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Raças de cavalo: guia de identificação das principais raças

Campolina: origem mineira, marcha e características

Resposta rápida

O Campolina é uma raça marchadora brasileira formada em Minas Gerais a partir de 1870, quando Cassiano Campolina recebeu do imperador Dom Pedro II a égua Medéia, já prenha de um garanhão andaluz. Do nascimento resultou Monarca, animal que contribuiu decisivamente para a formação da raça. A seleção buscou cavalos de grande porte, ágeis e resistentes, com uso de sangue anglo-normando, Clydesdale, Holsteiner, American Saddle Horse e Mangalarga. A associação foi fundada em 1951 e registrou 71.991 animais entre 1951 e 2000.

Neste artigo
  1. A formação: 1870, Minas Gerais
  2. O que os números do registro mostram
  3. O que caracteriza o Campolina hoje
  4. Antes de comprar

O Campolina começa com uma história que parece invenção e está documentada: um fazendeiro mineiro recebe uma égua de presente do imperador, e do potro que nasce dela sai uma raça.

A formação: 1870, Minas Gerais

Cassiano Campolina, nascido em 10 de julho de 1836, em São Brás do Suaçuí (MG), estabeleceu a raça a partir de 1870. Ele ganhou do Imperador Dom Pedro II a égua Medéia, que já estava prenha de um garanhão andaluz.

Dessa gestação nasceu Monarca, criado na Fazenda do Tanque, que contribuiu decisivamente na formação da raça Campolina.

O objetivo declarado de Cassiano era produzir cavalos de grande porte, ágeis, resistentes e de beleza inigualável. Para isso, cruzou animais de origem ibérica com sangue de outras raças. O estudo de formação e demografia da raça detalha o aporte: éguas descendentes de raças ibéricas — andaluza, berbere e sorraia — e garanhões introduzidos das raças anglo-normanda, Clydesdale, Holsteiner, American Saddle Horse e Mangalarga.

Depois da morte de Cassiano, em 1904, o herdeiro tenente-coronel Joaquim Pacheco de Resende deu continuidade ao trabalho. Os primeiros núcleos de criação se desenvolveram em Passa Tempo, Barbacena, Oliveira e Jequitinhonha, com outros na Bahia e em Pernambuco.

A Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Campolina foi fundada oficialmente em 1951, em Belo Horizonte, tendo Bolivar de Andrade como primeiro presidente.

O que os números do registro mostram

O estudo publicado no Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia analisou 71.991 equinos registrados no studbook da raça entre 1951 e 2000. O retrato que ele produz:

Indicador Valor
Média anual de nascimentos (1951-1998) 1.159 animais
Pico de registros 5.107 nascimentos em 1991
Concentração no Sudeste 86,6%
Minas Gerais 62,4% — 41.493 animais
Criadores com menos de 5 animais Mais da metade
Gerações máximas 6,5
Intervalo médio entre gerações 8,7 anos
Endogamia média da população 1,3% (6,1% entre animais endogâmicos)
Pelagens mais frequentes Baia 48,7%, alazã 31,3%, castanha 12,2%

Dois desses números dizem bastante sobre a raça. O máximo de 6,5 gerações caracteriza uma raça geneticamente jovem e em desenvolvimento — o que significa margem de seleção, mas também variabilidade de tipo. E a estrutura de criadores pequenos, com mais da metade possuindo menos de cinco animais, explica por que a raça se espalhou por criação familiar e não por grandes plantéis.

O que caracteriza o Campolina hoje

É um cavalo marchador de sela, selecionado para porte, robustez, resistência e andamento cômodo. Nas descrições da associação, destacam-se as formas harmoniosas, os traços curvilíneos, o perfil de cabeça convexo e uma estrutura óssea e muscular que favorece a marcha.

A comparação inevitável é com o Mangalarga Marchador, a outra grande raça marchadora mineira. A diferença mais citada é de porte: o Campolina foi construído desde o início buscando animal maior, e o aporte de sangue de raças pesadas europeias na formação está nesse propósito.

A versatilidade é parte da proposta: sela, trabalho de fazenda, lazer, esporte e atrelagem.

Antes de comprar

Valem as mesmas regras de qualquer raça marchadora:

  1. Monte o animal e avalie a marcha na prática — regularidade e conforto são individuais.
  2. Confira o registro genealógico na associação da raça. É o que comprova origem.
  3. Peça exame veterinário do aparelho locomotor antes de fechar negócio.
  4. Considere o porte em relação ao seu tamanho e ao uso pretendido: cavalo grande exige mais de tudo — espaço, alimentação, casqueamento e arreio.

Raça é ponto de partida. O animal específico é o que você leva para casa.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre Campolina e Mangalarga Marchador?

As duas são raças marchadoras mineiras, mas a formação e a seleção foram diferentes: o Campolina foi construído buscando animais de maior porte, com aporte de sangue de raças pesadas e de sela europeias, e tem associação e registro genealógico próprios. Na prática, o Campolina é descrito como cavalo de porte mais avantajado e perfil de cabeça mais convexo.

A raça é concentrada em Minas Gerais?

Fortemente. O estudo de formação e demografia da raça mostrou que 86,6% dos registros estavam no Sudeste, com Minas Gerais respondendo por 62,4% do total — 41.493 animais. Também apontou que mais da metade dos criadores possuía menos de cinco animais.

A raça é considerada nova?

Geneticamente, sim. O mesmo estudo apurou no máximo 6,5 gerações e intervalo médio entre gerações de 8,7 anos, o que caracteriza uma raça jovem e em desenvolvimento. O coeficiente médio de endogamia da população foi de 1,3%, chegando a 6,1% entre os animais endogâmicos.

Quais são as pelagens mais comuns?

Nos registros analisados entre 1951 e 2000, as pelagens mais frequentes foram baia (48,7%), alazã (31,3%) e castanha (12,2%).

Fontes

Cada afirmação que depende de norma, número ou procedimento tem origem verificável.

  1. ABCC Campolina · consultado em 20/07/2026

  2. SciELO / Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia — literatura revisada por pares · consultado em 05/08/2026

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