Neste artigo
O Campolina começa com uma história que parece invenção e está documentada: um fazendeiro mineiro recebe uma égua de presente do imperador, e do potro que nasce dela sai uma raça.
A formação: 1870, Minas Gerais
Cassiano Campolina, nascido em 10 de julho de 1836, em São Brás do Suaçuí (MG), estabeleceu a raça a partir de 1870. Ele ganhou do Imperador Dom Pedro II a égua Medéia, que já estava prenha de um garanhão andaluz.
Dessa gestação nasceu Monarca, criado na Fazenda do Tanque, que contribuiu decisivamente na formação da raça Campolina.
O objetivo declarado de Cassiano era produzir cavalos de grande porte, ágeis, resistentes e de beleza inigualável. Para isso, cruzou animais de origem ibérica com sangue de outras raças. O estudo de formação e demografia da raça detalha o aporte: éguas descendentes de raças ibéricas — andaluza, berbere e sorraia — e garanhões introduzidos das raças anglo-normanda, Clydesdale, Holsteiner, American Saddle Horse e Mangalarga.
Depois da morte de Cassiano, em 1904, o herdeiro tenente-coronel Joaquim Pacheco de Resende deu continuidade ao trabalho. Os primeiros núcleos de criação se desenvolveram em Passa Tempo, Barbacena, Oliveira e Jequitinhonha, com outros na Bahia e em Pernambuco.
A Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Campolina foi fundada oficialmente em 1951, em Belo Horizonte, tendo Bolivar de Andrade como primeiro presidente.
O que os números do registro mostram
O estudo publicado no Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia analisou 71.991 equinos registrados no studbook da raça entre 1951 e 2000. O retrato que ele produz:
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Média anual de nascimentos (1951-1998) | 1.159 animais |
| Pico de registros | 5.107 nascimentos em 1991 |
| Concentração no Sudeste | 86,6% |
| Minas Gerais | 62,4% — 41.493 animais |
| Criadores com menos de 5 animais | Mais da metade |
| Gerações máximas | 6,5 |
| Intervalo médio entre gerações | 8,7 anos |
| Endogamia média da população | 1,3% (6,1% entre animais endogâmicos) |
| Pelagens mais frequentes | Baia 48,7%, alazã 31,3%, castanha 12,2% |
Dois desses números dizem bastante sobre a raça. O máximo de 6,5 gerações caracteriza uma raça geneticamente jovem e em desenvolvimento — o que significa margem de seleção, mas também variabilidade de tipo. E a estrutura de criadores pequenos, com mais da metade possuindo menos de cinco animais, explica por que a raça se espalhou por criação familiar e não por grandes plantéis.
O que caracteriza o Campolina hoje
É um cavalo marchador de sela, selecionado para porte, robustez, resistência e andamento cômodo. Nas descrições da associação, destacam-se as formas harmoniosas, os traços curvilíneos, o perfil de cabeça convexo e uma estrutura óssea e muscular que favorece a marcha.
A comparação inevitável é com o Mangalarga Marchador, a outra grande raça marchadora mineira. A diferença mais citada é de porte: o Campolina foi construído desde o início buscando animal maior, e o aporte de sangue de raças pesadas europeias na formação está nesse propósito.
A versatilidade é parte da proposta: sela, trabalho de fazenda, lazer, esporte e atrelagem.
Antes de comprar
Valem as mesmas regras de qualquer raça marchadora:
- Monte o animal e avalie a marcha na prática — regularidade e conforto são individuais.
- Confira o registro genealógico na associação da raça. É o que comprova origem.
- Peça exame veterinário do aparelho locomotor antes de fechar negócio.
- Considere o porte em relação ao seu tamanho e ao uso pretendido: cavalo grande exige mais de tudo — espaço, alimentação, casqueamento e arreio.
Raça é ponto de partida. O animal específico é o que você leva para casa.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre Campolina e Mangalarga Marchador?
As duas são raças marchadoras mineiras, mas a formação e a seleção foram diferentes: o Campolina foi construído buscando animais de maior porte, com aporte de sangue de raças pesadas e de sela europeias, e tem associação e registro genealógico próprios. Na prática, o Campolina é descrito como cavalo de porte mais avantajado e perfil de cabeça mais convexo.
A raça é concentrada em Minas Gerais?
Fortemente. O estudo de formação e demografia da raça mostrou que 86,6% dos registros estavam no Sudeste, com Minas Gerais respondendo por 62,4% do total — 41.493 animais. Também apontou que mais da metade dos criadores possuía menos de cinco animais.
A raça é considerada nova?
Geneticamente, sim. O mesmo estudo apurou no máximo 6,5 gerações e intervalo médio entre gerações de 8,7 anos, o que caracteriza uma raça jovem e em desenvolvimento. O coeficiente médio de endogamia da população foi de 1,3%, chegando a 6,1% entre os animais endogâmicos.
Quais são as pelagens mais comuns?
Nos registros analisados entre 1951 e 2000, as pelagens mais frequentes foram baia (48,7%), alazã (31,3%) e castanha (12,2%).
Fontes
Cada afirmação que depende de norma, número ou procedimento tem origem verificável.
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