Veterinário Raiz
Brasil

Español

Españolem breve

English

Englishem breve
Escolha seu país →

Tema

Que abelha é essa? Identificação de abelhas com e sem ferrão

Resposta rápida

As abelhas do Brasil se dividem em dois grandes grupos. As com ferrão funcional são representadas sobretudo pela abelha africanizada (Apis mellifera), a espécie social produtora de mel comum em todo o País — é ela que forma os enxames em telhados, ocos de árvores e cupinzeiros e que defende a colônia com ferroadas. As sem ferrão pertencem à tribo Meliponina, com 52 gêneros e mais de 300 espécies, entre elas jataí, uruçu, mandaçaia e jandaíra: têm ferrão atrofiado, não ferroam e no máximo mordiscam. Identificar o grupo antes de agir é o que define o risco.

2 artigosAtualizado em

A pergunta que importa não é a espécie: é o grupo

Quem encontra uma abelha em casa quer saber uma coisa antes de qualquer outra: isso pode me ferroar? E essa pergunta se responde identificando o grupo, não a espécie exata.

Abelhas com ferrão funcional. A principal é a abelha africanizada, conhecida cientificamente como Apis mellifera — segundo a Embrapa, a espécie social com ferrão que produz mel e é muito comum em todo o País. É a abelha do apicultor, a que forma enxames volumosos e a que defende a colônia ferroando.

Abelhas sem ferrão. Pertencem à tribo Meliponina (Hymenoptera, Apidae), com 52 gêneros e mais de 300 espécies identificadas. São as nativas brasileiras — jataí, uruçu, mandaçaia, jandaíra, tiúba —, têm o ferrão atrofiado e não ferroam. Quando incomodadas, no máximo mordiscam a pele ou enroscam no cabelo.

Saber diferenciar as duas resolve 90% das situações domésticas, e evita tanto o pânico desnecessário quanto o descuido perigoso.

Como diferenciar na prática

Sinal Africanizada (com ferrão) Sem ferrão (nativas)
Tamanho Maior, corpo robusto Geralmente pequenas, algumas minúsculas
Comportamento ao se aproximar Zumbido alto, voo direto, defesa em grupo Voo curioso, pousa, pode enroscar no cabelo
Entrada do ninho Fresta larga, muitas abelhas entrando e saindo Tubo de cera ou barro característico, frequentemente pequeno
Onde nidificam Ocos de árvores, galhos, buracos no chão, pedras, cupinzeiros, telhados Ocos pequenos, muros, caixas, troncos finos
Risco Ferroada, com risco maior em enxames e em pessoas alérgicas Praticamente nulo

O tubo de entrada é o melhor sinal de campo: muitas espécies sem ferrão constroem um tubinho de cera ou barro na entrada do ninho, algo que a Apis não faz.

As nativas mais conhecidas

Entre as mais de 300 espécies, poucas são criadas racionalmente. As mais indicadas para produção de mel, segundo a Embrapa, são:

  • Uruçu (Melipona scutellaris)
  • Tiúba (Melipona fasciculata)
  • Jandaíra (Melipona subnitida)
  • Uruçu-cinzenta (Melipona manaosensis)
  • Mandaçaia (Melipona quadrifasciata anthidioides)
  • Jataí (Tetragonisca angustula)

A produção de mel dessas abelhas fica, em geral, entre 1 e 10 kg por ano, dependendo da espécie e da região — bem abaixo da Apis, e com mel de composição físico-química diferente, o que lhe dá sabor, cor e odor próprios.

Por que não matar o enxame

Além do risco de tentar, há a razão ambiental, e ela é grande: as abelhas-sem-ferrão são responsáveis pela polinização de 30% das espécies da Caatinga e do Pantanal e de até 90% das espécies da Mata Atlântica.

Ou seja: um ninho de nativas no seu quintal é um serviço ambiental funcionando de graça. E mesmo um enxame de africanizadas pode ser removido por apicultor, que o realoja em colmeia — prática comum e que resolve o problema sem veneno.

Criar abelhas nativas não é simplesmente pegar um ninho no mato. A Resolução CONAMA nº 346/2004 disciplina a utilização das abelhas silvestres nativas e a implantação de meliponários, e a obtenção de enxames deve se dar por meios não destrutivos — ninhos-isca ou aquisição junto a produtores cadastrados.

Como a regulamentação do tema passou por revisões e há normas estaduais complementares, confirme as exigências vigentes com o órgão ambiental do seu estado antes de iniciar um meliponário.

O que fazer ao encontrar um enxame

  1. Não bata, não jogue água, não use inseticida. Agitar a colônia é o que gera ataque.
  2. Afaste pessoas e animais do local, principalmente crianças e idosos.
  3. Observe à distância e tente identificar o grupo pelos sinais da tabela.
  4. Acione quem remove: apicultor, associação de apicultores, meliponicultor, defesa civil ou bombeiros, conforme a situação e a cidade.
  5. Em caso de ferroadas múltiplas ou de reação alérgica — inchaço no rosto, falta de ar, tontura —, procure atendimento médico imediatamente.

Este conteúdo é informativo e trata de identificação e de conduta segura. Remoção de enxame é serviço para quem tem equipamento e treino.

Artigos deste tema