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Trabalhar em pet shop: cursos, funções e como começar

Resposta rápida

Trabalhar em pet shop não exige curso por lei: as funções do setor são ocupações classificadas no CBO, não profissões regulamentadas, e o estabelecimento que apenas vende produtos e presta banho e tosa não precisa de registro no CRMV nem de responsável técnico veterinário — foi o que o STJ firmou em recurso repetitivo. O que muda tudo é o que o pet shop faz além disso: se houver atendimento clínico, aplicação de medicação ou vacinação, aí entram exigências próprias e a supervisão do médico-veterinário. Curso é diferencial de contratação, não requisito.

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O que define o que você pode fazer

Antes de escolher curso, entenda o que separa um pet shop de outro — porque isso define quais funções existem ali dentro.

Um estabelecimento que apenas vende produtos e presta banho e tosa não precisa de registro no CRMV nem de responsável técnico veterinário. Foi o que o Superior Tribunal de Justiça firmou em recurso repetitivo (REsp 1.338.942/SP). É a razão de existirem tantos pet shops de bairro com equipe enxuta e sem veterinário fixo.

Mas se o local também faz atendimento clínico — consulta, vacinação, aplicação de medicação, procedimentos —, a lógica muda: entram as exigências próprias desse serviço e a supervisão do médico-veterinário. Quem trabalha lá dentro passa a atuar como apoio, com limites definidos pela Resolução CFMV nº 1.260/2019.

Na prática, isso significa que “trabalhar em pet shop” pode ser uma coisa bem diferente da outra, dependendo da casa.

As funções, e onde cada uma está classificada

Função CBO O que faz
Banhista de animais domésticos 5193-15 Banho, higiene, secagem
Tosador de animais domésticos 5193-20 Tosa higiênica e estética
Auxiliar de veterinário 5193-05 Apoio ao atendimento clínico, sob supervisão
Atendente / vendedor Comércio Recepção, venda, agendamento, pós-venda

As três primeiras estão na mesma família ocupacional (5193), ligada a serviços veterinários e à higiene e estética de animais domésticos. Nenhuma delas é profissão regulamentada com conselho próprio: são ocupações classificadas para fins de contratação e registro em carteira.

Consequência direta: nenhum curso é obrigatório por lei para trabalhar em pet shop. Curso é diferencial de contratação — e, em banho e tosa, é o que encurta o tempo até você ser produtivo na bancada.

Por onde se entra de verdade

O caminho mais comum não é o mais anunciado. A maioria começa em funções de apoio e migra:

Auxiliar de banho. Recebe o animal, escova, ajuda na contenção, seca, limpa. É a porta de entrada clássica, aceita candidato sem experiência e coloca você ao lado de quem tosa — que é como se aprende.

Atendimento e recepção. Quem gosta da parte comercial entra por aqui. Agendamento, venda de ração e acessórios, pós-venda. Exige menos técnica e mais trato com gente.

Limpeza e apoio geral. Subestimado como porta de entrada, e eficiente: coloca você dentro da rotina e visível para quem contrata internamente.

Em todos os casos, a progressão típica é a mesma: apoio → banhista → tosador, ou apoio → auxiliar de veterinário, se a casa tiver atendimento clínico.

O que o mercado sustenta

O setor pet brasileiro faturou R$ 75,4 bilhões em 2024, e serviços de higiene e estética são uma fatia consistente disso. É um mercado grande, pulverizado e com rotatividade alta — o que significa vagas frequentes, inclusive para quem está começando.

O que ele não é: um mercado de salários altos na entrada. A progressão de renda vem de técnica (tosa por padrão de raça, acabamento em tesoura), de velocidade e, para muita gente, de virar autônomo ou abrir o próprio negócio.

Independentemente da função e do curso:

  • Sedar um animal é ato do médico-veterinário. Nunca do tosador, do banhista ou do atendente.
  • Diagnosticar e prescrever também. Encontrar uma lesão de pele é comum; dizer o que é e indicar tratamento, não.
  • Vacinar exige as condições próprias do serviço clínico e a supervisão do veterinário.
  • Reconhecer e encaminhar é papel de quem está na bancada — e é uma contribuição real: o profissional de banho e tosa costuma notar caroço, ferida, otite e dor antes de qualquer consulta.

Saber onde a função termina protege o animal, o cliente, o estabelecimento e principalmente você.

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