Curso de banho e tosa: onde fazer, quanto custa e o que aprende
Como montar um pet shop de banho e tosa: primeiros passos
Resposta rápida
Para montar um pet shop de banho e tosa no Brasil, o primeiro passo é a regularização: licença ou alvará da Vigilância Sanitária municipal, com separação de áreas e regras de higiene. Banho e tosa 'puro' não exige registro no CRMV nem responsável técnico veterinário, conforme o STJ (REsp 1.338.942/SP), mas se o local também fizer atos clínicos, aí sim precisa. Planeje estrutura física, biossegurança, equipe treinada e lembre que sedação é sempre decisão do médico-veterinário.
Neste artigo
Abrir um pet shop de banho e tosa é uma boa porta de entrada num setor grande, mas exige planejamento e regularização desde o primeiro dia. Este guia informativo organiza os primeiros passos. As regras específicas variam por município, então confirme sempre com os órgãos locais.
Entenda o mercado antes de investir
O mercado pet brasileiro faturou R$ 75,4 bilhões em 2024, alta de 9,6% sobre 2023, segundo a ABEMPET. Banho e tosa está no segmento de serviços — que, na projeção ABINPET/IPB para 2025, aparece como o de maior crescimento (serviços gerais, +7,7%). Por ser um serviço recorrente, costuma ajudar na fidelização de clientes, algo que interessa a quem está começando. Ainda assim, planeje com cautela: a mesma projeção (com base no 1º trimestre de 2025) aponta crescimento de apenas 3,5% no ano, faturamento de cerca de R$ 78 bilhões e o menor avanço do setor desde 2019. O próprio setor avalia que, descontadas inflação e perda de produtividade, o cenário é de estagnação ou de leve recessão (release ABINPET/IPB na Câmara Setorial Pet).
- ABEMPET — Informações Gerais do Setor: https://abempet.org.br/informacoes-gerais-do-setor/
Passo 1: Planejamento do negócio
Antes de qualquer estrutura, defina:
- Público e localização: bairro, concorrência e perfil de tutores.
- Serviços: só banho e tosa, ou também venda de produtos e acessórios?
- Investimento e custos fixos: aluguel, equipamentos, água, energia, pessoal e tributos.
- Preço e volume: quantos atendimentos por dia sustentam o negócio.
Passo 2: A questão do CRMV (o ponto que gera mais dúvida)
Aqui há uma divergência importante que você precisa conhecer com honestidade.
Resoluções do CFMV tratam estabelecimentos de banho e tosa como locais que exigiriam responsável técnico (RT) médico-veterinário — é o contexto das Resoluções CFMV nº 1015/2012 e nº 878/2008, citadas nas Diretrizes de Atuação para a Responsabilidade Técnica do próprio CFMV. Por outro lado, o STJ, em recurso repetitivo (REsp 1.338.942/SP, 2017), firmou tese de que banho e tosa não é atividade privativa do médico-veterinário: estabelecimentos que apenas vendem rações, acessórios, animais, medicamentos e prestam banho e tosa não estão sujeitos a registro no CRMV nem à contratação de RT.
A distinção prática é esta:
- Banho e tosa ‘puro’: pela tese do STJ, não exige registro no CRMV nem RT veterinário.
- Se o local também pratica atos clínicos (vacinação, prescrição, sedação, cirurgia): aí sim há necessidade de médico-veterinário e de registro no CRMV.
Por haver essa divergência entre a norma dos conselhos e a jurisprudência, o mais prudente é buscar orientação jurídica e verificar a interpretação aplicada na sua região.
- STJ — REsp 1.338.942/SP: https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias-antigas/2017/2017-05-15_08-11_Lojas-de-animais-nao-precisam-contratar-veterinarios-nem-se-registrar-em-conselho.aspx
- CFMV — Diretrizes de Atuação para a Responsabilidade Técnica: https://www.cfmv.gov.br/diretrizes-de-atuacao-para-a-responsabilidade-tecnica/
Passo 3: Licença da Vigilância Sanitária
Independentemente da questão do RT, o estabelecimento precisa de licença/alvará da Vigilância Sanitária municipal. As regras são municipais e variam por cidade, mas costumam exigir:
- Separação de áreas (recepção, banho, tosa, alojamento) para evitar contaminação cruzada.
