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Raças de ovinos: guia de identificação e aptidão

Resposta rápida

A divisão que organiza as raças de ovinos no Brasil não é por porte nem por cor: é entre lanadas e deslanadas. Predominam genótipos lanados no Sul e no Sudeste e deslanados no Norte e no Nordeste, que é a região com o maior rebanho ovino do país. A escolha da raça decorre da aptidão pretendida — carne, lã, leite ou pele — combinada ao clima e ao sistema de criação, e não do animal mais bonito na exposição. O registro genealógico das raças ovinas no Brasil é feito pela ARCO.

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A divisão que organiza tudo: lanadas e deslanadas

Antes de decorar nomes de raça, entenda a linha que separa a ovinocultura brasileira em dois mundos. Segundo a Embrapa, predominam genótipos lanados nas regiões Sul e Sudeste, enquanto no Norte e no Nordeste predominam os deslanados.

Não é preferência regional: é adaptação. A lã é um isolante térmico que resolve o frio do Sul e vira problema no calor e na umidade do Nordeste — onde o animal deslanado dissipa calor melhor, resiste mais ao parasitismo típico da região e dispensa a tosquia, uma operação que só se paga onde a lã tem mercado.

Por isso a primeira pergunta de quem vai começar não é “qual raça é melhor”, e sim onde a criação vai acontecer.

As aptidões

A segunda pergunta é o que se pretende vender:

Aptidão O que se busca no animal
Carne Ganho de peso, conformação de carcaça, precocidade, prolificidade
Qualidade, finura e peso do velo
Leite Produção e persistência da lactação
Pele Qualidade do couro, tradicionalmente valorizada em raças nativas

Uma raça excelente para carne pode ser medíocre para lã, e vice-versa. Raças de dupla aptidão existem e costumam ser um meio-termo — boas nas duas coisas, ótimas em nenhuma. Escolher significa aceitar isso conscientemente.

O panorama por região

Sul e Sudeste. Predomínio de lanadas, com raças voltadas à lã e à dupla aptidão, além de raças de corte de origem europeia. O clima favorece a criação lanada e existe cadeia de lã estruturada historicamente.

Norte e Nordeste. Predomínio de deslanadas. O Nordeste é a maior detentora dos rebanhos ovinos e caprinos do Brasil, e a região registrou crescimento expressivo do efetivo — puxado, segundo a Embrapa, pela demanda crescente por carne ovina e pelos bons preços do produto em comparação com a carne bovina.

É um dado que muda a leitura do negócio: a ovinocultura de corte no Nordeste não é atividade de subsistência, é resposta a mercado.

Nativas e exóticas: uma escolha com consequência

Aqui está o ponto que os catálogos de raça não contam.

As raças localmente adaptadas — também chamadas nativas ou naturalizadas — foram selecionadas por gerações nas condições brasileiras: rusticidade, tolerância ao calor, resistência a parasitas, capacidade de produzir com pastagem de baixa qualidade.

As raças exóticas trazem desempenho superior em ganho de peso e conformação, sob manejo e nutrição adequados.

O risco é conhecido e documentado. A Embrapa registra que, apesar do crescimento do efetivo ovino brasileiro, os rebanhos da Morada Nova — uma das principais raças nativas deslanadas do Nordeste — vêm reduzindo de tamanho a cada ano, com criadores optando por Dorper e, principalmente, Santa Inês. Isso, somado ao cruzamento indiscriminado com raças exóticas, põe em risco a existência e a preservação desse genótipo.

Para o criador, a lição prática é direta: cruzar sem plano é o caminho mais rápido para perder as duas coisas — a rusticidade da nativa e o desempenho da exótica.

O registro genealógico

Quem responde pelo registro das raças ovinas no Brasil é a ARCO — Associação Brasileira de Criadores de Ovinos, entidade que congrega as associações de criadores e as entidades promotoras de raças do país.

Para quem compra reprodutor, o registro é o que comprova origem e permite acompanhar genealogia — e é o que separa um animal de raça de um animal parecido com a raça.

Como escolher, na ordem certa

  1. Defina a aptidão — carne, lã, leite ou pele — a partir do mercado que você tem acesso, não do que gostaria de ter.
  2. Considere o clima e o sistema de criação: lanada ou deslanada é a primeira eliminatória.
  3. Avalie a rusticidade necessária: quanto mais extensivo o sistema, mais a adaptação pesa em relação ao desempenho puro.
  4. Verifique a disponibilidade regional de matrizes e reprodutores registrados — raça sem criador por perto encarece tudo.
  5. Planeje o cruzamento, se houver, com objetivo definido e não por conveniência.

E vale a regra que atravessa todas as espécies: raça é ponto de partida estatístico. O que você leva para casa é o indivíduo — avaliado, com registro e com histórico sanitário.

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