves
Cor das mucosas (gengiva) mucosas avermelhadas indicam endotoxemia e piora o prognóstico
Tempo de preenchimento capilar o normal é de cerca de 1,5 segundo
Sons intestinais a ausência de sons sugere íleo adinâmico ou isquemia — é sinal grave
Distensão do abdome compõe a avaliação de gravidade
Última vez que defecou e aspecto das fezes ajuda a situar obstrução
Intensidade e evolução da dor dor que não cede é critério cirúrgico
O que mudou na alimentação, na água, no manejo orienta a causa

Não são exames: são observações que qualquer pessoa consegue fazer e que aceleram a decisão de quem vai atender.

O que NÃO fazer

Não medique por conta própria. Analgésico mascara a dor — que é justamente o parâmetro usado para decidir se o caso é cirúrgico. Um cavalo que parou de doer por causa de medicação pode parecer melhor enquanto piora.

Não dê laxante forte. Laxantes que estimulam contrações intestinais podem agravar compactações.

Não ofereça comida. Retire o alimento disponível até a avaliação.

Não force o cavalo a caminhar exaustivamente. Caminhar pode ser útil para impedir que ele role e se machuque, mas exaurir um animal já comprometido não trata a causa.

Não espere para ver se melhora, quando a dor é intensa, o animal está rolando ou não há sons intestinais.

O que a equipe veterinária faz — sondagem nasogástrica para aliviar a distensão gástrica e prevenir ruptura, analgesia e fluidoterapia — são procedimentos veterinários. Não são etapas de primeiros socorros para o proprietário executar.

Quando vira cirurgia

A decisão é do veterinário, mas conhecer os critérios ajuda a entender a urgência de um encaminhamento:

  • Obstrução mecânica que não se corrige clinicamente
  • Comprometimento do suprimento sanguíneo intestinal
  • Dor incontrolável apesar da analgesia
  • Refluxo gástrico acima de 4 litros
  • Ausência de sons intestinais
  • Achados de exame retal — intestino distendido, cólon deslocado, enterólito, corpo estranho
  • Líquido peritoneal com proteína, lactato, hemácias e neutrófilos tóxicos elevados

O número que muda a decisão de encaminhar

Estudos recentes mostram sobrevivência acima de 80% em cirurgia abdominal de emergência, e acima de 70% em ressecção de intestino delgado estrangulado ou correção de vólvulo de cólon maior.

Estudos mais antigos mostravam até 30% nessas mesmas condições.

Isso importa por um motivo prático: muita gente ainda decide com base na estatística antiga e desiste do encaminhamento. Hoje, encaminhar cedo é uma decisão com chance real de dar certo — e a maior parte dos animais que morre no pós-operatório morre dentro dos três meses seguintes à cirurgia, o que também é informação para o acompanhamento.

O prognóstico é melhor com dor leve e pior com dor intensa, distensão intestinal palpável, ausência de sons intestinais, mucosas avermelhadas, frequência cardíaca alta ou pressão arterial baixa. Tempo é a variável que você controla.

Reduzir o risco

Os fatores de risco documentados apontam o que dá para prevenir:

Parasitos. Migração larval de Strongylus vulgaris e a emergência sazonal de ciatostomíneos no fim do inverno e na primavera. O programa de controle parasitário é definido pelo veterinário, com base na realidade da propriedade.

Desidratação e ingesta seca. Água limpa, disponível e em temperatura aceitável, o ano inteiro. Consumo de água cai no frio e no calor extremo, por motivos diferentes.

Mudanças de alimentação. Toda troca de volumoso ou concentrado deve ser gradual.

Ingestão de areia. Alimentar direto no chão arenoso é fator de risco evitável — use cocho e comedouro.

Problemas dentários. Dente que não tritura entrega alimento mal processado ao intestino. Avaliação odontológica periódica faz parte do manejo, não do luxo.

Aerofagia. O vício de “engolir ar” está entre os fatores associados, e ele próprio costuma ter origem em confinamento e falta de pastejo — o que liga o assunto ao manejo e criação.

Uma nota sobre esta página

O conteúdo aqui é técnico e referenciado, e serve para reconhecimento de sinais e conduta até o atendimento. Não é protocolo de tratamento. Diagnóstico e conduta em cólica dependem de exame presencial — exame retal, sondagem, avaliação de líquido peritoneal — e cada hora de atraso mexe no prognóstico.

Tenha o contato do veterinário de equinos da sua região salvo antes de precisar dele.

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