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Curso de banho e tosa: onde fazer, quanto custa e o que aprende

Como montar um pet shop de banho e tosa: primeiros passos

Resposta rápida

Para montar um pet shop de banho e tosa no Brasil, o primeiro passo é a regularização: licença ou alvará da Vigilância Sanitária municipal, com separação de áreas e regras de higiene. Banho e tosa 'puro' não exige registro no CRMV nem responsável técnico veterinário, conforme o STJ (REsp 1.338.942/SP), mas se o local também fizer atos clínicos, aí sim precisa. Planeje estrutura física, biossegurança, equipe treinada e lembre que sedação é sempre decisão do médico-veterinário.

Neste artigo
  1. Entenda o mercado antes de investir
  2. Passo 1: Planejamento do negócio
  3. Passo 2: A questão do CRMV (o ponto que gera mais dúvida)
  4. Passo 3: Licença da Vigilância Sanitária
  5. Passo 4: Estrutura física e equipamentos
  6. Passo 5: Equipe, biossegurança e bem-estar
  7. Resumo dos primeiros passos

Abrir um pet shop de banho e tosa é uma boa porta de entrada num setor grande, mas exige planejamento e regularização desde o primeiro dia. Este guia informativo organiza os primeiros passos. As regras específicas variam por município, então confirme sempre com os órgãos locais.

Entenda o mercado antes de investir

O mercado pet brasileiro faturou R$ 75,4 bilhões em 2024, alta de 9,6% sobre 2023, segundo a ABEMPET. Banho e tosa está no segmento de serviços — que, na projeção ABINPET/IPB para 2025, aparece como o de maior crescimento (serviços gerais, +7,7%). Por ser um serviço recorrente, costuma ajudar na fidelização de clientes, algo que interessa a quem está começando. Ainda assim, planeje com cautela: a mesma projeção (com base no 1º trimestre de 2025) aponta crescimento de apenas 3,5% no ano, faturamento de cerca de R$ 78 bilhões e o menor avanço do setor desde 2019. O próprio setor avalia que, descontadas inflação e perda de produtividade, o cenário é de estagnação ou de leve recessão (release ABINPET/IPB na Câmara Setorial Pet).

Passo 1: Planejamento do negócio

Antes de qualquer estrutura, defina:

  • Público e localização: bairro, concorrência e perfil de tutores.
  • Serviços: só banho e tosa, ou também venda de produtos e acessórios?
  • Investimento e custos fixos: aluguel, equipamentos, água, energia, pessoal e tributos.
  • Preço e volume: quantos atendimentos por dia sustentam o negócio.

Passo 2: A questão do CRMV (o ponto que gera mais dúvida)

Aqui há uma divergência importante que você precisa conhecer com honestidade.

Resoluções do CFMV tratam estabelecimentos de banho e tosa como locais que exigiriam responsável técnico (RT) médico-veterinário — é o contexto das Resoluções CFMV nº 1015/2012 e nº 878/2008, citadas nas Diretrizes de Atuação para a Responsabilidade Técnica do próprio CFMV. Por outro lado, o STJ, em recurso repetitivo (REsp 1.338.942/SP, 2017), firmou tese de que banho e tosa não é atividade privativa do médico-veterinário: estabelecimentos que apenas vendem rações, acessórios, animais, medicamentos e prestam banho e tosa não estão sujeitos a registro no CRMV nem à contratação de RT.

A distinção prática é esta:

  • Banho e tosa ‘puro’: pela tese do STJ, não exige registro no CRMV nem RT veterinário.
  • Se o local também pratica atos clínicos (vacinação, prescrição, sedação, cirurgia): aí sim há necessidade de médico-veterinário e de registro no CRMV.

Por haver essa divergência entre a norma dos conselhos e a jurisprudência, o mais prudente é buscar orientação jurídica e verificar a interpretação aplicada na sua região.