- Regras de higiene, ventilação e iluminação adequadas.
- Manejo definido para animais com suspeita de doença infecciosa, dermatopatias ou ectoparasitas.
Confirme os requisitos junto à Vigilância Sanitária e à prefeitura da sua cidade antes de fechar o ponto e comprar equipamentos.
- CRMV-SP — Prefeitura de São Paulo esclarece funcionamento de banho e tosa, hotel e creche: https://crmvsp.gov.br/prefeitura-de-sao-paulo-esclarece-que-servicos-de-banho-e-tosa-hotel-e-creche-podem-funcionar/
Passo 4: Estrutura física e equipamentos
Com base nas boas práticas orientadas por manuais de conselhos regionais, organize:
| Área | Função |
|---|---|
| Recepção | Atendimento e triagem do animal |
| Banho | Cubas, ducha, secagem |
| Tosa | Bancadas, máquinas, tesouras |
| Alojamento | Espera dos animais em segurança |
Manuais oficiais que orientam boas práticas: CRMV-PR (Manual de Banho e Tosa, 2020), CRMV-RS (Guia para elaboração do Manual de Boas Práticas) e CRMV-MG (Manual de Responsabilidade Técnica).
- CRMV-PR: https://www.crmv-pr.org.br/uploads/publicacao/arquivos/Manual-Banho-e-Tosa-2020.pdf
- CRMV-RS: https://www.crmvrs.gov.br/PDFs/Manual_banho_e_tosa.pdf
- CRMV-MG: http://crmvmg.gov.br/manualrt/banho-tosa.html
Passo 5: Equipe, biossegurança e bem-estar
- Equipe treinada em manejo, contenção e biossegurança.
- Protocolos de higiene e limpeza de equipamentos entre atendimentos.
- Cuidado com o bem-estar: banho e tosa são procedimentos delicados, que podem gerar estresse e lesões (cortes, queimaduras de lâmina, otite por água no ouvido), especialmente em gatos.
Um limite inegociável: sedação e medicação são atos do médico-veterinário. Se um animal precisar ser sedado para a tosa, isso deve ser avaliado, prescrito e acompanhado por um veterinário — nunca decidido pelo tosador ou pelo estabelecimento. Em qualquer sinal de problema de saúde, encaminhe ao médico-veterinário.
Resumo dos primeiros passos
- Planejar o negócio e os custos.
- Entender a questão do CRMV (banho e tosa puro x atos clínicos).
- Obter licença da Vigilância Sanitária municipal.
- Montar estrutura com separação de áreas.
- Treinar equipe em manejo, biossegurança e bem-estar.
Perguntas frequentes
Preciso de veterinário responsável técnico para abrir um banho e tosa?
Para banho e tosa 'puro', o STJ (REsp 1.338.942/SP) entende que não é preciso registro no CRMV nem RT veterinário. Mas se o local também fizer atos clínicos como vacinação ou sedação, aí sim há necessidade. Há divergência entre norma dos conselhos e jurisprudência; busque orientação jurídica.
Que licença um pet shop de banho e tosa precisa ter?
O estabelecimento precisa de licença ou alvará da Vigilância Sanitária municipal, com regras de higiene, separação de áreas e ventilação. As exigências variam por cidade, então confirme com a Vigilância Sanitária e a prefeitura local.
Posso sedar animais para facilitar a tosa no meu pet shop?
Não por conta própria. Aplicação de sedativos e de qualquer medicamento é ato exclusivo do médico-veterinário. A sedação para tosa, sobretudo em gatos, deve ser avaliada, prescrita e acompanhada por esse profissional.
Por que separar as áreas do estabelecimento?
A separação entre recepção, banho, tosa e alojamento evita contaminação cruzada e ajuda no manejo de animais com dermatopatias, ectoparasitas ou suspeita de doença infecciosa. É uma exigência comum das regras de Vigilância Sanitária.
Fontes
Cada afirmação que depende de norma, número ou procedimento tem origem verificável.
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