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Galinha poedeira: raças, preço e produção de ovos

Resposta rápida

A criação de poedeiras se organiza por sistema, e cada um tem espaço mínimo definido. Na gaiola convencional, o espaço indicado por ave é igual ou superior a 350 cm²; na gaiola mobiliada, o espaço livre individual não pode ser inferior a 750 cm². Fora de gaiola, a produção em piso com cama fica entre 6 e 8 aves/m², o nível único entre 5 e 6 e o nível múltiplo entre 10 e 11. No sistema caipira ou colonial são 7 aves/m² no aviário mais área externa com no máximo 2 aves/m². Cada sistema exige ainda ninho, poleiro, comedouro e bebedouro dimensionados por ave.

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O sistema define tudo o resto

Antes de escolher linhagem, calcular ração ou desenhar o galpão, é preciso decidir em que sistema você vai produzir. Ele determina espaço por ave, equipamento obrigatório, custo de instalação e — cada vez mais — o mercado que compra o seu ovo.

Os quatro sistemas, com o espaço que cada um exige:

Sistema Espaço por ave
Gaiola convencional (bateria) Igual ou superior a 350 cm²
Gaiola mobiliada (com poleiro, ninho, tapete e lixa) Espaço livre individual não inferior a 750 cm²
Livre de gaiola (cage-free) Aviário sem gaiolas, com piso de cama, poleiros e ninhos
Caipira ou colonial (free-range) 7 aves/m² no aviário mais área externa com no máximo 2 aves/m²

A definição do sistema caipira merece destaque porque é a mais mal aplicada: ele exige acesso a área externa para pastejo, respeitadas as duas densidades — a de dentro e a de fora. Galpão fechado com nome de caipira não é caipira.

Densidade por fase, fora de gaiola

A ave não ocupa o mesmo espaço a vida inteira. As recomendações para o sistema livre de gaiola:

Fase Aves/m² Área por ave
Cria — 1ª semana 30 333 cm²
Cria — 2ª à 6ª semana 20 500 cm²
Recria — ideal 9 1.112 cm²
Recria — máxima 12 834 cm²
Produção — piso com cama 6 a 8 1.250 cm²
Produção — nível único (cama + slat) 5 a 6 1.667 cm²
Produção — nível múltiplo 10 a 11 909 cm²

Repare na recria: a densidade ideal é 9 aves/m² e a máxima é 12. São coisas diferentes — o teto não é a meta, e projetar pelo teto é começar apertado.

Nossa calculadora de densidade faz essa conta nos dois sentidos: quantas aves cabem na sua área, ou de quanta área você precisa para as aves que pretende alojar.

O que a densidade exige em equipamento

Dimensionar só o piso é o erro que produz ovo no chão e briga por comedouro. A mesma referência técnica define:

  • Poleiro — obrigatório no sistema fora de gaiola: 15 cm por ave na produção; 7,5 cm por ave na cria (a partir de 7 a 10 dias) e na recria
  • Ninho1 individual para cada 4 aves, ou 1 m² de ninho coletivo para cada 100 aves; no caipira, 1 para cada 7 aves
  • Bebedouro nipple1 para cada 12 aves
  • Comedouro circular — cerca de 4 cm por ave

Ninho de menos é a principal causa de postura fora do ninho — e ovo no chão suja, quebra e some. É a economia que sai mais cara na avicultura de postura.

Sobre o piquete, no caipira

A área externa tem densidade máxima de 0,5 m² por ave e precisa ser manejada para não degradar nem contaminar. A recomendação é rotação de piquete sempre que possível; sem rotação, o espaço sobe para 1,5 m² por ave.

E há um detalhe de projeto que decide se o sistema funciona: a área externa precisa de vegetação e pontos cobertos, que protegem contra predadores aéreos. Sem sombra e sem abrigo, as aves não usam o piquete — e o sistema vira caipira apenas no papel.

A escolha da linhagem

Existem linhagens comerciais especializadas em postura, com alta produção de ovos e exigência proporcional de nutrição e manejo, e linhagens coloniais, mais rústicas, adequadas a sistemas caipira e colonial.

A regra é a mesma de qualquer espécie: potencial genético só se expressa com manejo à altura. Linhagem de alta postura em sistema simples costuma render menos que uma linhagem rústica bem manejada — e ainda adoece mais.

Cada linhagem tem manual de manejo próprio, com curva de postura, consumo esperado e programa de luz. É nele que se buscam os números daquele plantel, e não em tabelas genéricas.

Por onde começar

  1. Defina o sistema — ele decide espaço, equipamento, custo e mercado.
  2. Dimensione a área pela densidade da fase, e não pelo teto.
  3. Some o equipamento — ninho, poleiro, comedouro e bebedouro por ave.
  4. Escolha a linhagem compatível com o sistema, não o contrário.
  5. Verifique o mercado antes de construir: ovo de sistema alternativo tem preço melhor onde há comprador que o valorize.

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