Passo 3: Licença da Vigilância Sanitária

Independentemente da questão do RT, o estabelecimento precisa de licença/alvará da Vigilância Sanitária municipal. As regras são municipais e variam por cidade, mas costumam exigir:

  • Separação de áreas (recepção, banho, tosa, alojamento) para evitar contaminação cruzada.
  • Regras de higiene, ventilação e iluminação adequadas.
  • Manejo definido para animais com suspeita de doença infecciosa, dermatopatias ou ectoparasitas.

Confirme os requisitos junto à Vigilância Sanitária e à prefeitura da sua cidade antes de fechar o ponto e comprar equipamentos.

Passo 4: Estrutura física e equipamentos

Com base nas boas práticas orientadas por manuais de conselhos regionais, organize:

Área Função
Recepção Atendimento e triagem do animal
Banho Cubas, ducha, secagem
Tosa Bancadas, máquinas, tesouras
Alojamento Espera dos animais em segurança

Manuais oficiais que orientam boas práticas: CRMV-PR (Manual de Banho e Tosa, 2020), CRMV-RS (Guia para elaboração do Manual de Boas Práticas) e CRMV-MG (Manual de Responsabilidade Técnica).

Passo 5: Equipe, biossegurança e bem-estar

  • Equipe treinada em manejo, contenção e biossegurança.
  • Protocolos de higiene e limpeza de equipamentos entre atendimentos.
  • Cuidado com o bem-estar: banho e tosa são procedimentos delicados, que podem gerar estresse e lesões (cortes, queimaduras de lâmina, otite por água no ouvido), especialmente em gatos.

Um limite inegociável: sedação e medicação são atos do médico-veterinário. Se um animal precisar ser sedado para a tosa, isso deve ser avaliado, prescrito e acompanhado por um veterinário — nunca decidido pelo tosador ou pelo estabelecimento. Em qualquer sinal de problema de saúde, encaminhe ao médico-veterinário.

Resumo dos primeiros passos

  1. Planejar o negócio e os custos.
  2. Entender a questão do CRMV (banho e tosa puro x atos clínicos).
  3. Obter licença da Vigilância Sanitária municipal.
  4. Montar estrutura com separação de áreas.
  5. Treinar equipe em manejo, biossegurança e bem-estar.

Perguntas frequentes

Preciso de veterinário responsável técnico para abrir um banho e tosa?

Para banho e tosa 'puro', o STJ (REsp 1.338.942/SP) entende que não é preciso registro no CRMV nem RT veterinário. Mas se o local também fizer atos clínicos como vacinação ou sedação, aí sim há necessidade. Há divergência entre norma dos conselhos e jurisprudência; busque orientação jurídica.

Que licença um pet shop de banho e tosa precisa ter?

O estabelecimento precisa de licença ou alvará da Vigilância Sanitária municipal, com regras de higiene, separação de áreas e ventilação. As exigências variam por cidade, então confirme com a Vigilância Sanitária e a prefeitura local.

Posso sedar animais para facilitar a tosa no meu pet shop?

Não por conta própria. Aplicação de sedativos e de qualquer medicamento é ato exclusivo do médico-veterinário. A sedação para tosa, sobretudo em gatos, deve ser avaliada, prescrita e acompanhada por esse profissional.

Por que separar as áreas do estabelecimento?

A separação entre recepção, banho, tosa e alojamento evita contaminação cruzada e ajuda no manejo de animais com dermatopatias, ectoparasitas ou suspeita de doença infecciosa. É uma exigência comum das regras de Vigilância Sanitária.

Fontes

Cada afirmação que depende de norma, número ou procedimento tem origem verificável.

  1. ABEMPET (Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação; ex-ABINPET/IPB) · consultado em 20/07/2026

  2. Superior Tribunal de Justiça (STJ) · consultado em 20/07/2026

  3. Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) · consultado em 20/07/2026

  4. Conselho Regional de Medicina Veterinária do Paraná (CRMV-PR) · consultado em 20/07/2026

  5. Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio Grande do Sul (CRMV-RS) · consultado em 20/07/2026

  6. Conselho Regional de Medicina Veterinária de Minas Gerais (CRMV-MG) · consultado em 20/07/2026

  7. Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo (CRMV-SP) · consultado em 20/07/2026

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